11.11.12

Mauricio Dias" "Gurgel volta a atacar"

via Carta Capital

Desde julho, portanto há quase meio ano, a Câmara dos Deputados é a única instituição sem representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), integrado por 14 representantes de variadas instituições nacionais. Essa demora já seria ruim se resultasse de entraves burocráticos. Mas a razão é outra. E é bem estranha. A indicação da Câmara está bloqueada pelas ações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, contra a posse do professor Luiz Moreira, aprovado inicialmente para um segundo mandato de dois anos na função.
Moreira. Gurgel até inventa uma reprovação inexistente. Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado
Eis algumas evidências do bloqueio que Gurgel faz ao que a Câmara aprovou. Malsucedido naquela casa, o procurador-geral transferiu o palco de sua trama para o Senado. Em e-mail do dia 5/6/2012 da Rede Membros do Ministério Público Federal, o procurador Matheus Magnani (MP-SP) relata desabridamente a campanha contra Moreira, que obteve 359 votos no plenário da Câmara, após ter sido indicado pela unanimidade dos líderes partidários.
“Pessoal: conversando com o assessor parlamentar do MPF (Ministério Público Federal) acabo de receber a informação de que a recondução do Luiz Moreira (…) apenas ocorrerá por falta de uma iniciativa concreta em sentido contrário. Portanto, ela é absolutamente evitável (…) O mesmo assessor disse que uma iniciativa concreta (…) tornará a recondução muito mais difícil. Pergunto: nada será feito?”
Outros procuradores se envolveram na trama desse procurador-geral “pantagurgélico”. Que Rabelais perdoe a singela insinuação com a troca de letras.
Um dos integrantes do complô propôs uma campanha capitaneada pela Associação Nacional dos Procuradores, após o “assessor parlamentar” José Arantes propor “algo concreto” como uma carta aberta do MPF com pelo menos 30 assinaturas de diversas regiões do País. Se possível encabeçada pelo presidente da citada associação supostamente para dar “mais peso” ao veto.
Uma campanha apócrifa, um dossiê de quatro páginas, precedeu a tudo isso e circulou pelo Congresso. A acusação mais grave contra Moreira é a mais frágil. Ele teria sido reprovado no exame da OAB. Bacharel em Direito, ele, porém, nunca exerceu a advocacia. Por isso não se submeteu ao exame da Ordem. Optou pela academia. É Doutor em Direito e Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais, além de Diretor Acadêmico da Faculdade de Direito de Contagem.
Moreira pediu ao CNMP a apuração administrativa, cível e criminal das denúncias do dossiê. Um já foi arquivado. Dos outros dois não se tem notícia. Vai ver que também descansam em paz nas gavetas de procuradores do Distrito Federal.
Gurgel tentou evitar a sabatina de Luiz Moreira na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. E chegou a pedir isso ao presidente da casa, José Sarney. Falou com mais gente: Eduardo Braga, líder do governo, e Renan Calheiros. A sabatina só não foi cancelada porque o deputado Marco Maia, presidente da Câmara, não aceitou o adiamento. Ele foi aprovado.
O procurador-geral contra-atacou e conta com o esforço de dois Pedros: Taques (PDT) e Simon (PMDB). Eles conseguiram adiar o ato final. Pediram o sobrestamento da votação em plenário para que sejam ouvidos os procuradores anti-Moreira.
Gurgel conta com alguns senadores para tentar derrotar os deputados.
Andante mosso
Sereia de ouro. Eis um troféu muito merecido. Foto: José Cruz/ABr
A sereia e o desconfiado
No dia 28 de setembro, em pleno julgamento do chamado “mensalão” no STF, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deu um pulo em Fortaleza para receber o troféu “Sereia de Ouro”, oferecido à “Personalidade do Ano” pelos critérios da TV Verdes  Mares.
A emissora é da família Queiroz, cuja herdeira, Renata, é esposa do ex-senador e líder  político tucano Tasso Jereissati. Esse pessoal já foi mais discreto nessas comemorações.
Caso de tolerância
Para a Irmandade da Santa Cruz dos Militares, não bastam os problemas de má administração em que está atolada. A eles se acrescenta uma tolerância suspeita com os inquilinos que ajuda a tornar incerto o futuro de uma instituição do início do século XVII. Há quase cem locatários inadimplentes.
É o caso do famoso e controvertido Chico Recarey, empresário da noite carioca. Há oito meses não paga aluguel de um imóvel que ocupa.
Violência em Sampa I
Atribuem a uma decisão do PCC a morte de policiais, como se esse “comando” fosse hegemônico em todos os aspectos da criminalidade em São Paulo. Jorge da Silva,  subcomandante da PM do Rio no governo Brizola, acha isso “uma conclusão apressada”.
Veterano no combate aos traficantes cariocas, ele argumenta: muitas das mortes não são de policiais. São incluídas nesse rol por descobrirem alguma remota ligação de parentesco do morto com algum policial.
Violência em Sampa II
Silva chama a atenção para outro fato: matam duas ou três pessoas de forma aparentemente aleatória, como se tivessem a intenção de infundir terror não entre os policiais, e sim na  comunidade.
Isso já aconteceu e ainda acontece no Rio. É coisa de milícia. “Nesse caso, na hipótese de também haver milícias em São Paulo (por que não haveria?), não me surpreenderia se, além da ação do ‘comando’ contra os policiais, houvesse a disputa territorial entre milícias, com  milicianos matando milicianos”, alerta.
Rescaldo I
Debruçada sobre o resultado das eleições municipais e os resultados das pesquisas pré-eleitorais, Márcia Cavallari, do Ibope, concluiu que o eleitor manteve-se fiel à tradição:  votou a partir da experiência com a administração atual.
Em São Paulo, segundo ela, a participação da presidenta Dilma e do ex-presidente Lula, que  ela identifica como “influência vertical”, não foi “muito relevante”. Assim como não  importou a tônica dada ao julgamento do chamado “mensalão”. “Pesou a avaliação negativa  da gestão Kassab, a “influência horizontal” que apoiou Serra”, ela diz.
Fonte: Ibope
Rescaldo II
Cavallari mostra que, das 26 capitais, 14 delas poderiam ter seus prefeitos concorrendo à reeleição. Apenas oito deles tentaram e desse grupo “apenas quatro com melhores avaliações foram vitoriosos”. Houve exceções, como em João Pessoa (PB) e Campo Grande (MS).
Apesar disso, ela garante que uma regra é absoluta: “Prefeitos mal avaliados, aqueles com  avaliações positivas inferiores a 40%, não se reelegeram ou não fizeram sucessores”.
Judiciário: Além da lei
Supunha-se que a Lei de Acesso à Informação, entre outras utilidades, pudesse ser uma ação  inibidora da manutenção de privilégios da administração pública, como a insistente  desobediência do limite do Teto Constitucional de 26 mil reais, do subsídio de ministros do  STF.
A tabela de remuneração, no mês de setembro, de juízes e desembargadores de São Paulo circula por e-mails institucionais de vários órgãos influentes da União. Lista semelhante, dos magistrados do Rio de Janeiro, também “passeou” incólume e, como agora, só despertou sobre os valores pagos.
Um coro angelical entoa uníssono: não há justificativa legal ou moral para isso. Se for assim,  por que nada é feito pelo Ministério Público? Não há também recolhimento de IR sobre o valor total, protegido pela rubrica “verbas indenizatórias” com direito a isenção. Por isso o Leão não morde?
Ainda assim, a Magistratura ensaia greve em busca de aumento salarial. A   paralisação será inédita no Judiciário, um poder da República que, em poucos dias, estará sob a batuta do aparentemente intimorato Joaquim Barbosa. Aguardemos.

