25.8.11

José Dirceu: sem reforma política, sistema cairá nas ruas

via Sul 21



"A reforma política é uma demanda que vai se impor. Senão, o sistema vai cair, e vai cair nas ruas" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Benedito Tadeu César
Ex-ministro da Casa Civil no governo Lula, José Dirceu mantém-se como homem forte do PT, ainda que minimize sua participação na direção do partido. “Procuro ajudar o governo e o PT. Mas não tenho essa importância, esse papel que querem dar a mim”, afirma. No entanto, enquanto trabalha como consultor de empresas e prepara a defesa no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), faz política na maior parte do tempo.
Os rumores de uma rebelião no governo Dilma Rousseff, os desafios da presidenta frente à crise econômica e as propostas de reforma política estão na pauta de José Dirceu. Em entrevista concedida ao Sul21 na semana passada, ele avaliou positivamente a atuação de Dilma na área econômica e criticou a oposição – e setores da imprensa – por aventarem a possibilidade de Lula ser candidato em 2014.
Diante da série de denúncias em ministérios, Dirceu defendeu a política de alianças iniciada no governo Lula e afastou a relação da ampla coalizão com casos de corrupção. “O combate à corrupção tem sido feito. Mas é preciso fazer a reforma política e administrativa também”, defende. Do contrário, o sistema político perderia a credibilidade: “A reforma política é uma demanda que vai se impor. Senão, o sistema vai cair, e vai cair nas ruas”.
Na entrevista, José Dirceu também comentou a crise do governo Lula em 2005, os desafios do Brasil na América Latina e, por fim, as costuras políticas de seu partido para as eleições municipais em Porto Alegre.
"O factoide da vez é que o Lula volta em 2014. Isso reflete a falta de propostas da oposição" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – Gostaríamos de começar com um assunto que vem sendo discutido nas últimas semanas, que é esse debate sobre se a presidenta tem, ou não, traquejo para lidar com as denúncias de corrupção. Alguns jornais noticiaram que o senhor teria dito temer que o governo Dilma não chegasse até o fim e que sentia-se “apavorado” com a forma como Dilma estava conduzindo o diálogo com os aliados. Como o senhor avalia a condução política de Dilma Rousseff a partir dessas denúncias de corrupção?
José Dirceu – Suceder o Lula não é fácil. A Dilma é um “case” nesse sentido. As pesquisas mostram que ela tem 70% de aprovação, sendo que enfrenta uma crise internacional que não está sendo bem respondida pela maioria dos países. Com a experiência de ministra da Casa Civil, de ter participado do enfrentamento da crise de 2008 e 2009, ela está trabalhando para que o Brasil passe ao largo dessa nova crise. Essa, para mim, é a questão mais importante para o Brasil nesse momento: não permitir que o Brasil seja afetado, tomar as medidas necessárias em defesa da nossa moeda, da nossa indústria e da nossa economia. E sustentar o crescimento com os investimentos, apesar da necessidade de medidas de proteção ao crédito, de aumentar o juro e de fazer o ajuste fiscal que ela fez. Nesse sentido, a avaliação do governo nesses oito meses é altamente positiva. E a sociedade brasileira está dando esse retorno a ela. A Dilma herdou um sistema político, uma forma de governar e de administrar. Tem uma oportunidade de reformá-lo. Eu diria que a segunda grande tarefa, depois de enfrentar a crise econômica, é promover a reforma política. Essa tem que ser a bandeira do PT. A base do governo depende do PT e do PMDB. E depende da aliança do PT com o PSB, PCdoB e PDT. Evidente que não podemos prescindir do apoio do PP, do PR e do PTB. Não acredito que haja risco de perder a maioria, ou qualquer risco institucional. Jamais falei isso, até porque não é a minha avaliação. A Dilma aprovou os principais projetos, acabamos de aprovar agora o PL-116 (novas regras da TV por assinatura), a regulamentação do novo modelo de tramitação das medidas provisórias. Isso não significa que não haja instabilidade, claro. O PR, aparentemente, deixou de ser um partido da base e passou a ser independente, ainda que eu ache que não há acordo nem consenso dentro do PR sobre isso. Ao mesmo tempo, o PV diz que, frente à crise internacional, é necessário que o interesse nacional se coloque acima dos interesses partidários. Então, acho que existe mais um desejo da oposição e de setores da mídia do que uma divisão verdadeira dentro da base. Tanto isso é verdade que grandes jornais estão vindo com um factoide, como vieram na época do terceiro mandato do Lula. O factoide da vez é que o Lula volta em 2014. Isso é um factoide, até porque seria um tiro no pé. Não tem nenhum sentido colocar 2014 na ordem do dia. Na verdade, isso reflete também a falta de propostas da oposição, de um programa político alternativo. A oposição está dividida, fragilizada. Tem três candidatos. Um que teve um semestre desastroso, que é o Aécio Neves; outro, José Serra, é um eterno candidato que o seu próprio partido não quer; e tem o Geraldo Alckmin, que primeiro tem que governar São Paulo para depois querer ser presidente da República. Os indicadores de São Paulo não estão apresentando bons resultados, e as pesquisas de opinião mostram que o governo paulista não vai bem.
"Com a experiência de ministra da Casa Civil, de ter participado do enfrentamento da crise de 2008 e 2009, Dilma está trabalhando para que o Brasil passe ao largo dessa nova crise" | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Sul21 – É muito comum, quando se fala em corrupção no governo federal, lembrar da reforma política. Sem ela, seria impossível governar sem fazer algum tipo de vista grossa…
