28.11.11

Beth Carvalho: "A CIA quer acabar com o samba"

via Último Segundo IG


Foto: George Magaraia
Beth Carvalho, 65 anos, no hall de entrada de sua casa
Ao abrir o elevador, ainda no hall de entrada do apartamento, um quadro com a foto de Che Guevara. Não há dúvidas. Ali é o andar de Beth Carvalho. Ela surge na sala, amparada por duas muletas, que logo deixa de lado para posar para as fotos. “Nunca vi coisa para cair mais do que muletas. Estas meninas caem toda hora”, diz, bem-humorada.
Ainda se recuperando de uma fissura no sacro (osso do final da coluna), aos 65 anos, Beth anda com dificuldades. Ficou dois anos sem pôr os pés no chão. “Estou ótima, salva! Os médicos comentaram com minha filha que eu poderia não andar mais. Mas não me abati. Foi um processo menos doloroso por perceber a prova de amor dos amigos e da família”, relata.
Após quinze anos, a sambista lança o CD de inéditas “Nosso samba tá na rua”, dedicado a dona Ivone Lara, com canções sobre a negritude, o amor e o feminismo. Uma das letras, “Arrasta a sandália”, é de autoria de sua filha, Luana Carvalho. Cercada de quadros de Cartola e Nelson Cavaquinho, entre almofadas verdes e rosas (cores de sua escola de samba Mangueira), perante uma estante com dezenas de troféus e outra com bonecos de Che, Fidel Castro e orixás, Beth concede a entrevista a seguir ao iG.
No fundo da janela, o mar de São Conrado, bairro vizinho à favela da Rocinha. “A CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura”, diz a cantora, presidente de honra do PDT. Entre os fartos risos, também não faltaram palavras ríspidas para defender seu ponto de vista.

Foto: George Magaraia
Baluartes em miniatura: Beth entre Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho, Tom Jobim, Cartola e Luiz Gonzaga
iG: Qual foi a sensação ao voltar a andar?
BETH CARVALHO:
 A pior da minha vida. Quando pus os pés pela primeira vez no chão, achei que nunca ia andar de novo. Parecia que não tinha mais pernas, sem força muscular. Depois, com a fisioterapia, a recuperação foi rápida. Precisei colocar dois parafusos de 15 cm cada um, só isso me fez voltar a andar. Agora sou interplanetária e biônica (risos).
iG: Em seu novo CD, a letra “Chega” é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres?
BETH CARVALHO: 
O mundo, não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um absurdo. Parece que está tudo bem, mas não é bem assim. Sempre fui ligada a movimentos libertários.
iG: De que forma o samba é machista?
BETH CARVALHO:
 A maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O samba é matriarcal, na medida que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de muitos homens (risos).

Foto: George Magaraia
"Não desanimo nunca. Minha esperança é a última que morre"
iG: A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação?
BETH CARVALHO:
 Faltou, por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão uma especulação imobiliária.
iG: Alguns culpam o governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda?
BETH CARVALHO: 
Isso é muito injusto. É absurdo (diz em tom áspero). Se tivessem respeitado os Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos. Ele não podia fazer milagre.

Foto: George MagaraiaAmpliar
Relíquia: o instrumento que foi de Nelson Cavaquinho
iG: Defende a permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho?
BETH CARVALHO:
 Olha, sou presidente de honra do PDT porque é um título carinhoso que Brizola me deu, mas não sou filiada ao PDT. Não tenho uma opinião formada sobre isso, porque não sei detalhes. Existe uma grande rigidez a partidos de esquerda. Fizeram isso com o PC do B do Orlando Silva, e agora fazem com o PDT. O que conheço do Lupi é uma pessoa muito correta. Eles deveriam ser menos perseguidos pela mídia.
iG: Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita nomodelo socialista?
BETH CARVALHO
: Eu só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade. Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz ‘me deixem em paz’. Os Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país pobre que só tem cana de açúcar e tabaco.
iG: Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba?
BETH CARVALHO: 
Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil.
iG: Por quê?
BETH CARVALHO:
 Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa.
iG: Como quais?
BETH CARVALHO:
 Não falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você falou, tudo tem edição. A censura está no ar.
iG: Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não?
BETH CARVALHO:
 Não existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não precisa ter mais que um partido. É um partido contra todo o imperialismo dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e acha que isso é democracia.