Iuri Muller: Estilhaços de uma noite de maio (um dedo de prosa sobre a repressão na Argentina)

Por Iuri Müller via Sul21


Em uma estação da linha General Roca, a de Wilde, partido de Avellaneda, Francisco Alonso vê o trem que se aproxima e encerra com rapidez o assunto anterior: “as balas sempre passaram perto, mas eu escapava. Talvez pela disposição da lua, das marés, caso eu apele à cultura popular”. Francisco Alonso, “El Negro” – o peronista revolucionário, o que pegou em armas para resistir à ditadura militar, o que esteve apurando o tiro em Havana e que viu Juan Domingo Perón inaugurar largos viadutos no sul da Província de Buenos Aires – há pouco rememorava sentimentos de quatro décadas atrás. Comia fiambres, bebia cerveja fria e recordava. Nem tanto os passos firmes da Revolução Cubana, que pôde ver de perto nos anos sessenta. Tampouco dedicaria muitas frases à participação na guerrilha peronista. Alonso falava da noite em que viu a Confitería La Real de Avellaneda salpicada por disparos criminosos, a noite em que os companheiros caíram mortos ao seu lado. Noite que talvez se perdesse na conturbada história argentina daqueles anos não fosse pela investigação de um jornalista que, entre um trago e outro, começou a questioná-lo assim: “Alonso, o que de fato aconteceu naquela noite de 1966?”.
Francisco Alonso, um metro e sessenta de altura, dono de um bigode que esconde algumas palavras, hoje vive perto do bar que sediou de forma involuntária a matança daquele ano. Mas no sábado em questão ruma até Wilde e aceita o convite para um almoço improvisado. Quem o convida, o recebe e apresenta é Enrique Arrosagaray, articulista e escritor da mesma cidade. Enrique dedicou parte da vida a investigar a história, as contradições e os textos de Rodolfo Walsh (1927-1957), autor de, entre outros títulos, “Operação Massacre”. Alonso, ao que consta, é o último protagonista vivo de “¿Quién mató a Rosendo?”, o livro-reportagem em que Walsh ilumina o então obscuro tiroteio daquele ano. Um fato que se tornou passado há mais de quatro décadas. Alonso se assusta com a conta, com as recordações que sempre voltam, mas muitas imagens se mantiveram firmes na memória. Lembra a pizza que pediram ao garçom, o brinde que ergueram a um dos amigos, a discussão que inicia perto de um dos banheiros, as primeiras trompadas com o grupo do mafioso Augusto Timoteo Vandor, as balas voando no saguão do bar.
Carnet nacional de periodista profissional de Rodolfo Walsh
E lembra o tipo quieto, o tal Rodolfo, que quase dois anos depois se interessaria por cada minúcia e prometia escrever a real versão do que era visto pela polícia e pela imprensa como uma troca de tiros entre duas linhas do sindicalismo argentino. “El Negro” Alonso tinha apenas vinte e três anos e era um militante político em formação quando pôde escapar vivo daquele trágico baile em que a pólvora estalava. Da porta de entrada da Confitería La Real saiu para vagar, por angustiosos dias, entre locais presumidamente seguros na Grande Buenos Aires. A polícia já tinha o seu nome, e parecia um desaforo ter escapado ileso daquele bar. A estranha morte de Rosendo García aqueles sobreviventes teriam que explicar. Na rápida passagem pela casa da família, disse que para salvar a pele dos demais desapareceria por uns tempos – palavras suficientes para fazer crescer o desespero da mãe. Mas Alonso já havia testemunhado outras tormentas políticas na mesma Argentina, revoadas que não o abandonariam até o final da vida.
***
No início dos anos 1950, a luta social era assunto em qualquer sobrado, fábrica ou calçada de Buenos Aires. Mas, para quem vivia os dias amarelos da infância, o carisma de Perón, a insistência dos inimigos do General e o futuro da pátria não importavam tanto assim. Mais importante era o futebol com os vizinhos do bairro, improvisado nos potreiros de terra batida, em tardes que se prolongavam até o sol cair ou algum familiar despótico dizer basta. Alonso regressava de uma dessas partidas, entre sorridente e embarrado, quando encontrou a casa cinza, a mãe chorando baixo. Aquele pranto tinha a dor do luto. Alonso pensou inevitavelmente que alguma pessoa próxima havia morrido, mas logo pôde entender a estranheza de alguns rostos que haviam passado pelo campinho: a defunta que carregava de lágrimas o rosto de sua mamá era Evita Perón. Talvez tenha sido ali que o peronismo passou a acompanhar Alonso pelas longas temporadas seguintes.
Três anos depois da morte de Evita, aviões circundaram a Plaza de Mayo em nome da Revolução Libertadora que derrubou Perón. Os golpes de Estado na Argentina continuariam ocorrendo nas décadas seguintes, e as ditaduras eram apresentadas com títulos dotados de alguma pompa. Da Revolução Libertadora para a Revolução Argentina, em 1966. E, dez anos depois, teria início o tenebroso Processo de Reorganização Nacional. Eram transtornos políticos que não apenas respingavam em Alonso, mas capazes de alterar a rotina de qualquer trabalhador. Em 1966, Francisco pôde sentir por antecipação a mudança de comando que logo ocorreria no país. Afinal, um mês antes do golpe daquele ano Alonso, Domingo Blajaquis, Juan Zalazar e outros sindicalistas contrários à direção da Confederación Nacional del Trabajo (CGT) presenciaram o perigo de uma burocracia sindical que se aproximava dos núcleos mais conservadores da sociedade argentina. Isso em uma noite que, em tempos de paz, seria marcada por não mais que um bar de brindes e alguns pedaços de pizza.
‘Fiel ao compromisso que escolhi de dar testemunho nos momentos difíceis’. Homenagem a Rodolfo Walsh na Rua Perú, em Buenos Aires