José Dirceu – Não, não. Você tem que governar com alianças. Você não pode dizer que a aliança leva à corrupção. Nem que sem alianças não teremos corrupção. Nós não podemos governar sem coalizão. É algo inerente ao atual modelo político brasileiro. Eu não acredito que a corrupção tenha a ver com coalizão. Corrupção tem ligação com a própria corrupção, e você tem que combatê-la. Para isso, há os órgãos de fiscalização e é preciso aperfeiçoar a legislação também. Não temos nenhum problema com isso. O governo Lula foi o que mais combateu a corrupção. Aliás, Lula e Dilma indicaram cinco vezes o primeiro colocado na lista para o Ministério Público, e a oposição elegeu três membros para o Tribunal de Contas da União. E se você olhar a Controladoria Geral da União antes do Lula e comparar com hoje em dia, vai ver que ela ganhou poderes quase autônomos. Fora que a Polícia Federal atua com a mesma autonomia do Ministério Público. O combate à corrupção tem sido feito. Existe corrupção? Claro que tem. Precisa mudar o quê? Primeiro, precisa mudar a legislação, fortalecer órgãos de controle e criar secretarias de controle interno (Ciset) em todos os ministérios. Mas é preciso fazer a reforma política e administrativa também. Qual é o sistema político que existe no Brasil? Uninominal, voto no candidato, disputa dentro do mesmo partido. Cada vereador, deputado estadual e federal é uma campanha diferente. O custo disso é 20, 30 vezes maior do que com voto em lista ou distrital misto. Tem que fazer reforma política para ter financiamento público de campanha e para ter um sistema eleitoral que reduza para 10% do custo das campanhas. Em segundo lugar, tem que fazer a reforma administrativa. Na Constituição de 1988, o PT defendeu que os cargos em comissão fossem ocupados por funcionários de carreira. No entanto, o que era para ser a exceção – a indicação – virou a regra. Nós temos que abolir isso, temos que determinar que os cargos de confiança serão ocupados por funcionários de carreira, com exceção dos indispensáveis. Em vez de 22 mil servidores públicos, o Executivo vai indicar dois mil. Isso vai acabar com a corrupção? Evidentemente que não. Tem corrupção nas empresas privadas, em ONGs, em qualquer lugar. Mas acho que essas reformas vão minorar, e muito, o problema da corrupção no Brasil.
Sul21 – Voltando na questão do PMDB, o senhor acha que a aliança com o PMDB está consolidada? Porque se fala de uma aparente rebeldia dentro do PMDB, até de certo modo organizada com vistas a 2014. E tem um caso concreto, com a divulgação das fotos dos presos na Operação Voucher, e também as denúncias no Ministério da Agricultura.
José Dirceu – Vamos separar as coisas. Nós não podemos aceitar ou permitir nenhuma violação dos direitos garantidos ou individuais. É intolerável, inaceitável que a Polícia Federal coloque algemas, faça prisão arbitrária, seja temporária ou preventiva. Isso expõe a imagem das pessoas. Quanto às alianças… Aliança é unidade e luta. Nós temos aliança com o PMDB, mas não temos o mesmo programa, nem as mesmas propostas, nem o mesmo objetivo e nem somos iguais, seja ao PMDB ou ao PCdoB, PSB ou PDT.
"Nós temos um programa mínimo com o PMDB, mas não temos ponto em comum com o PMDB na reforma política, por exemplo" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – É normal, então, que em um assunto como o Código Florestal o PMDB vote contra o governo?
José Dirceu – É algo que se pode esperar, porque eles representam interesses que nós não representamos.
Sul21 – Mas essa diferença não prejudica a manutenção da base?
José Dirceu – Não, porque existem objetivos maiores. O PMDB é um partido desenvolvimentista, nacionalista, um partido que concorda conosco no básico de nosso programa. Não é um partido que está pregando privatização, que defende a abertura do nosso mercado – pelo contrário, ele prega que o nosso mercado seja defendido. Então, nós temos um programa mínimo com o PMDB, mas não temos ponto em comum com o PMDB na reforma política, por exemplo.
Sul21 – Então a reforma política não vai sair. Se as duas principais bancadas não concordam…
José Dirceu – O risco de a reforma política não sair é grande. O Senado aprovou a reforma política da Câmara, então aprovou tudo; do próprio Senado, não aprovou quase nada, a Câmara é que vai ter que aprovar. Então, vamos falar da Câmara, que é o que conta. Ninguém tem maioria na Câmara. Nem para emenda constitucional, que são duas votações de 308 deputados, nem para uma votação simples em determinadas questões. A reforma política, no meu entendimento, é uma demanda que vai se impor. Senão, o sistema vai cair, e vai cair nas ruas. Esse sistema, como existe hoje, vai acabar caindo nas ruas. Porque ele se auto alimenta das emendas, das nomeações. Basta olhar para qualquer campanha para saber que nenhum candidato, nenhum partido tem condições de financiá-la, precisa pedir dinheiro para empresas privadas.
"Prefiro uma votação distrital e em lista, mas acho que a proposta dele (Henrique Fontana) é mais fácil de passar. E o financiamento público, lógico que com a fidelidade partidária" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – O PT é uma minoria programática no Congresso?
José Dirceu – Eu diria que o PT, nessas questões da reforma do Estado e da reforma política, é o partido que está mais próximo dos anseios da sociedade. O problema é que a sociedade quer o objetivo, mas não concorda com o meio, que é o financiamento público; quer o objetivo, mas não concorda com o meio, que é o voto em lista. Isso porque está sendo induzida a acreditar que o financiamento público vai tirar dinheiro do Estado. Eu acredito que o PT está na vanguarda, mas precisa se mobilizar mais, envolver mais a sociedade. Como o movimento do Ficha Limpa abraçou, de certo modo, as bandeiras da reforma política dentro dos princípios que o PT defende, temos alguma chance de criar um movimento da sociedade com relação a isso. Agora, nós podemos também recuar como o deputado Henrique Fontana propôs, de maneira inteligente e correta, no meu entendimento. Vir com uma proposta mediana, que seria uma votação mista, uninominal e em lista. Eu prefiro uma votação distrital e em lista, mas acho que a proposta dele é mais fácil de passar. E o financiamento público, lógico que com a fidelidade partidária.
Sul21 – O senhor falou que, se não mudar esse sistema político, ele vai cair nas ruas. O que o senhor quis dizer com isso?
José Dirceu – Que, um dia, a sociedade vai se rebelar contra esse sistema político, como tem acontecido em todos os países do mundo. Porque é um sistema inócuo.
Sul21 – Há, entre a população, uma descrença com a política e os políticos. Para muita gente, político virou quase sinônimo de ladrão, de criminoso.
José Dirceu – Isso é um erro. E eu sei quem faz isso, quem cria essa imagem. É a grande mídia, que tem como objetivo ter um Poder Legislativo enfraquecido. Não que ela não tenha razão nas denúncias que faz, mas a maneira como ela persiste nisso tem um outro objetivo, que é manter o Legislativo dócil, porque daí ele não fará nunca uma regulação, nunca vai taxar as grandes fortunas e heranças, nunca vai taxar as grandes rendas e as grandes propriedades. Independente da eficiência ou não desses impostos, estou falando mais do ponto de vista ideológico. A agenda da terra é outra que não anda no país. Tem temas que não avançam no Brasil, em parte, por causa da mídia. Além do que, ela quer monopólio, não quer concorrência e não quer ser regulada. Porque ela é um poder político, e quer disputar esse poder político com os partidos e com o parlamento. Eu acho nefasto esse papel que ela exerce, de desqualificar os partidos e a política de modo geral. Por que a mídia não aprova o financiamento público e o voto em lista? Porque isso corta o mal pela raiz. A mídia tem que fazer jornalismo investigativo, tem que exercer seu papel de fiscalização. É verdade que muitas vezes a corrupção vem à tona porque a mídia publica. Não nego nada disso, nem me oponho a que ela faça isso. Não é disso que reclamo, é outro departamento.