Foto: George Magaraia
"Só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade"
iG: Este não seria um pensamento ultrapassado?
BETH CARVALHO: 
Meu Deus do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens, incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola, outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um Vinicius de Moraes... A mesma coisa na liderança política. Não é questão de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez.
iG: Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela.
BETH CARVALHO: 
Acabou com o quê? Com o quê? (indaga com voz alta)
iG: Com a democracia...
BETH CARVALHO
: Chávez é um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV.
iG: A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez... 
BETH CARVALHO: 
Não tirou do ar (fala em tom áspero). Não deu mais a concessão. É diferente. Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em mim? Tem todo direito de não dar.
iG: A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição?
BETH CARVALHO:
 Acho que se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é de direito não dar concessão. Isso eu apoio.

Foto: George Magaraia
Che e Fidel "enfeitam" a estante da casa da sambista
iG: Por ser oriundo dos morros, o samba foi conivente com o poder paralelo dos traficantes?
BETH CARVALHO:
 Não, o samba teve prejuízo enorme. Hoje dificilmente se consegue senhoras para a ala das baianas nas escolas de samba. Elas estão nas igrejas evangélicas, proibidas de sambar. Não se vê mais garoto com tamborim na mão, vê com fuzil. O samba perdeu espaço para o funk.
iG: Quem é o culpado?
BETH CARVALHO
: Isso tem tudo a ver com a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), que quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura. Estas armas dos morros vêm de onde? Vem tudo de fora. Os Estados Unidos colocam armas aqui dentro para acabar com a cultura dos morros, nos fazendo achar que é paranoia da esquerda. Mas não é, não.
iG: O samba vai resistir a esta “guerra” que a senhora diz existir?
BETH CARVALHO: 
Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: “Nosso samba tá na rua”.
Os livros sobre a mesa já dão uma pista sobre suas paixões e convicções - Foto: George Magaraia

27.11.11

O soldado estadunidense Bradley Manning, acusado de entregar documentos ao WikiLeaks, deporá ante um tribunal militar

via tercera informacion

Bradley Manning, el soldado estadounidense acusado de entregar documentos clasificados sobre las guerras en Irak y Afganistán al portal WikiLeaks, que, a continuación, los publicó, deberá comparecer el próximo 16 de diciembre ante un tribunal militar, según ha anunciado el pasado lunes su abogado, David E. Croombs.

El ex analista de inteligencia del ejército de Estados Unidos permanece en prisión desde mayo de 2010. Fue arrestado en Irak después de confesarle a un ex-hacker -el colombiano Adrián Lamo-, que había filtrado gran cantidad de material confidencial al sitio WikiLeaks. Durante todo este tiempo ha permanecido preso esperando el juicio recluido en la prisión de Fort Leavenworth, en Kansas.

El proceso militar se llevará a cabo el 16 de diciembre en Fort Meade, Maryland. Se espera que la audiencia se extienda durante cinco días, donde se presentará la evidencia contra el joven y un juez determinará si es lo suficientemente contundente. El objetivo de la vista, será «evaluar la consistencia de la causa formulada por el Gobierno y dar una oportunidad a la defensa de obtener información antes del juicio», ha explicado el letrado en su página web.

El Ejército ha acusado por 22 cargos a Manning, incluyendo «ayudar al enemigo», un cargo que técnicamente conlleva la pena de muerte. Sin embargo, la parte acusadora señaló que buscarán un periodo largo de prisión en lugar de esta pena. También se le imputan cinco cargos de robo de registros o propiedad pública, dos cargos de fraude computacional, ocho cargos de transmitir información de defensa en violación al Acta de Espionaje, y un cargo de publicar información de inteligencia en internet, sabiendo que sería accesible al enemigo.

A Nuestra América le está naciendo el corazón

via juventud rebelde
El establecimiento de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC) el próximo fin de semana marcará un hito en la historia mundial. El Nuevo Mundo sigue siendo el lugar de la posibilidad infinita
CARACAS.— Doscientos años después del inicio de los primeros procesos independentistas, la aglutinación en un bloque único y plural de las 33 naciones soberanas de América Latina y el Caribe será un parto natural. Un nacimiento histórico y necesario que solo ahora ha alcanzado su madurez.