Alonso e seus companheiros acomodaram-se na Confitería La Real numa mesa razoavelmente próxima à porta que dava para a rua Mitre. Vinham de um ato de apoio ao sindicato dos trabalhadores da cana de açúcar de Tucumán e aproveitariam a parada para festejar um feito singelo num ano complicado. Zalazar, um dos militantes da CGT que “estava com Perón”, havia por fim conseguido um emprego na região. Para ele, Alonso e os demais ergueram os seus copos. Minutos depois, viram Augusto Timoteo Vandor, Rosendo García e outros homens adentrarem o salão. Vandor liderava o setor dito tradicional da CGT. Rosendo García ascendia rapidamente nas mesmas filas. Eram homens com incontestável força política no sindicalismo e estavam munidos de revólveres e muita ambição: a Vandor, diziam uns quantos, correspondia o sonho de ser maior do que Juan Domingo Perón. O encontro entre um representante de cada bando ocorre perto de um dos banheiros – após ligeira discussão política, surgem os primeiros empurrões. E logo os violentos e surpreendentes disparos.
Os garçons frearam o atendimento às mesas da casa, os demais frequentadores se esconderam das balas como puderam, retângulos de vidro se estilhaçaram e foram três os que caíram mortos naquela noite de maio. Domingo “El Griego” Blajaquis e Juan Zalazar, entre os companheiros de Alonso, além de Rosendo García. Se esta foi uma noite larga, as próximas poderiam ser descritas como intermináveis: os sobreviventes tiveram de resistir clandestinamente no conurbano bonaerense, perseguidos pela polícia e julgados pelos jornais. A Argentina queria ver presos os assassinos de García, homem então cotado para concorrer ao cargo de governador da Província de Buenos Aires. Do sangue e da memória de Blajaquis e Zalazar, poucos quiseram lembrar. De que aquele tiroteio pudesse ter outra versão, quase ninguém desconfiou. Dois anos depois, Rodolfo Walsh publicou as notas que dariam origem ao livro “¿Quién mató a Rosendo?”. E assim escreve no prólogo, em tradução livre:
“No chamado tiroteio de La Real de Avellaneda, em maio de 1966, resultou assasinado alguém muito mais valioso do que Rosendo. Esse homem, el Griego Blajaquis, era um autêntico herói da sua classe. Também foi baleado outro homem, Zalazar, cuja humildade e cuja desesperança eram tão insondáveis que resulta como um espelho da desgraça operária. Para os diários, para a polícia, para os juízes, esta gente não tem história, tem prontuário; não os conhecem os escritores nem os poetas; a justiça e a honra que merecem não cabem nestas linhas; algum dia, no entanto, resplandecerá a beleza dos seus feitos, e a de tantos outros, ignorados, perseguidos e rebeldes até o final”.
‘Para os diários, para a polícia, para os juízes, esta gente não tem história, tem prontuário — não os conhecem os escritores nem os poetas’.
***
Francisco Alonso pôde recuperar a tranquilidade apenas depois da tardia elucidação dos acontecimentos. Através das reportagens de Walsh, que coletou depoimentos, acompanhou peritos e estudou a geografia interna da Confitería La Real, ficou provado que não houve um tiroteio, mas sim uma tentativa de fuzilamento. Apenas os homens de Vandor e Rosendo estavam armados – de modo que as balas que derrubaram Zalazar, Blajaquis e o próprio Rosendo García saíram de um mesmo lado, com as piores intenções. É aceita a versão de que Vandor, aproveitando-se de uma situação de tumulto e descontrole, teria eliminado adversários da luta sindical e uma das figuras em ascensão do próprio grupo. A violência fazia os piores pesadelos deslizarem para a vida real na Avellaneda dos anos 1960. Mesmo com as denúncias apresentadas e publicadas no semanário da CGT, os culpados pouco ou nada se incomodaram. Como escreveu Walsh, “o sistema não castiga os seus homens: os premia”.
Naquela noite, as balas passaram ao lado de Alonso. Não foi a primeira vez que conviveu com a proximidade dos projéteis. “El Negro”, quem sabe algo mais incrédulo quanto à pontaria da morte, não buscou outra vida. Esteve em Cuba, ao lado da Revolução Cubana, onde realizou instrução militar para desenvolver grupos guerrilheiros pelo continente. Do grupo de argentinos que partiu para Havana, Alonso foi o que permaneceu mais tempo na ilha. Impressionou pela mira certeira e esteve a ponto de ser enviado para o foco guerrilheiro da Bolívia. O desenrolar da luta de esquerda, entretanto, fez com que logo tivesse que retornar a Avellaneda. Em solo argentino, tampouco havia paz. Os dribles diários na repressão militar não eram infalíveis: certa vez, foi pego com o “Manual do Guerrilheiro Urbano”, do brasileiro Carlos Marighella. Foi preso e enviado a Quilmes, cidade em que conheceu a temida picana e outros dos instrumentos de tortura. As horas em que passou estaqueado resultaram em terríveis dores nos braços e houve quem recomendasse um psicólogo.
“Como eu vou conversar com um psicólogo se nem para os policiais que me torturavam eu falei?”, debocha Alonso. Disse que viveu tempos em que não se podia falar tudo, conhecer os fatos por inteiro. Não que os dias atuais sejam tão mais simples assim. Mas Alonso confia no atual governo, crê na força popular que o peronismo – uma das ideias políticas mais amplas da América Latina – ainda exerce. Enquanto caminha de volta à estação de trem de Wilde, lamenta que o clássico entre Independiente e Racing, marcado para aquela tarde, tenha sido suspenso pela chuva que alagou a Província de Buenos Aires em agosto. Diz que não houve nenhum jogador como Ricardo Bochini em Avellaneda. E, já dentro do antigo vagão da Linha General Roca, admite nunca ter lido o livro do qual se fez personagem. Por quê? “Que motivos eu tenho para ler, se sou o protagonista? Vai me dizer coisas que eu já sei, e quem sabe coisas que eu nem disse”.