"O caixa dois do PT foi transformado no mensalão em uma tentativa de criar uma crise institucional ou de provocar a derrota do Lula em 2006" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – Por mais que haja um discurso “antipolítica” da mídia, a crise do Mensalão em 2005 não contribuiu para criar essa imagem? Como o senhor avalia aqueles acontecimentos? O PT já conseguiu se recuperar de 2005?
José Dirceu – O PT não só se recuperou como é o maior partido nas votações para a Câmara dos Deputados e elegeu três vezes consecutivas o presidente da República. Sem isentar o PT de suas responsabilidades. O caixa dois do PT foi transformado no mensalão em uma tentativa de criar uma crise institucional ou de provocar a derrota do Lula em 2006. Tratou-se de uma disputa política, uma tentativa de deslegitimar o PT e derrubar o presidente Lula. No meu caso particular, fui transformado em alvo principal e passei a ser chefe de quadrilha e corrupto. Eu, que nunca tinha sido investigado na minha vida. Nunca foi provado nada contra mim na Casa Civil, nos 30 meses em que ela esteve sob minha responsabilidade.
Sul21 – Alguns artigos da época diziam que o PT e governo Lula haviam acabado após o mensalão. Esta era a tese geral. Agora o senhor mesmo disse que o governo melhorou. Que condições pós-crise do mensalão fizeram o governo deslanchar?
José Dirceu – O governo tomou decisões de política econômica que deram condições para o PAC e para o crescimento do país. O governo aprendeu com a crise. Fez várias mudanças na relação com os partidos e várias mudanças internas. E o país aprendeu muito com a crise. A sociedade, a imensa maioria dos brasileiros, se deu conta do que o que estava em jogo não era o problema de caixa 2. O que estava em jogo era o governo do Lula, o rumo do país. Se não, o Lula não teria sido reeleito. Qual é o presidente que suportou uma campanha como o PT e o Lula suportaram entre 2005 e 2007? Ainda reelegeu sua sucessora, o que era mais difícil que eleger o Lula. É mais PT, mais projeto político, apesar do peso da liderança do Lula na eleição.
Sul21 – Há quem diga que o senhor acumulou funções demais na Casa Civil.
José Dirceu – Tanto acumulei que em outubro de 2003 eu pedi para separar e em fevereiro de 2004 o presidente Lula separou. Mas eu acumulei não porque eu queria, e sim porque era uma necessidade do país e do governo naquele momento. Tanto é que deu certo, fizemos o programa de reformas que tínhamos que fazer no Congresso Nacional e reorganizamos o governo. A Casa Civil, que eu exerci durante 30 meses, não foi um fracasso. A chamada crise do mensalão é outra coisa, que me atingiu e não deveria ter me atingido. Aquela CPI era dos Correios, a outra CPI sobre o mensalão não chegou a analisar o mensalão, e a CPI dos Bingos, que depois virou a CPI do Fim do Mundo, eu nem sou citado no relatório final. A Polícia Federal não me denunciou, e ninguém lembra disso. O procurador-geral da República me denunciou antes da Polícia Federal e antes da conclusão da CPI. Evidentemente que uma denúncia assim é parte de um movimento político, não tenho dúvidas sobre isso.
"O meu papel é o mesmo papel de dezenas de lideranças e dirigentes do PT. Eu nem sou membro da executiva nacional. Minha prioridade é o meu julgamento no STF, que eu quero que aconteça o mais cedo possível" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – Houve notícias nos últimos dias de que o senhor teria ido a Brasília para ajudar a apagar incêndios. Como é que está sendo sua participação atualmente?
José Dirceu – Eu sou da direção nacional do PT, sou blogueiro, sou militante do PT e participo de articulações políticas. Procuro ajudar o governo e o PT. Mas não tenho essa importância, esse papel que querem dar a mim. Felizmente, né? Porque isso significa que tem outros quadros fazendo o que precisa ser feito. Temos líderes, temos direção, temos ministros que conduzem a política. O meu papel é o mesmo papel de dezenas de lideranças e dirigentes do PT. Eu nem sou membro da executiva nacional. Minha prioridade é o meu julgamento no STF, que eu quero que aconteça o mais cedo possível.
Sul21 – O que o senhor está fazendo hoje?
José Dirceu – Sou advogado, tenho atuado como consultor e sou militante do PT. Em dois terços do meu tempo eu estou me defendendo ou fazendo política, no resto do tempo estou trabalhando, como consultor e advogado.
Sul21 – O senhor foi uma pessoa importante na construção da candidatura de Lula, enfrentando até alguns setores dentro do PT. Como foi essa trajetória do PT até a Carta aos Brasileiros?
José Dirceu – Isso começa entre 1981 e 1983, entre o PT se legalizar ou não. Havia um debate sobre a possibilidade do PT não se legalizar, se o PT era um partido ou uma frente, um partido tático ou estratégico, um partido de quadro ou de massa, se o PT ia desenvolver programas de governo ou não, se ia tomar o poder e aplicar um programa revolucionário. Depois há um interregno, a partir de 1991, quando nós perdemos a maioria no PT e eu me afasto da direção nacional. Quando eu me torno deputado federal, eu tomo a decisão de me afastar da secretaria-geral, tento ser líder de bancada, que eu perco, e tento ser candidato a governador, que eu perco também. E eu vou advogar, monto um escritório de advocacia. O resultado da campanha de 1992 foi um choque, nos demos conta de como nosso discurso estava errado. Tanto que a campanha do Suplicy já é, pela primeira vez, para o bem e para o mal, o primeiro uso do marketing eleitoral no Brasil. Digo para o bem ou para o mal porque há muitas deformações, muitas vezes o marketing acaba substituindo a política, o profissionalismo substitui a militância e tudo o mais. Quando chega em 1995, o Lula me chama para conversar e me pergunta se eu queria voltar para a direção do PT. Eu digo “olha, posso voltar, mas eu estou organizando a minha vida, quero ser candidato a prefeito de São Paulo”. E eu reforcei que a Articulação não ganhava aquele congresso (do PT), que eu ia para o sacrifício, mas eu aceitava, já que ele queria e precisava de um candidato. Achava que não ganharíamos, mas nós ganhamos. Na primeira entrevista que eu dei depois do congresso, eu disse: “São três coisas. O PT vai assumir que é governo”, porque o PT fazia oposição a seus próprios governos; “o PT vai se abrir para a sociedade”, porque o PT estava fechado; “e o PT vai fazer alianças. O PT vai virar uma instituição”. E eu comecei a trabalhar para isso, projetando a eleição de 1998. E nós perdemos a eleição de 1998, por uma série de razões. De 1999 para 2002, consolidamos o que vínhamos aplicando desde 1987, que era transformar o PT em um partido que fizesse alianças, que tivesse um programa para o Brasil de 2002, para os problemas brasileiros e do mundo em 2002, e que o PT se comportasse como uma instituição política. E ganhamos a eleição. A Carta ao Povo Brasileiro… Eu diria que ela era quase desnecessária. Mas foi uma espécie de seguro, para o caso de acontecer uma campanha de terrorismo contra nós e nós perdermos a eleição por uma incompreensão do nosso discurso.