Primero fue la liberación de las metrópolis. Luego, la prolija construcción y acendramiento de las identidades nacionales —época difícil donde localismos, regionalismos, caudillismos, intereses económicos, entreguismos, desuniones, hicieron larga y dura mella, en la que se cebaron los bolsillos, las intrigas y los hilos del poder hegemónico, tanto yanqui como europeo.
Después vino la resistencia a la primera oleada neocolonial y a los golpes castrenses, que tuvo y tiene en la Revolución Cubana la cumbre libertaria. Con esta, se abrió el rumbo a la descolonización de la mayoría de las pequeñas islas del Caribe y territorios continentales como Belice, aunque también se establecieron, tan o más crueles que antes, las dictaduras; con sus decenas de miles de asesinados y desaparecidos.
Recién fue el enfrentamiento y triunfo sobre la segunda gran oleada neocolonial: el neoliberalismo. Esta tuvo y tiene en la Revolución Bolivariana su ejemplo cimero. Y entonces se abrió, al influjo de la telúrica de los movimientos populares y sociales, la llegada al poder de los excluidos de América Latina.
Ha sido un camino duro, difícil, sufrido. Pero el Nuevo Mundo sigue siendo el lugar de la posibilidad infinita.

Punto de no retorno

El establecimiento de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC) el próximo fin de semana marcará un hito. No estará exento de tropiezos, zancadillas, deconstrucciones. Mas Nuestra América ha llegado a un punto sin retorno.
Caracas será el espacio histórico de la fundación formal y espiritual del organismo unitario. La mayoría de los 33 presidentes y primeros ministros de la región han confirmado su asistencia a la investidura, los próximos 2 y 3 de diciembre.
El organismo continental —el primero en que no estarán EE.UU. y Canadá— tendrá entre sus pilares «consolidar la independencia de nuestros países, el respeto a la autodeterminación de los pueblos y declarar la región como una zona de paz y desarrollo», ha expresado varias veces a la prensa Nicolás Maduro, canciller del país anfitrión, Venezuela.
«Con la CELAC —agregaba— se logrará unir a toda la región en una sola organización para comenzar a construir los lazos reales y el desarrollo de nuestros países».
Y así es. Y mucho habrá por hacer.
Con un producto interno bruto (PIB) superior a los 6 000 millones de millones de dólares —según datos de organismos internacionales— América Latina y el Caribe representan en su conjunto la tercera potencia económica a nivel mundial y el mayor productor de alimentos del planeta.
Es, sin embargo, la región donde imperan las mayores diferencias en la distribución de la riqueza. Y más de un tercio de su población entra en la clasificación de pobre o indigente.
Aquí, por ejemplo, el diez por ciento de las personas más ricas perciben el 48 por ciento de los ingresos totales, mientras que el diez por ciento de la gente más pobre apenas accede al 1,6 por ciento de la riqueza nacional, según el más reciente informe del Fondo de Naciones Unidas para la Población (UNFPA).
La CELAC es un organismo único. Sus países comparten idéntico pasado, culturas afines. Aunque en el Caribe se hablen varias lenguas y en el continente predominen el español, el portugués y centenares de idiomas originarios, su tronco matriz es indoamericano, africano e ibérico. O viceversa. Es un patrimonio idiosincrático exclusivo que hace de la región la geografía natural y humana más compacta y similar de las que se haya tenido noticias en el curso de la civilización humana.
En Caracas, el fin de semana que viene, Nuestra América le estará pariendo al mundo un nuevo corazón.

Demografía y cultura

EN América Latina y el Caribe, incluyendo los territorios que aún siguen bajo ocupación colonial o son calificados como «territorios de ultramar», viven 570 millones de personas (Fondo de Naciones Unidas para la Población-UNFPA).
Habitan aquí más de 650 pueblos originarios que hablan más de 600 idiomas, algunos de ellos dominados por pocas personas.
La esperanza de vida ronda los 70 años, aunque su fluctuación puede ser dramáticamente asombrosa, como en Haití, donde «el tiempo de vida per cápita» solo llega a los 58 años.

Notas económicas

Brasil, México, Argentina y Venezuela son las cuatro economías más poderosas de nuestro continente. El PIB de los auriverdes en 2010 los colocó como la séptima potencia mundial. Venezuela posee las mayores reservas de petróleo y gas del mundo, y prevé un crecimiento de alrededor del cinco por ciento para 2012.
Cuba ocupó el lugar 51 a nivel mundial en el Índice de Desarrollo Humano del Programa de Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD) en 2010, mientras que Haití, el territorio más pobre del continente, ocupa el 145 entre 158 repúblicas censadas.