10.11.12

PARAGUAY: “FRENTE GUASU” APRESENTA SEU CANDIDATO PRESIDENCIAL


No Paraguay, o agrupamento político de esquerda "Frente Guasu" apresentou oficialmente seu candidato às próximas eleições presidenciais. Tratas-e de Anibal Carrillo, político que conta com o apoio de Fernando Lugo e seus principais colaboradores.

Valério entrega líderes tucanos para escapar de processo no STF



STF
Marcos Valério estaria denunciando tucanos ao STF, diz advogado
Os mesmos petardos jurídicos disparados do Supremo Tribunal Federal (STF) por Joaquim Barbosa, presidente eleito da Corte e relator da Ação Penal 470, contra os principais líderes do Partido dos Trabalhadores (PT), partem agora na direção dos envolvidos na origem do escândalo que recebeu o apelido de ‘mensalão tucano’. O advogado Dino Miraglia, de Belo Horizonte, procurou a Assembleia Legislativa de Minas Gerais para pedir proteção à vida dele e de seu cliente, Nilton Antonio Monteiro, após peticionar ao Supremo para que estabeleça a conexão entre o caso conhecido como ‘lista de Furnas’ e o ‘mensalão tucano’, iniciado por Marcos Valério durante o governo do hoje senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Em linha com o estilo do ministro Barbosa de detalhar as peripécias de Valério e seus cúmplices no ‘mensalão petista’, o caso da ‘lista de Furnas’, contido no inquérito 3530 do STF, acusa tucanos de alta plumagem, entre eles Azeredo, Clesio Andrade e Walfrido dos Mares Guia, de crimes como assassinato, explosões, incêndios, perseguições e até o suborno de magistrados da própria Corte Suprema. Compra de votos, no caso, seria o menor dos pecados cometidos pela quadrilha mineira. Segundo Miraglia, fitas transcritas do depoimento de outro advogado, Joaquim Engler Filho – então ligado ao PSDB mineiro – ao delegado João Otacílio Silva Neto, no Departamento Estadual de Operações Especiais da Polícia Civil de Minas Gerais, em 24 de janeiro de 2008, “comprovam o esquema montado para abafar o ‘mensalão mineiro”.
– As fitas transcritas com o depoimento de Engler Filho, que integram o inquérito 3530, denunciam a atuação do grupo político ligado ao PSDB mineiro e nacional, na tentativa de calar o denunciante do ‘mensalão tucano’, Nilton Monteiro. Ele foi igualmente responsável por trazer a público a ‘lista de Furnas’, comprovando o esquema montado por Dimas Fabiano, ex-dirigente da empresa estatal, para favorecer e financiar candidatos e campanhas eleitorais do PSDB. Nossa petição foi para que este inquérito seja juntado à Ação Penal 536, que comprova a ação ilícita ocorrida em Minas Gerais durante a gestão tucana – afirmou Miraglia aoCorreio do Brasil.
Para o advogado, o acordo de Marcos Valério para obter vantagens jurídicas com a ‘delação premiada’ não está no âmbito da AP 470, que julga o ‘mensalão petista’, mas na AP 536, da qual Barbosa também é relator.
– O Marcos Valério está entregando todo mundo do PSDB. O esquema todo, para se livrar das penas que deverá receber quando esta ação for julgada. Quanto ao ‘mensalão petista’ não há mais muito o que fazer, mas na ação contra os tucanos, ele está contando tudo o que sabe. Minas está em polvorosa, porque a AP 536, após a juntada do inquérito 3530, transforma-se em um vendaval, capaz de revelar em detalhes toda a corrupção e demais crimes cometidos pelo alto escalão da República, na época do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso – relata Miraglia.
Leia a íntegra desta matéria na Edição Digital do Correio do Brasil