Sul21 – Mas ela inverte a tendência de revoluções dos congressos do PT.
José Dirceu – Mas o governo não inverteu. Porque o governo teve que fazer o ajuste fiscal que era necessário, ficou conservador por excesso na política econômica, depois retomou o caminho. Depois da reeleição do Lula, retoma o caminho.
"O Rio Grande do Sul é uma porta para o Mercosul. Eu conversei com o governador Tarso Genro sobre isso, acho que o RS tem que assumir a vanguarda" | Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini
Sul21 – Estamos, aqui no Rio Grande do Sul, do lado da Argentina e do Uruguai. Como o senhor analisa essa posição estratégica, e a atuação do governo Tarso dentro dessa conjuntura?
José Dirceu – É natural que o Brasil e a América do Sul se integrem. Em energia, em telecomunicações, em estrutura, transporte ferroviário e rodoviário. Que haja um mercado comum, mais ou menos livre, e que haja instituições comuns quanto à legislação ambiental, trabalhista, social, câmaras de arbitragem, parlamentos, governos. Que esses países se articulem de forma conjunta, como estão fazendo agora, com a crise internacional. E acho que o Brasil é o maior beneficiado com isso, porque o Brasil está se transformando em um exportador de capital, tecnologia e serviços para a América do Sul. Não é só comércio, é bem mais do que isso. Depois, nós temos uma integração política e cultural. Acho que tudo isso é fundamental e que o Rio Grande do Sul tem que ocupar seu lugar, porque o Rio Grande do Sul é uma porta para o Mercosul e é o estado brasileiro mais próximo da cultura e da história américo-espanhola. Eu conversei com o governador Tarso Genro sobre isso, acho que o Rio Grande do Sul tem que assumir a vanguarda. Em relação ao governo do Tarso, eu faço uma excelente avaliação. Em primeiro lugar, a vitória dele em primeiro turno é um fato histórico. Em segundo lugar, o PT retomar o governo com uma vitória em primeiro turno não deixa de ser uma confirmação da nossa política de alianças. Por um caminho que não pode ter sido igual (ao do governo Lula), mas é. Terceiro lugar, é uma aliança política que pode superar a crise fiscal que o estado vive e, ao mesmo tempo, atender as demandas populares. É uma aliança popular e empresarial sólida, tem capacidade de pensar o estado com relação a políticas sociais também. Eu acredito que o Rio Grande do Sul tem um potencial fantástico, e que o Tarso tem liderança e capacidade para enfrentar isso. É um momento difícil, porque o estado depende de indústrias que estão sob a concorrência direta externa, por causa do câmbio e tudo isso. E acho que a solução da crise fiscal do estado é possível. Tem que negociar com o governo federal uma série de questões que o estado tem pendentes…
Sul21 – Dá para renegociar a dívida?
José Dirceu – Acho que sim. A dívida é uma questão que eu entendo que tem que abater o juro pela metade, reduzir e trocar o indicador, que é o IGPM, para INPC. Mas isso depende inevitavelmente de um acordo com os governadores e do Congresso aprovar. Não pode pedir para a presidenta fazer isso, tem que discutir no Congresso. O Rio Grande do Sul não é um estado que dependa tanto disso, porque é um estado industrial-agrícola, forte, organizado… Tem estados brasileiros que não aguentam pagar 17% da receita líquida em serviços da dívida interna, isso arruína o estado, inviabiliza. Renegociando a dívida, os estados vão crescer mais e investir mais. Com isso, arrecadação estadual e federal vai crescer e o que for abatido dos 17% vai voltar em crescimento da arrecadação da União. Não sei a posição do governador, estou falando da minha opinião. Mas os investimentos vão crescer muito no RS, a economia do RS tem dinamismo para encarar. Talvez seja o momento de olhar mais para a América do Sul. Os governos têm que tomar a frente da integração, por isso que eu defendo uma postura mais pró-ativa. O Lula, na verdade, é visionário porque ele praticamente consolidou a ideia política da integração. O Brasil, como é o maior país, tem que ser generoso, tolerante e fazer concessões. Não adianta, até porque custa mais caro para nós não fazer. E o Brasil é interessado nisso.
"O PT tem que ter um nome, mas também abertura para fazer uma aliança se concluir que é a melhor decisão" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – E as eleições de 2012 em Porto Alegre? O PT estuda apresentar candidato próprio, mas pode também fazer uma aliança com Manuela D’Ávila ou mesmo com José Fortunati. O que o senhor pensa sobre isso?
José Dirceu – Acho que o PT tem que apresentar candidato, como o PSB e o PCdoB vão apresentar. Pelo menos, é o que eu sinto. O PDT tem um candidato, e o PMDB vai apoiar esse candidato. A tendência é essa. Então, existe depois uma disputa um pouco de outros partidos, como o PP e PTB. Quem vai ser o candidato? Isso nós podemos negociar. A tendência do PT é sempre ter candidatura própria. Tem que analisar o quadro nacional, o quadro aqui, o segundo turno… Eu não tenho nenhum preconceito em apoiar uma candidata como a Manuela, desde que seja do interesse da nossa política aqui no estado, da nossa política nacional e tudo o mais. Mas quem tem que decidir é o PT de Porto Alegre, são os filiados, a prévia. Candidatos nós temos, não é por falta de candidato. Tem que analisar as variantes. Quem vai ser, o tempo dirá, mas acho que o PT tem que ter um nome, que não podemos deixar de ter um nome, mas também abertura para fazer uma aliança se concluir que é a melhor decisão. E aí o PT daqui tem maturidade e experiência. Não sou eu que vou pretender falar para um partido que ganhou a eleição estadual em primeiro turno o que deve ser feito.