Cuba: El ejemplo de los ocho estudiantes de medicina constituye un acicate para continuar adelante

via CUBA DEBATE

Estudiantes de Medicina
Por Pedro Etcheverry Vázquez
El 27 de Noviembre de 1871 tiene un significado especial para la juventud cubana, principalmente para los estudiantes. Los hechos ocurridos ese día tuvieron importantes antecedentes que no se pueden soslayar al evocar esta fecha. Sin embargo, lo sucedido a partir de ese momento, en que comenzó a desencadenarse la historia de agresiones contra el movimiento estudiantil revolucionario, también permanece latente en la memoria de todos los cubanos.
Al conocerse el alzamiento de Carlos Manuel de Céspedes el 10 de Octubre de 1868 en la finca Demajagua, de la región de Manzanillo, en la antigua provincia de Oriente, numerosos estudiantes universitarios abandonaron sus aulas en La Habana y se enrolaron en varias expediciones armadas para unirse a los sublevados. Otros, recién graduados, también los siguieron. La hostilidad del gobierno colonial hacia la Universidad de La Habana fue incrementándose, a medida que se expresaba el apoyo de los estudiantes a la lucha independentista de los patriotas cubanos en la manigua redentora.
En la capital el Cuerpo de Voluntarios la emprendió con extrema violencia contra lugares públicos frecuentados por la juventud, provocando desórdenes de considerable magnitud. Así fueron agudizándose las contradicciones que condujeron tres años después, a un suceso que ha pasado a la historia como el Fusilamiento de los Ocho Estudiantes de Medicina.
A mediados de enero de 1869 en La Habana ocurrieron una serie de disturbios entre las compañías de voluntarios al servicio de la Metrópoli española y los estudiantes que simpatizaban con la causa independentista. Uno de los hechos fue la masacre del Teatro Villanueva. El otro fue los sucesos del Café El Louvre. En ambos lugares se reportaron muertos y heridos. La situación llegó a tales extremos, que en un momento determinado la Universidad no pudo nombrar un celador español porque los alumnos exigían que fuera cubano.
Después, para tratar de calmar los afanes independentistas, cada cierto tiempo era conducido en calidad de prisionero hacia La Habana algún cubano de cierto renombre, que resultara detenido por sospechoso en los alrededores del territorio insurrecto. En mayo de 1870, el capitán general Caballero de Rodas envió un mensaje a Carlos Manuel de Céspedes, comunicándole que su hijo menor, Amado Oscar de Céspedes y Céspedes, un estudiante de 22 años, había sido capturado y condenado a muerte. Le propuso respetar la vida del joven, a cambio de que él abandonara la lucha. La respuesta de Céspedes fue tajante: “Oscar no es mi único hijo, soy el padre de todos los cubanos que han muerto por la libertad de Cuba”. El joven fue ejecutado el día 29.
El 24 de septiembre de 1870 el estudiante universitario y miembro de la Cámara de Representantes en la Asamblea de Guáimaro, Luis Ayestarán Moliner, de 24 años, el primer habanero que se incorporó a las fuerzas del Ejército Libertador, fue condenado a muerte por el poder colonial y ejecutado en el garrote vil.
El 10 de octubre de 1871, exactamente tres años después del alzamiento de Céspedes, el poder colonial aprobó un decreto que privaba a la Universidad de La Habana del derecho a otorgar el grado académico de doctor en ciencias. Esta decisión obligaba a los aspirantes a viajar al extranjero para intentar alcanzar tan preciado título.
En este complejo escenario, el 23 de noviembre de 1871, un grupo de 45 estudiantes del primer curso de Medicina, resultaron acusados infundadamente por un hecho que no cometieron y que fue exagerado premeditadamente por las autoridades colonialistas españolas. Vicente Cobas Quiza, el celador del Cementerio de Espada los señaló como responsables de rayar el cristal de la tumba del periodista español Gonzalo de Castañón Escarazo, director del periódico anticubano La Voz de Cuba, muerto en Cayo Hueso el 31 de enero de 1870, en un enfrentamiento a tiros con un patriota cubano llamado Mateo Orozco. La causa del duelo se encontraba en que Castañón se había referido públicamente a las mujeres de la emigración cubana, calificándolas de prostitutas. En esta ocasión, la injusta acusación contra los jóvenes estudiantes fue apoyada por Dionisio López Roberts, el gobernador político de La Habana.