9.11.12

Mino Carta: O “mensalão” tucano

via Carta Capital

A mídia nativa entende que o processo do “mensalão” petista provou finalmente que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. Tarda, sim, e a tal ponto que conseguiu antecipar o julgamento de José Dirceu e companhia a um escândalo bem anterior e de complexidade e gravidade bastante maiores. Falemos então daquilo que poderíamos definir genericamente como “mensalão” tucano. Trata-se de um compromisso de CartaCapital insistir para que, se for verdadeira a inauguração de um tempo novo e justo, também o pássaro incapaz de voar compareça ao banco dos réus.
A privataria. Não adianta denunciar os graúdos: a mídia nativa cuida de acobertá-los
Réu mais esperto, matreiro, duradouro. A tigrada atuou impune por uma temporada apinhada de oportunidades excelentes. Quem quiser puxar pela memória em uma sociedade deliberadamente desmemoriada, pode desatar o entrecho a partir do propósito exposto por Serjão Motta de assegurar o poder ao tucanato por 20 anos. Pelo menos. Cabem com folga no enredo desde a compra dos votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, até a fase das grandes privatizações na segunda metade da década de 90, bem como a fraude do Banestado, desenrolada entre 1996 e 2002.
Um best seller intitulado A Privataria Tucanaexpõe em detalhes, e com provas irrefutáveis, o processo criminoso da desestatização da telefonia e da energia elétrica. Letra morta o livro, publicado em 2011, e sem resultado a denúncia, feita muito antes, por CartaCapital, edição de 25 de novembro de 1998. Tivemos acesso então a grampos executados no BNDES, e logo nas capas estampávamos as frases de alguns envolvidos no episódio. Um exemplo apenas. Dizia Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do banco, para André Lara Rezende: “Temos de fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Fala pro Pio (Borges) que vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer”.
Afirmavam os protagonistas do episódio que, caso fosse preciso para alcançar o resultado desejado, valeria usar “a bomba atômica”, ou seja, FHC, transformado em arma letal. Veja eÉpoca foram o antídoto à nossa capa, divulgaram uma versão, editada no Planalto e bondosamente fornecida pelo ministro José Serra e pelo secretário da Presidência Eduardo Jorge. O arco-da-velha ficou rubro de vergonha, aposentadas as demais cores das quais costuma se servir.
Ah, o Opportunity de Daniel Dantas, sempre ele, onipresente, generoso na disposição de financiar a todos, sem contar a de enganar os tais italianos. Como não observar o perene envolvimento desse monumental vilão tão premiado por inúmeros privilégios? Várias perguntas temperam o guisado. Por que nunca foi aberto pelo mesmo Supremo que agora louvamos o disco rígido do Opportunity sequestrado pela PF por ocasião da Operação Chacal? Por que adernou miseravelmente a Operação Satiagraha? E por que Romeu Tuma Jr. saiu da Secretaria do Ministério da Justiça na gestão de  Tarso Genro? Tuma saberia demais? Nunca esquecerei uma frase que ouvi de Paulo Lacerda, quando diretor da PF, fim de 2005: “Se abrirem o disco rígido do Opportunity, a República acaba”. Qual República? A do Brasil, da nação brasileira? Ou de uma minoria dita impropriamente elite?
Daniel Dantas é poliédrico, polivalente, universal. E eis que está por trás de Marcos Valério, personagem central de dois “mensalões”. Nesta edição, Leandro Fortes tece a reportagem de capa em torno de Valério, figura que nem Hollywood conseguiria excogitar para um policial noir. Sua característica principal é a de se prestar a qualquer jogo desde que garanta retorno condizente. Vocação de sicário qualificado, servo de amos eventualmente díspares, Arlequim feroz pronto à pirueta mais sinistra. Não se surpreendam os leitores se a mídia nativa ainda lhe proporcionar um papel a favor da intriga falaciosa, da armação funesta, para o mal do País.
Pois é, hora do dilema. Ou há uma mudança positiva em andamento ou tudo não passa de palavras, palavras, palavras. Ao vento. É hora da Justiça? Prove-se, de direito e de fato. E me permito perguntar, in extremis: como vai acabar a CPI do Cachoeira? E qual será o destino de quem se mancomunou com o contraventor a fim de executar tarefas pretensamente jornalísticas, como a Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo.