Portal Contrainjerencia é sabotado após divulgar lista de terroristas asilados nos EUA

via CONTRAINJERENCIA
Ileana Ros-Lehtinen, congresista
y "Presidenta de honor" del
Fondo de defensa del
terrorista Luis Posada Carriles

“Contrainjerencia.com ha sido víctima de un sabotaje ayer por la mañana, justo después de la amplia publicación, con referencia al sitio, de una lista de terroristas refugiados en EEUU. Estamos tratando de restablecer el funcionamiento” informa  un portavoz del sitio.

“Lo que confirma el trabajo de un hacker es que en la base de datos se atacó precisamente el “Fichero” que reúne las identidades y las foto de unos sesenta delincuentes prófugos, todos vinculados a EEUU de una forma u otra. Se trata de una penetración hecha por “profresionales” del “hacking” cuyo origén no hace duda”, precisó.

“EEUU está constantemente atacando a Cuba y Venezuela sobre el tema del “terrorismo” cuando el Departamento de Estado hospeda descadaradamente en su territorio asesinos, torturadores, y terroristas no solo de América Latina sino del mundo entero”, indicó.

El vocero confirma que “Contrainjerencia.com es un sitio web latinoamericano, con colaboradores en todo el continente, que se dedica a denunciar las intervenciones extranjeras que violan la soberanía de las naciones de América Latina”, un medio participativo que vela por la potestad de los pueblos a elegir independientemente su futuro contra las armas de invasión norteamericanas.
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ESTADOS UNIDOS DA ASILO EN SU TERRITORIO
A DECENAS DE TERRORISTAS Y PRÓFUGOS

JEAN-GUY ALLARD – Promotor de una llamada “lista de países patrocinadores del terrorismo” que tiene como real propósito de denigrar a países que rechazan sus políticas de dominio, Estados Unidos da asilo a decenas de terroristas, prófugos y estafadores de todos tipos reclamados por distinto países de América Latina.
El sitio web contrainjerencia.com ha establecido, desde principios del año, una lista de los fugitivos más conocidos. Son unos sesenta los delincuentes que identificó como prófugos latinoamericanosradicados en territorio estadounidense, la mayoría de ellos con pasado terrorista.

Con la comunidad cubanoamericana de Miami, el “Fichero” tuvo que limitarse a los más “famosos” de los terroristas y sicarios. La caída del régimen de Fulgencio Batista, sostenido por Washington, marco la llegada al sur de la Florida de miles de cómplices de la dictadura que la CIA luego reclutó para las operaciones terroristas que ejecutó y encubrió contra la revolución cubana.

Varios cómplices de accciones terroristas ocurridas en Venezuela, en los últimos años, han encontrado en EEUU un asilo seguro tal como varios de los autores de la conspiración asesina de Santa Cruz, Bolivia.

Entre otros individuos que promovieron el uso del terror en distintos países del continente y que hoy radican en Estados Unidos con el conocimiento y la aprobación del Departamento de Estado,contrainjerencia.com identifica los siguientes personajes (por orden de inscripción):

- Alejandro Melgar, cabecilla de la conspiración de Santa cruz, este negociante boliviano, radicado en EEUU con la entera complicidad de las autoridades migratorias.

- Angel de Fana Serrano, participó en 1997, en Isla Margarita, a un complot para asesinar al lider cubano Fidel Castro durante la durante la Cumbre Iberoamericana. Socio de Luis Posada Carriles. De Fana conspiró también para asesinar al presidente Chavez.

- Armando Valladares, cómplice del intento de magnicidio de Santa Cruz, Bolivia, y de varios actos terroristas,fue preso en Cuba por poner bombas en tiendas y retomo su trabajo con la CIA desde su salida de la isla.

-  Carlos Alberto Montaner, vive desde varias decadas de sus prestaciones contra Cuba. Prófugo de la justicia cubana por poner bombas en tiendas y cines en 1960, fue miembro de la red terrorista de Orlando Bosch. Tiene residencias en EEUU y España.

- Gaspar Jiménez. asesino del diplomatico cubano Dartagnan Díaz Díaz, cómplice de Luis Posada Carriles y condenado por terrorismo en Panamá. radicado en Miami con protección del FBI.

-  Guillermo Novo Sampoll, terrorista,cómplice del asesinato del ex ministro chileno Orlando Letelier, torturador del plan Cóndor, asesino de dos diplomáticos cubanos en Argentina, cómplice de Luis Posada Carriles y condenado por terrorismo en Panamá. Radicado en Miami.

-  Huber Matos,traidor cubano conocido por haber dirigido acciones terroristas. Sus lazos con el mundo del narcotráfico centroamericano son tan conocidos como los de su hijo, refugiado en Costa Rica. Radicado en Miami.

-  Hugo Acha Melgar, financista de la pandilla terrorista conformada por neonazis hungaros y croatas que intentaron asesinar al presidente boliviano Evo Morales en 2009 en el complot de Santa Cruz. Radicado en EEUU.

-  Joaquim Chaffardet, ex directivo de la policía secreta venezolana, vinculado al terrorista internacional Luis Posada Carriles. fue formado por los servicios de inteligencia de EEUU en la Escuela de las Americas (SOA). radicado en EEUU.

-  Jose Antonio Colina Pulido, responsable de atentados con bombas contra oficinas diplomáticas de España y Colombia en Caracas en 2003. Radicado en Miami con varios complices.

-  Nelson Mezerhane, financista estafador, accionista de Globovision,aparece entre los principales sospechosos del asesinato del fiscal Danilo Anderson. Desapareció de Caracas robándose siete millones de dolares. Radicado en EEUU.

- Patricia Poleo, cómplice del asesinato del fiscal venezolano Danilo Anderson. Se encuentra detrás de distintas operaciones CIA realizadas con lala embajada norteamericana de Caracas contra la revolución bolivariana. Radicada en Miami.

-  Pedro Remón, sicario de la CIA, asesino de Félix García Rodríguez y Eulalio Negrin, en Nueva York; cómplice de Luís Posada Carriles, condenado por terrorismo en Panamá. Radicado en Miami con protección del FBI.

-  Luís Posada Carriles, agente de la CIA y terrorista internacional. Tiene un interminable historial de crímenes. Reclamado por Venezuela por los 73 homicidios del avión cubano destruido en pleno vuelo. Radicado en Miami.

- Reinol Rodríguez, asociado a Luís Posada Carriles: cómplice del asesinato en Puerto Rico de Carlos Muñiz Varela. Actual jefe militar del grupo terrorista Alpha 66, tolerado por el FBI. Radicadoen Miami.

- Roberto Martín Pérez, hijo de uno de los mas famosos esbirros de la dictadura de Batista, ex jefe del Comité paramilitar de la Fundación Nacional Cubanoamericana (FNCA).

-  Raúl Díaz, condenado por ataques con explosivo C4 a dos embajadas en Caracas, ocurridos en el 2003. Radicado en Miami.

- Carlos Yacaman, hondureño, asesino del ex ministro de vivienda de la administración Zelaya, Roland Valenzuela. Se encuentra en miami.

- Branko Marinkovic, lider opositor boliviano de Santa Cruz, principal financista y cómplice de la banda terrorista desarticulada en 2009. Marinkovic entrego 200 mil dólares a los terroristas para la compra de armas. Vive en Miami.

-  José Guillermo García, general salvadoreño, ex ministro de defensa, torturador y responsable del asesinato de cuatro monjas norteamericanas. Asilado en EEUU.