Un consejo de guerra verbal dictó sentencia de absolución a unos y pequeñas sanciones a otros. Pero los voluntarios protestaron enérgicamente, obligando al general Romualdo Crespo a ordenar un segundo proceso jurídico. Un tribunal integrado por seis capitanes del Ejército Regular y la misma cantidad del Cuerpo de Voluntarios, actuando de una manera arbitraria decidieron encausar a 43 estudiantes, con el infame propósito de que señalaran a los posibles responsables de la supuesta profanación. Como ninguno tenía algo importante que decir, el silencio de los jóvenes indignó al Cuerpo de Voluntarios de La Habana, y por supuesto, también al gobierno colonial.
Tras un oscuro y fugaz proceso jurídico caracterizado por reiteradas manipulaciones, de una manera arbitraria decidieron pedir la pena máxima para ocho de los estudiantes acusados. Finalmente, para dar un escarmiento a la participación del estudiantado universitario en la insurrección contra el poder español, solo dos estudiantes fueron absueltos. Entre los otros sancionados, ocho fueron condenados a muerte, once fueron sancionados a seis años, veinte a cuatro años y cuatro a seis meses de reclusión carcelaria. Todos los bienes de los procesados quedaron incautados.
Fueron declarados culpables y condenados a muerte: Alonso Álvarez de la Campa y Gamba de 16 años de edad, Anacleto Bermúdez y González de Piñera de 20, Eladio González Toledo de 20, Ángel Laborde Perera de 17, José de Marcos Medina de 20, Juan Pascual Rodríguez Pérez de 21, Carlos de la Torre Madrigal de 20 y Carlos Verdugo Martínez de solo 17 años, quien se encontraba en la provincia de Matanzas el día del presunto delito. Como puede apreciarse en el grupo habían un niño de 16 años, dos adolescentes de 17 y del resto ninguno rebasaba los 21 años de edad.
Los estudiantes fueron fusilados a las cuatro y veinte minutos del 27 de noviembre, en la explanada de La Punta, frente al Castillo de los Tres Reyes del Morro, en La Habana. La forma en que los obligaron a enfrentar la muerte fue indignante. Los vendaron, les ataron las manos a la espalda y los obligaron a ponerse de rodillas. Para hacer más patético el crimen, los fueron ejecutando de dos en dos.
Al conocer lo ocurrido, el capitán del Ejército español Federico Capdevila Miñano, que había actuado como abogado de oficio en la defensa de los jóvenes, extrajo su espada, la quebró en público como expresión de protesta y renunció a continuar prestando servicios como oficial de las fuerzas armadas colonialistas. A muy poca distancia del lugar, al oír las descargas de fusilería, otro capitán, Nicolás Estévanez Murphy, reaccionó de forma similar.
Solo seis estudiantes fueron absueltos. Entre los otros 31 sancionados, siete fueron condenados a seis años, veinte a cuatro años y cuatro a seis meses de reclusión carcelaria. La Universidad de La Habana fue clausurada. Se hicieron evidentes las profundas contradicciones existentes entre el alto centro de estudios y cualquier forma de opresión y dictadura. Lejos de amedrentarse, el estudiantado cubano reaccionó de manera viril y continuó apoyando la causa independentista.
En 1872 circuló en Madrid una hoja impresa titulada El 27 de noviembre de 1871, escrita por José Martí y firmada por Fermín Valdés Domínguez y Pedro de la Torre Madrigal, dos de los estudiantes detenidos. Esa noche su autor, que en ese momento solo contaba con 19 años de edad, pronunció un emocionante discurso en homenaje a los Ocho Estudiantes de Medicina asesinados en La Habana por el poder español. Después se conoció un bello poema titulado A mis hermanos, donde Martí expresó en dos de sus fragmentos: [...] “Cadáveres amados, los que un día/ Ensueños fuisteis de la patria mía, / ¡Arrojad, arrojad sobre mi frente/ Polvos de vuestros huesos carcomidos!/ ¡Tocad mi corazón con vuestras manos!/ ¡Gemid a mis oídos!/ Cada uno ha de ser de mis gemidos/ Lágrimas de uno más de los tiranos! [...] ¡Y más que un mundo más! Cuando se muere/ En brazos de la patria agradecida/ La muerte acaba, la prisión se rompe; / Empieza, al fin, con el morir, la vida! [...]
Más tarde, durante el mismo año 1872, la patriota cubana Ana María Betancourt de Mora, una fiel precursora de las luchas por la emancipación de la mujer, visitó al presidente de los Estados Unidos Ulises Grant, para que intercediera ante el gobierno español y lograra el indulto de los 31 jóvenes que guardaban injusta prisión desde noviembre del año anterior, cuando fueron fusilados los Ocho Estudiantes de Medicina.