147 CORPORACIONES CONTROLAN LA ECONOMÍA DEL MUNDO OCCIDENTAL

via cubadebate.cu


Un estudio de la Universidad de Zurich reveló que un pequeño grupo 
de 147 grandes corporaciones trasnacionales, principalmente 
financieras y minero-extractivas, en la práctica controlan la economía global. El estudio fue el primero en analizar 43.060 corporaciones 
transnacionales y desentrañar la tela de araña de la propiedad entre 
ellas, logrando identificar a 147 compañías que forman una 
“súper entidad” que controla el 40 por ciento de la riqueza de la 
economía global.

El pequeño grupo está estrechamente interconectado a través de las 
juntas directivas corporativas y constituye una red de poder que 
podría ser vulnerable al colapso y propensa al “riesgo sistémico”, 
según diversas opiniones. El Proyecto Censurado de la Universidad 
Sonoma State de California desclasificó esta noticia sepultada por los 
medios y su ex director Peter Phillips, profesor de sociología en esa 
universidad, ex director del Proyecto Censurado y actual presidente de
la Fundación Media Freedom /Project Censored, la citó en su trabajo 
“The Global 1%: Exposing the Transnational Ruling Class” (El 1%: 
Exposición de la Clase Dominante Transnacional), firmado con 
Kimberly Soeiro y publicado en ProjectCensored.org.

Los autores del estudio son Stefania Vitali, James B. Glattfelder y 
Stefano Battiston, investigadores de la Universidad de Zurich (Suiza), 
quienes publicaron su trabajo el 26 de octubre 2011, bajo el título “La 
Red de Control Corporativo Global” (The Network of Global Corporate 
Control) en la revista científica PlosOne.org.

En la presentación del estudio publicado en PlosOne, los autores 
escribieron: “La estructura de la red de control de las empresas 
transnacionales afecta a la competencia del mercado mundial y la 
estabilidad financiera. Hasta ahora, fueron estudiadas sólo pequeñas 
muestras nacionales y no existía una metodología adecuada para 
evaluar el control a nivel mundial. Se presenta la primera 
investigación de la arquitectura de la red de propiedad internacional, 
junto con el cálculo de la función mantenida por cada jugador global”.

“Encontramos que las corporaciones transnacionales forman una 
gigantesca estructura como corbata de lazo y que una gran parte de 
los flujos de control conducen a un pequeño núcleo muy unido de 
instituciones financieras. Este núcleo puede ser visto como un bien 
económico, una “súper-entidad” que plantea nuevas cuestiones 
importantes, tanto para los investigadores y responsables políticos”.

El diario conservador británico Daily Mail fue quizás el único del mundo
 que recogió esta noticia, el 20 de octubre 2011, presentada por Rob 
Waugh bajo el llamativo titular “¿Existe una “súper-corporación que 
dirige la economía global? El estudio clama que podría ser 
terriblemente inestable. La investigación encontró que 147 empresas 
crearon una “súper entidad” dentro el grupo, controlando el 40 por 
ciento de la riqueza”.

Waugh explica que el estudio de la Universidad de Zurich “prueba” 
que un pequeño grupo de compañías -principalmente bancos- ejerce 
un poder enorme sobre la economía global. El trabajo fue el primero 
en examinar un total de 43.060 corporaciones transnacionales, la 
telaraña de la propiedad entre ellas y estableció un “mapa” de 1.318 
empresas como corazón de la economía global.

“El estudio encontró que 147 empresas desarrollaron en su interior 
una “súper entidad”, controladora del 40 por ciento de su riqueza. 
Todos poseen parte o la totalidad de uno y otro. La mayoría son 
bancos –los 20 top, incluidos Barclays y Goldman Sachs. Pero la 
estrecha relación significa que la red podría ser vulnerable al colapso”, escribió Waugh.

Mapa-mundi de la riqueza

El tamaño de los círculos representa los ingresos. Los círculos rojos 
son “corporaciones súper-conectadas” mientras los amarillos son 
“corporaciones muy conectadas”. Las 1.318 empresas transnacionales 
que forman el núcleo de la economía globalizada, muestran sus 
conexiones de propiedad parcial entre unos y otros, y el tamaño de 
los círculos corresponde a los ingresos. A través de las empresas sus propietarios controlan la mayor parte de la economía “real” 
(Ilustración de los autores, PlosOne, 26/10/2012).

“En efecto, menos del 1% de las empresas fue capaz de controlar el 
40 por ciento de toda la red”, le dijo al Daily Mail James Glattfelder, 
teórico de sistemas complejos del Instituto Federal Suizo de Zurich, 
uno de los tres autores de la investigación.

Algunos de los supuestos que subyacen en el estudio han sido 
criticados, como la idea de que propiedad equivale a control. “Sin 
embargo, los investigadores suizos no tienen ningún interés personal: 
se limitaron a aplicar a la economía mundial modelos matemáticos 
utilizados habitualmente para modelar sistemas naturales, usando 
Orbis 2007, una base de datos que contiene 37 millones las compañías
 e inversionistas”, informó Waugh.

Economistas como John Driffil, de la Universidad de Londres, experto 
en macroeconomía, dijo a la revista New Scientist que el valor del 
estudio no radicaba en ver quién controla la economía global, pero 
muestra las estrechas conexiones entre las corporaciones más 
grandes del mundo. El colapso financiero de 2008 mostró que este 
tipo de redes estrechamente unidas puede ser inestable. 
“Si una empresa sufre angustia, ésta se propaga”, dijo Glattfelder.

Para Rob Waugh y el Daily Mail hay un “pero”: “Parece poco probable 
que las 147 corporaciones en el corazón de la economía mundial 
pudieran ejercer un poder político real, pues representan demasiados intereses”, aseguró el diario conservador británico.