- Carlos Vides Casanova, ex jefe de la guardia nacional de El Salvador, torturador y responsable del asesinato de cuatro monjas norteamericanas. Asilado en EEUU.

-  Michael Townley, oficial de la policía secreta de Pinochet, cómplice del asesinato del ex canciller chileno Orlando Letelier. Radicado en Miami.

-  Santiago Álvarez Fernández Magriña, terrorista y traficante de armas cubanoamericano, cómplice de Posada Carriles. Radicado en Miami.

- Osvaldo Mitat, terrorista y traficante de armas cubano, cómplice de Posada Carriles.Radicado en Miami.

-  Hector Alfonso Ruiz alias Héctor Fabian, terrorista cubano, coloco bombas en sedes diplomáticas, asociado a Posada Carriles, radicado en Miami.

- Ramón Saúl Sánchez, sicario de Omega 7, cómplice de Eduardo Arocena y Pedro Remón. Radicado en Miami.

-  Rodolfo Frómeta, terrorista cubano, jefe de comandos F4, autor confeso de acciones terroristas contra Cuba, radicado en Miami.

- Roberto Guillermo Bravo, militar argentino, responsable de la masacre de Trelew que costó la vida a 16 jovenes revolucionarios; vive en Miami.

-  Virgilio Paz Romero, cómplice del asesinato del canciller chileno Orlando Letelier y su colaboradora Ronni Moffitt, indultado por George W. Bush, Radicado en Miami.

-  José Dionisio Suárez Esquivel alias Charco de Sangre,cómplice del asesinato del canciller chileno Orlando Letelier y su colaboradora Ronni Moffitt, liberado por George W. Bush. Radicado en Miami.

- Félix Rodríguez Mendigutía alias El Gato, agente CIA, ordenó el asesinato de Ernesto Che Guevara, cómplice de Posada Carriles en base salvadoreña de Ilopango en trafico armas contra cocaína. Radicado en Miami.

-  Salvador Romani, presidente de la terrorista Junta Patriótica cubana en Venezuela, asaltante de la embajada cubana en Caracas, cómplice del asesinato del fiscal Anderson. Radicado en Miami.

- Johan Peña, ex comisario de la DISIP venezolana, colocó la bomba que mató al fiscal Anderson. Vive en Miami.

-  Jaime García Covarrubias, ex jefe represor de Pinochet, acusado de torturas y asesinatos, hoy profesor en academia del Pentagono, en Washington, EEUU.

-  José Basulto, terrorista cubanoamericano, agente de la CIA, jefe de Hermanos al Rescate, y autor de provocaciones asesinas. Vive en Miami.

- Inocente Orlando Montano, coronel salvadoreño reclamado por justicia española por asesinato de jesuitas. asilado en EEUU.

-  José Guevara, ex agente de la DISIP venezolana. Participó desde Miami en el complot para asesinar fiscal venezolano Danilo Anderson. asilado en EEUU bajo proteccion del FBI.

En Miami, ndecenas organizaciones cubanoamericanas vinculadas al terrorismo siguen activas aunque el FBI conoce perfectamente su relación con actividades violentas. Los grupos terroristas Alpha 66 y Comandos F4 predican abiertamente el uso del terror contra Cuba mientras las actividades de apoyo a acciones terroristas de directivos de la FNCA y del Cuban Liberty Council ha sido denunciadas públicamente en distintas oportunidades.

Nada sorprende a nadie en esta materia en el estado del representante Connie Mack quién sugirió el asesinato del presidente venezolano Hugo Chávez, y de su colega Ileana Ros-Lehtinen quién propuso en una entrevista con la televisión británica la eliminación física del líder cubano Fidel Castro.

Ros-Lehtinen es Presidente honorario del Fondo de defensa del terrorista Luis Posada Carriles. Su colega del Senado, Robert “Bob” Menéndez se reunió el último 17 de mayo con Luis Posada Carriles, en un restaurante de West New York, para celebrar su indulto por un tribunal tejano.

Frei Betto: Ética e Amorosidade

via Correio do Brasil

Ao longo da história, normas de conduta ética derivaram das religiões.Deuses e seus oráculos prescreviam aos humanos o certo e o errado, o bem e o mal. Forjou-se o conceito de pecado, tudo aquilo que contraria a vontade divina. E injetou-se no coração e na consciência dos humanos o sentimento de culpa.
Deuses
Cada comunidade deveria indagar aos céus que procedimento convinha, e acatar as normas éticas ditadas pelos deuses. Sócrates (469-399 a.C.) também fitou o rumo do Olimpo à espera dos ditames éticos das divindades que ali habitavam. Em vão. O Olimpo grego era uma zorra. Ali imperava completa devassidão.
Foi a sorte da razão. E o azar de Sócrates; por buscar fundamentos éticos na razão foi acusado de herege e condenado à morte por envenenamento.
Apesar da herança filosófica socrática contida nas obras de Platão e Aristóteles, no Ocidente a hegemonia cristã ancorou a ética no conceito de pecado.
Com o prenúncio da falência da modernidade e a exacerbação da razão, o Ocidente, a partir do século 19, relativizou a noção de pecado. Inclusive entre cristãos, bafejados por uma ideia menos juridicista de Deus e mais amorosa e misericordiosa.
Estamos hoje na terceira margem do rio… Deixamos a margem em que predominava o pecado e ainda não atingimos a da ética. Nesse limbo, grassa a mais deslavada corrupção. O homem se faz lobo do homem.
Urge chegar, o quanto antes, à outra margem do rio. Daí tanta insistência no tema da ética. Empresas criam códigos de ética, governos instituem comissões de ética pública, escolas promovem debates sobre o assunto.
Basta olhar em volta para perceber a deterioração ética da sociedade: o presidente galardeado com o Nobel da Paz promove guerras; crianças praticam bullying nas escolas; estudantes agridem e até assassinam professores; políticos se apropriam descaradamente de recursos públicos; produções de entretenimento para cinema e TV banalizam o sexo e a violência.
Já que não se pode esperar ética de todos os políticos ou ética na política, é preciso instaurar a ética da política. Introduzir na reforma política mecanismos, como a Ficha Limpa, que impeçam corruptos e bandidos de se apresentarem como candidatos. Estabelecer mecanismos de rigoroso controle e eventual punição (como a revogação de mandatos) de todos que ocupam o poder público, de tal modo que os corruptos em potencial se sintam inibidos frente à ausência de impunidade.
“Tudo posso, mas nem tudo me convém”, escreveu o apóstolo Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (6, 12). Este parâmetro sinaliza que a ética implica tolerância, respeito aos valores do outro, evitar causar desconfortos na convivência social.
O fundamento da ética é o amor. Era nele que Paulo “tudo podia”. “Ama e faze o que quiseres”, disse Santo Agostinho três séculos depois do apóstolo.
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Veríssimo e Cristovam Buarque, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros. http://www.freibetto.org/twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br).