En 1873 el ciudadano español Fernando de Castañón, de 26 años, hijo menor de Gonzalo de Castañón, viajó a La Habana y visitó la tumba de su padre. Acto seguido declaró que el panteón no había sido dañado. Así se ratificó que estos jóvenes eran inocentes. Tras muchas gestiones de familiares y amigos, el Rey de España Amadeo I firmó el indulto de los estudiantes detenidos, pero sin rehabilitarlos públicamente por la calumniosa acusación que los había llevado a la cárcel injustamente. Los Ocho Estudiantes de Medicina serían solo una parte inicial de la larga lista de injusticias cometidas primero durante la colonia y después durante la república neocolonial, en defensa de gobiernos corruptos y en nombre de sistemas jurídicos que representaban las aspiraciones políticas de las clases privilegiadas y los intereses económicos de potencias extranjeras.
Desde que fue cometido aquel horrible crimen, cada año en esa misma fecha-excepto durante el tiránico gobierno de Gerardo Machado y Morales- los estudiantes universitarios y el pueblo cubano en general, parten organizadamente de la escalinata de la Universidad de La Habana, desfilan por la calle San Lázaro hasta la esquina de Prado y Malecón, y se concentran en La Punta, el mismo lugar donde fueron vilmente asesinados estos muchachos en la plenitud de sus vidas. Allí, frente al monumento que en noviembre de 1889 se erigió en su memoria, se les recuerda con profundo respeto, se les rinde el homenaje que merecen, ellos y todos los estudiantes caídos, y se ratifica el compromiso de la juventud cubana de defender la patria frente a cualquier agresión.
Coincidencias de la historia
  • En noviembre de 1925, el dictador Gerardo Machado declaró ilegal a la Federación Estudiantil Universitaria.
  • El 27 de noviembre de 1925 durante el acto por el aniversario 54 del fusilamiento de los Ocho Estudiantes de Medicina, el líder estudiantil Julio Antonio Mella, de 22 años, fue arrestado y acusado falsamente de tener explosivos, cometer actos terroristas y conspirar para fomentar una sedición. Mella se declaró en huelga de hambre. Tras la enorme presión ejercida por el pueblo, Machado tuvo que ponerlo en libertad.
  • El 27 de noviembre de 1956 los aparatos policiales de la dictadura batistiana atacaron violentamente una manifestación estudiantil en homenaje a los Ocho Estudiantes de Medicina. Hubo varios heridos en los alrededores de la Universidad de La Habana. Al día siguiente se vio interrumpido el curso académico, cuando el Consejo Universitario suspendió las clases y formuló una declaración pública condenando la brutal represión policíaca contra el estudiantado. Esta fue la última manifestación realizada por los estudiantes universitarios contra la tiranía. Pero la lucha continuó.
  • El líder estudiantil universitario José Antonio Echeverría, de 25 años, resultó muerto en marzo de 1957 durante un enfrentamiento con la policía batistiana, frente a los muros de la Universidad de La Habana, en la calle 27 de Noviembre.
  • Cuatro años después, un 27 de noviembre de 1961, fueron encontrados los cuerpos sin vida del brigadista alfabetizador Manuel Ascunce Domenech y su alumno Pedro Lantigua Ortega, de 16 y 43 años respectivamente, asesinados por bandas terroristas a sueldo de los servicios de inteligencia norteamericanos.
  • En esta misma fecha, pero de 1962, fue destruida la escuela rural Mi Dulce Madre, ubicada en Güinía de Miranda, Fomento, en la antigua provincia de Las Villas, por grupos de alzados que cumplían indicaciones de la CIA.
  • Un 27 de noviembre del año 2000 comenzó en Miami el juicio contra Gerardo Hernández Nordelo,Ramón Labañino Salazar, Antonio Guerrero Rodríguez, Fernando González Llort y René González Sehwerert, quienes todavía hoy ¡al cabo de más de 13 años! se encuentran prisioneros injustamente en cárceles norteamericanas por luchar contra el terrorismo.
Ninguno de estos hechos ha quedado sin respuesta. El poder colonial estaba prácticamente derrotado por el Ejército Libertador en 1898, cuando se produjo la intervención militar norteamericana. Durante sesenta años la juventud obrera y estudiantil marchó a la vanguardia de la lucha contra los gobiernos tiránicos y proyanquis. En enero de 1959 el Ejército Rebelde derrotó a la tiranía batistiana a pesar del apoyo del gobierno de los Estados Unidos. En 1965 las bandas terroristas apoyadas y financiadas por la Agencia Central de Inteligencia fueron exterminadas por los batallones de LCB de las Fuerzas Armadas Revolucionarias, las Milicias y los Órganos de la Seguridad. Hoy día, por la libertad de nuestros Cinco Héroes también lucha nuestro pueblo.