La riqueza global del mundo se estima que ronda los 200 billones de 
dólares, o sea, dos centenas de millones de millones. Según Peter 
Phillips y Kimberly Soeiro, el 1 por ciento más rico de la población del 
planeta agrupa, aproximadamente, a 40 millones de adultos. Estas 
personas constituyen el segmento más rico de las primeras gradas de 
la población de los países más desarrollados e, intermitentemente, en 
otras regiones.

Según el libro de David Rothkopf “Súper-clase: la Elite de Poder 
Mundial y el Mundo que Está Creando”, la súper elite abarcaría aproximadamente al 0,0001 por ciento (1 millonésima) de la población
 del mundo y comprendería a unas 6.000 a 7.000 personas, aunque 
otros señalan 6.660. Entre ese grupo habría que buscar a los dueños 
de las 147 corporaciones que cita el estudio de los investigadores de 
Zurich.

20.9.12

José Felicio, Embajador de Brasil en Cuba: Brasil y Cuba multiplican sus relaciones económicas


El embajador brasileño, José Felicio, aseguró que las exportaciones de Cuba a Brasil aumentaron 78.5% sobre todo en productos de aplicación médica, cemento y níquel. Foto: Raquel Pérez
José Felicio es el embajador de Brasil en Cuba desde hace 2 años, en sus manos esta, entre otras cosas, la promoción de las relaciones comerciales entre los dos países. Desde que Lula fue electo presidente los intercambios económicos y de colaboración han avanzado de forma constante.
Hoy Brasil tiene a su cargo el mayor proyecto ingenieril de Cuba, la construcción del Puerto de Mariel, que será el principal de la isla. Se preparan también para crear una zona económica especial donde empresas brasileñas puedan producir medicamentos cubanos para vender al gigante sudamericano.
El Sr. Felicio aceptó conversar sobre el crecimiento de las relaciones de Cuba con Brasil en los últimos años:
R: Como usted sabe en el gobierno anterior de Brasil estaba el presidente Lula que es un gran amigo de Cuba y el mismo había decidido dar apoyo a determinados proyectos que se ejecutan acá, el prioritario es la construcción del puerto del Mariel. Es un proyecto conjunto, el gobierno cubano contribuye con el 15% del valor, que debe llegar a unos 960 millones de dólares en total.
Además ya habían empresas brasileñas acá, una de ellas es Brascuba, una empresa multinacional brasileña / inglesa que asociada a una cubana produce cigarrillos desde hace 15 años. Hay pequeños empresarios que hacen sobre todo comercio y que utiliza también de líneas de crédito oficiales que ofrece el Banco de Brasil para exportación de bienes brasileros.
Hay cooperación institucional en un importante proyecto agrícola de producción de soya y maíz, damos asistencia técnica y vienen los expertos brasileros. Brasil es un productor importante de soya en el mundo y la idea es reducir la dependencia importadora que tiene Cuba, un volumen bastante grande que pesan en las cuentas cubanas.
La cooperación en el área de la salud es un campo donde hay una excelente perspectiva, el último año Cuba exportó a Brasil 91 millones de dólares y una parte importante de eso fue en productos destinado a laboratorios, de salud pública y también productos veterinarios.
Ya existe una cooperación entre laboratorios, en Brasil hay mucho interés en la tecnología cubana que nosotros no tenemos. Hay adaptar la producción para un mercado de casi 195 millones de habitantes que necesitaría cantidades importantes.
Estamos trabajando en asociar empresas brasileras a empresas del gobierno cubano -sea acá o en Brasil- con tecnología cubana para el mercado brasileño y para ayudar en ese esfuerzo del gobierno cubano de aumentar las exportaciones.
P: Serían medicamentos genéricos lo que se produciría?
R: Todo tipo de medicamentos, hay genéricos pero también otros que nosotros no tenemos como elHeberprot-P que es un éxito acá y que ya estamos probando en Brasil. Existe interés de certificar laboratorios cubanos, nosotros esperamos este mes una misión de la agencia de vigilancia sanitaria de Brasil. Van a visitar los laboratorios y ayudar con la certificación, así las exportaciones puedan ser más fáciles incluso para exportar a otros destinos.
P: En que otros medicamentos están pensando?
R: Hay muchos: productos de aplicación veterinaria, algunas vacunas que nosotros no producimos, hay una cooperación importante en productos para combatir el dengue.
Gobiernos del norte de Brasil ya importan de Cuba productos para control de malaria, estamos trabajando con médicos cubanos y especialistas de la salud. Nosotros creemos que la perspectiva es muy buena.
En los 7 primeros meses de este año, de enero a julio, las exportaciones de Cuba a Brasil aumentaron 78.5% sobre todo en productos de aplicación médica, cemento y níquel. Las exportaciones de Brasil a Cuba aumentaron un 4.8%, es muy bueno porque aumenta un poquito la exportación de Brasil y aumenta mucho más las cubanas.
P: Equilibra un poco?
R: Disminuye de manera importante esa diferencia, el año pasado exportamos de Brasil a acá, 550 millones y Cuba casi 100 millones entonces se crea una diferencia de 400. Si podemos reducir este año esa diferencia es muy bueno porque sirve para demostrar que Cuba tiene maneras en el futuro de honrar sus compromisos financieros.
Yo como embajador no trabajo solo para las exportaciones brasileras, a mí me interesa también que exista un cierto equilibrio para prever el futuro y así es que se hacen las economías sanas en mi opinión.