24.8.11

E enquanto isso, na Colômbia…



Paramilitares mandam e desmandam em cidades da costa pacífica, cobrando taxas a quem quiser comercializar de bananas a ovos e frango
Virou privilégio comer um Patacón Pisao, um bolinho típico colombiano feito com bananas da terra, na cidade de Boaventura, ou em qualquer uma das praias do Pacífico do Vale de Cauca, no leste da Colômbia.
Nas praias de Juanchaco ou de Ladrilleros – que hoje estão lotadas de turistas por conta da visita das baleias –, esse quitute é praticamente impossível de encontrar.
Quando um turista insiste, os proprietários dos hotéis e restaurantes oferecem outro tipo de banana, uma espécie costeira que no interior é chamada de popocho e que não é consumida nesta região.
A razão para a escassez desse produto de primeira necessidade para os moradores é o preço. Nos mercados e nas lojas de Boaventura, a banana da terra, ou plátano, está muito cara. E os que causaram tal aumento de preço são os integrantes do chamado “cartel do plátano”.
As sobretaxas
Cada vez que um caminhão de alimentos chega a Boaventura, um grupo de homens armados faz o controle da entrada.
Não se trata apenas do plátano, mas eles restringem também a entrada de leite, ovos, queijo, frango, e, às vezes, carne.
Nem todos os produtos entram no porto, e nem todos os comerciantes têm acesso às mercadorias que chegam. Os “selecionados” têm que pagar um imposto ilegal para receber os produtos.
Pior: depois que as mercadorias passam pelo primeiro estabelecimento, chegam aos mercados, ou às lojas de bairros, onde os vendedores têm que pagar uma segunda sobretaxa. Os donos dos negócios pagam para poder vender e para ter a “segurança” que os membros do cartel “oferecem”.
Para escapar dos impostos e também das sobretaxas dos grupos criminosos, alguns caminhoneiros preferem evitar ir até o porto, e vendem seus produtos antes de entrar na area urbana, a preços mais baixos.
Um distribuidor varejista contatado pelo Silla Vacía, parceiro da Pública, usa uma forma ainda mais rudimentar de fugir da cobrança. Cada vez que chega um pedido de plátano, ele os divide em pequenos pacotes, que envolve em trapos e toalhas brancas, camuflando-os junto com o resto da mercadoria como se fossem pacotes de farinha.
É a única forma que ele achou para que o plátano chegue aos mercados com um preço acessível.
Só que esse tipo de subterfúgio é feito às escondidas, ou então os comerciantes poderiam receber algum tipo de retaliação ou até serem assassinados.
O Silla Vacía visitou quatro mercados na cidade de Biaventura: Bellavista, Juan XIII, Matía Mulumba e Pueblo Nuevo. Em nenhum deles encontrou um preço bom de plátano. No principal, de Pueblo Nuevo, apenas dois vendedores tinham plátano da região chamada Eje Cafetero (na região norte da Colômbia). E o que havia era pouco e de má qualidade.
“Aqui nesta região, que supostamente é a região natural do plátano não podemos nem sentir o cheiro”, diz o dono de um restaurante em La Bocarra, resignado a comer apenas a espécie costeira não tradicional.
O que o povo comenta é que só pode comercializar essa banana por ordem de “Los Urbaneños”, um bando de criminosos que chegou há alguns meses, vindo do norte do país.
A presença dos “Urbaneños” na região confirma um relatório da Procuradoria de Justiça, que alertou as autoridades colombianas sobre a entrada do bando para disputar as rotas de tráfico de drogas com o grupo paramilitar Rastrojos.
Aparentemente, o grupo surgiu pelas mãos do narcotraficante Victor Patiño Fómeque, que foi libertado há pouco tempo da prisão nos EUA, quando foi extraditado em dezembro de 2002.
Já está livre e, segundo informações oficiais, voltou ao Valle Del Cauca para recuperar as rotas de tráfico no Pacífico.
No entanto, a informação não foi confirmada oficialmente. Mas o que La Silla Vacía apurou é que os paramilitares que antes viviam do dinheiro do narcotráfico estão vivendo dos “impostos” que impõem aos alimentos.
Regime de terror
Um investigador da Defensoria em Boaventura contou à SillaVacía que a cobrança de sobretaxas nos alimentos da cesta familiar não é uma novidade no porto e, por isso, as pessoas a veem como algo natural, ainda que não assumam em voz alta.
A cobrança desse imposto aos vendedores atacadistas e varejistas foi uma forma de financiamento e controle que o grupo armado Bloque Pacífico utilizou em sua autodefesa a partir de 2003 até ser desmobilizado em 2005. Desta forma, os paramilitares não só se financiavam mas também mantinham controle sobre quem entrava no porto.
Jamais houve nenhuma denúncia ou investigação oficial, embora o tema sempre tenha constado nos relatórios de risco feitos pelas autoridades. Hoje em dia a situação não é muito diferente. Afinal, as vítimas não denúnciam as extorsões.
Entretanto, há menos de dois meses os comerciantes de Boaventura enviaram uma carta ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos, expressando preocupação pela deterioração da ordem pública e pedindo ações para que em “nosso território não volte a reinar o regime do terror”.
Apenas em junho, a pequena Boaventura testemunhou cinco atentados com explosivos na zona urbana, duas perseguições contra a força policial na zona rural e dois caminhões que foram tombados e queimados em uma via pública que liga a cidade ao resto do país.
Em julho, registraram-se 31 homícidios em Boaventura. Embora expressivo, esse número era ainda maior há dez anos – o que serve de argumento para qua autoridades afrouxem o nível de segurança. Porém, enquanto baixaram os índices de homicídio, aumentaram os desaparecidos e as ameaças a líderes sociais.
Investigadores da Promotoria acreditam que houve uma reorganização dos grupos armados depois da desmobilização paramilitar promovida pelo governo de Álvaro Uribe – e que em Boaventura foi incompleta permitindo que muitos homens vulneráveis voltassem às fileiras armadas. Foram os militares que rearmaram os bandos criminosos e também às FARC.
Além de “Los Urbaneños”, os informes de segurança também apontam o grupo de criminosos “Los Rastrojos” que controlam muitas rotas de narcotráfico, mas que não têm presença física no porto.
Pelos bairros circulou há menos de um mês um panfleto assinado pelo grupo chamado “Águias Negras”, no qual ameaçavam de morte um grupo de pessoas. Às FARC também voltaram a entrar na área urbana o que gerou novos enfrentamentos nos bairros.
A Defensoria documentou quatro conflitos nas duas últimas semanas, e relatos dizem que foi a guerrilha é que entrou no bairro. Na última reunião do Comitê de Direitos Humanos a polícia disse se tratar de  redes narcotraficantes que apoiam as guerrilhas.
No vilarejo há ainda o rumor de que em 4 de agosto deste ano, depois do último enfrentamento, a guerrilha e os paramilitares fizeram um pacto de cavalheiros: nenhuma agressão por parte de ambos até que passem as eleições. Em outubro, os colombianos irão eleger prefeitos, governadores, deputados estaduais e vereadores.
De fato, desde o dia 4 não se tem registrados homicídios; isso faz com que o rumor tenha mais credibilidade. Segundo os locais, as autoridades reforçam a tese de que não há com que se preocupar.
Políticos também pagam
A Missão de Observação Eleitoral alertou sobre a difícil situação da ordem pública na região de Bajamar, no Valle Del Cauca, originada pela presença de vários atores armados na região.
Ali estão presentes às FARC, que estão tentando recuperar o território; os paramilitares que retomaram as armas; os narcotraficantes que controlam as rotas de tráfico; e os bandos criminosos que também participam do negócio das drogas.
Apesar da situação dramática, os políticos que estão fazendo campanha para as eleições de outubro em Boaventura não falam de segurança em seus discursos. Em um debate que se realizou há algumas semanas em uma emissora local, nenhum candidato aceitou responder as inquietudes que os jornalistas tinham sobre segurança pública.
Responderam que esse tema corresponde ao governo nacional e não ao local, já que desde 2006 funciona na região um Comando Especial da Polícia que se comunica diretamente com o general Óscar Naranjo, comandante da polícia nacional. É frequente também as autoridades negarem que a região esteja sob o controle de grupos ilegais.
No entanto, há denúncias de que em alguns bairros de Boaventura os candidatos têm que pedir permissão aos paramilitares para fazer campanha. Em alguns setores fazer campanha tornou-se caro porque eles também têm que pagar sobretaxas para poder entrar.
No dia 6 de agosto, o ministro da Defesa Rodrigo Rivera esteve no Valle, na cidade de Ronaldillo, e ouviu todas essas queixas durante uma reunião. Agora, só resta aos habitantes e comerciantes esperar que sejam ouvidos – e que algo seja feito.
Tradução de Rodrigo Aron. Clique aqui para ler a reportagem original, em espanhol.