Exposição conta a história dos movimentos de resistência e da repressão em São Paulo

via Agência Brasil

São Paulo - Fotografias e documentos retratando os lugares de São Paulo que foram palco de protestos e de manifestações desde o início do século passado estão em exposição, a partir de hoje (26), no Memorial da Resistência, em São Paulo. A exposição pretende ajudar a contar a história dos movimentos de resistência no país e a refletir sobre a história política brasileira.
“Essa exposição faz uma amostragem de lugares da memória da resistência e da repressão no estado de São Paulo. Pegamos alguns lugares referenciais como, por exemplo, a Praça da Sé, o Largo São Francisco, o Tuca [Teatro da Universidade Católica de São Paulo], o Convento dos Dominicanos e o Presídio Tiradentes”, explicou Kátia Felipini, museóloga e coordenadora do Memorial da Resistência.
Segundo Kátia, um dos objetivos da exposição Lugares da Memória - Resistência e Repressão é fazer um inventário desses lugares em todo o estado. “Pretendemos que as pessoas pensem em lugares que elas conhecem ou já ouviram falar e reflitam em como esses lugares podem ser apropriados tanto para manifestações de resistência como contra a repressão. Acreditamos que a educação do olhar também pode evitar que muitos desses lugares sejam apropriados indevidamente. Sabemos que há lugares que são apropriados para tortura ainda hoje”, disse ela, em entrevista à Agência Brasil.
Para a elaboração desse inventário, o Memorial da Resistência espera receber contribuições de pesquisadores, estudantes, militantes políticos e ex-presos políticos. “Os materiais de pesquisa para essa exposição estão nos arquivos e jornais. Mas a parte importante de fato é o conhecimento que as pessoas têm sobre os lugares”, acrescentou.
A coordenadora espera que as pessoas que vivenciaram ou participaram de alguma manifestação ou que conhecem relatos de pessoas que fizeram parte de movimentos de resistência enviem suas sugestões sobre locais e as depositem em urnas instaladas no memorial. “Queremos agregar pessoas para construir coletivamente esse inventário”, disse a museóloga.
Para debater temas ligados à exposição, o Memorial da Resistência vai promover um evento especial chamado Sábado Resistente. No dia 3 de dezembro, o tema será a tortura. “O Sábado Resistente vai discutir sobre a questão da tortura, que é uma coisa que permanece, é uma reminiscência. Acho que ela faz parte da história da humanidade e que, em pleno século 21, não deveria mais estar acontecendo”, disse Kátia.
Já no dia 10 de dezembro, uma nova edição do Sábado Resistente vai debater a Comissão da Verdade.
A exposição segue até o dia 18 de março de 2012. O Memorial da Resistência funciona de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30. Mais informações podem ser encontradas no sitehttp://www.pinacoteca.org.br


 

 
 
Memorial da Resistência de São Paulo
Largo General Osório, 66 – Luz
Entrada franca
CEP 01213-010 – São Paulo – SP
Telefone: 55 11 3335 4990
Agendamento de visitas educativas: 3324.0943 ou 0944