Estou com medo: Kátia Abreu defende pauta do MST, depois de encontro com Dilma Rousseff

Qual será a parte da história que eu perdi?
via Agência Brasil
"A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) disse hoje (23) que as reivindicações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina são justas, após se reunir com a presidenta Dilma Rousseff. Eles estão mobilizados nesta semana em 20 estados e no Distrito Federal pedindo solução para o endividamento de assentamentos e o assentamento de mais de 60 mil famílias hoje acampadas em todo país.

"Gente, as dívidas são reais", disse a senadora que deve ingressar no futuro partido PSD, que se declara "independente" no Congresso Nacional.
Ao comentar a necessidade de uma política agrícola capaz de não penalizar os produtores, assunto tratado na reunião com a presidenta, Kátia Abreu chegou a pregar a "união" em meio às dificuldades.
"É preciso se unir na dificuldade e encontrar um modelo para cada tipo de agricultor no Brasil", disse a senadora, recebida por Dilma Rousseff e pelo ministro da Agricultura Mendes Ribeiro, em sua primeira agenda de trabalho com Dilma.
A senadora disse que a política agrícola precisa ser inclusiva. "Somente 10% dos agricultores brasileiros fazem parte do chamado agronegócio. É preciso aumentar esse número. Existe um número muito grande de agricultores no país com uma renda muito baixa".
No encontro com Dilma, Kátia assumiu o compromisso de não se opor ao governo na votação do Código Florestal no Senado, pauta polêmica que divide ambientalistas e ruralistas.
"Nós estamos dispostos a conversar para construir um consenso, que fique bom para os ambientalistas e para o pessoal do agronegócio", comentou a senadora que também disse não saber sobre a ocupação de prédios públicos promovida hoje pelo MST em todo país, inclusive, no prédio do Ministério da Fazenda.
"Eu não sabia que tinham invadido o ministério, vocês estão me contando agora. Ela [presidente Dilma] não comentou nada", disse a senadora."

23.8.11

Memorial a vítima da ditadura será inaugurado em Porto Alegre

via Sul 21

Um memorial em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos da ditadura será inaugurado na próxima sexta-feira (26), às 15h, em Porto Alegre. A obra homenageia o sargento Manoel Raimundo Soares, um dos fundadores do “Movimento dos Sargentos”, que lutava por direitos sindicais e democráticos. Imediatamente após o golpe militar de abril de 1964, Manoel Raimundo Soares preso e, em junho, expulso do Exército. Solto, engajou-se na luta contra a ditadura e passou a residir no Rio Grande do Sul, vindo de Campo Grande, atual Mato Grosso do Sul, para onde fora transferido após pena disciplinar.

Este será o 27º memorial instalado em cidades brasileiras dentro do projeto Direito à Memória e à Verdade. De autoria de Cristina Pozzobom, o memorial será instalado na Av. Beira-Rio (Edivaldo Pereira Paiva), Parque Marinha do Brasil, nas proximidades da pista de skate.

A iniciativa é da Secretária dos Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com a ALICE (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação), Prefeitura de Porto Alegre, Assembleia Legislativa e Movimento de Justiça e Direitos Humanos.
O Projeto Direito à Memória e à Verdade tem o objetivo de resgatar a história recente do Brasil, e contará com a presença da ministra Maria do Rosário, do ministro José Eduardo Cardozo, do governador Tarso Genro e do prefeito de Porto Alegre, José Fortunati na solenidade de inauguração do memorial.

Morte de Sargento ficou conhecido como “Caso das Mãos Armarradas”

No dia 11 de março de 1966, Manoel foi preso, em frente ao auditório Araújo Viana, entregando panfletos contra a visita do presidente Castelo Branco a Porto Alegre. Depois de ser levado à sede da Polícia do Exército, ao Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), na Avenida João Pessoa, foi encaminhado para a ilha-presídio existente no Rio Guaíba. Em 13 de agosto de 1966 foi levado ao DOPS, para novo interrogatório. Seus algozes o transportaram, na mesma noite, em um jipe do Exército, até ao rio Jacuí, para ser submetido à tortura do afogamento.

Seu corpo foi encontrado boiando no Jacuí em 24 de agosto de 1966, com as mãos e os pés atados às costas (seu assassinato ficou conhecido como o “Caso das Mãos Amarradas”). Apesar dos depoimentos que comprovavam o crime cometido, colhidos pelo Ministério Público Estadual e por uma CPI da Assembleia Legislativa, os responsáveis pela sua morte permaneceram impunes.

Com informações do blog RS URGENTE