P: Para abastecer de medicamentos a un país como Brasil Cuba tendría que hacer un esfuerzo enorme, ¿se está hablando de crear plantas de producción de medicinas aquí en el Mariel?
R: Cuando la presidenta Rusef estuvo en Cuba en enero de este año, tuvo una reunión con empresarios brasileros del sector de medicamentos. Ella declaró el apoyo del gobierno brasilero a los empresarios de ese sector que quieran asociarse a los cubanos para producir.
Brasil importa medicamentos porque nosotros mismo no tenemos capacidad para suministrar todo lo que necesitamos y además hay algunas tecnologías que simplemente no tenemos.
P: Les saldría más barato asociarse?
R: El sistema de salud brasilero es un gran comprador de medicamentos, compramos de Europa,  de EEUU, compramos de India. Estamos seguros de que acá, por la proximidad y por la capacidad técnica de los laboratorios cubanos se podría de producir rápidamente y exportar hacia Brasil.
El ministro de comercio de Brasil, Pimentel, estuvo en Cuba hace dos semanas, visitó el polo científico y el centro de ingeniería genética de donde salió altamente impresionado con la calidad de los profesionales y de los productos.
A su regreso a Brasil empezamos a trabajar en ese tema, vamos a seguir profundizando. En el próximo mes está prevista una visita y una reunión de tipo comercial en Brasil, posiblemente irá un ministro cubano para profundizar la relación en ese sector.
Obras del puerto de Mariel, a 50 km de La Habana, será la mayor terminal portuaria del país, la única en Cuba con capacidad de recibir los buques postpanamá. Foto: Raquel Pérez
P: Está muy claro el interés cubano en el puerto de Mariel… cuál es el interés de Brasil en desarrollar el proyecto de Mariel?
R: Bueno el interés primero es de vender servicios de ingeniería y equipo brasilero, no es una donación, estamos trabajando junto con el gobierno cubano para crear una infraestructura de transporte que nos parece que será importante para el país, según lo evaluaron los cubanos.
El gobierno de Cuba tiene contratos con empresas internacionales para hacer la gestión del puerto y nosotros todo lo que vamos a hacer es entregar el puerto y posiblemente seguir trabajando en la infraestructura de la zona de desarrollo especial de Mariel.
P: Y ahí podrían entrar todas estas fábricas de medicamentos?
R: Aquí hay una mano de obra de altísima calidad que se puede entrenar en diversos sectores, muy fácilmente y con un nivel de sueldo que es menor que en nuestros países, entonces eso es una ventaja concreta que existe en Cuba y que las empresas seguramente considerarán para invertir acá.
Un ejemplo sobre lo que estoy hablando es la constructora del puerto de Mariel. La gente que vino de Brasil y de otros países comentan la calidad de la mano de obra, gente con instrucción. Usted enseña cómo manejar una máquina y el futuro empleado se lleva el manual a su casa, lo lee, se lo aprende y en poquísimas semanas está entrenado. Eso no es así en otros países, incluso ni en el mío.
Pero mucho va a depender también de las reglas que el gobierno cubano está elaborando en este momento para regir la inversión extranjera, las ventajas de tipo tributarias que podrán ofrecer a las empresas que se instalen acá, por ejemplo.
P: El gobierno cubano les ha adelantado que habrá cambios en las reglas para la inversión extranjera?
R: Dicen que están trabajando en eso y la manera, por experiencia propia, es ofrecer ventajas. Concretamente no nos han dicho que van a hacer pero si nos han dicho que es necesario, que están trabajando en las leyes y reglamentos que deben estar listos antes de la conclusión del puerto.
P: Que sería para…?
R: El puerto se concluye dentro de año y medio más o menos, hacia fines del 2013. Hay también un trabajo de infraestructuras, habrá que hacer oficinas, edificios, galpones, para alojar a las empresas, entonces todo eso. Estamos también interesados en aprovechar esa gente que ya está entrenada en hacer otras cosas.
P: También de ingeniería…?
R: Porque ya se adquirido una experiencia importante, se está terminando una carretera de alta calidad, el puerto se está haciendo con tecnología de construcción brasilera. Habrá seguramente construcciones civiles, edificios y oficinas, ya estamos pensando en el futuro, en como aprovechar esa mano de obra que ya está entrenada y podrá hacer otro proyecto que sea conveniente para el gobierno cubano.
P: El proyecto agrícola de Ciego de Ávila, tiene como fin la alimentación o también la producción de carburante?
R: No, ese proyecto agrícola existe solo para alimentación, para producción de yogur y utilizar soya, maíz y para alimentos de animales.
P: Hay planes de una planta de biomasa?
R: Hay otra idea que está por ahí de producir electricidad con el bagazo de lo que ya se hace en Cuba, pero modernizando algunas plantas. Nosotros tenemos experiencias, nuestras plantas son eficientes y tal vez se consiga algún crédito brasilero para importar calderas y máquinas de turbina para producir  electricidad.
P: A cuánto ascienden los créditos de Brasil en la actualidad?
R: Yo no tengo el número exacto pero alrededor de 1000 millones de dólares, con el puerto y con los créditos para adquisiciones, tal vez un poco más.
P: Uno se pregunta por qué interesa Cuba a Brasil siendo una potencia. ¿Es porque los últimos presidentes de Brasil son amigos de Cuba?.  ¿Cuál es motivo?.
R: Todos los países de la región son importantes para nosotros. Lo que hacemos acá no es una donación, estamos dando  créditos y vendiendo servicios y equipos. Lo estamos haciendo en Cuba, en República Dominicana o en Panamá.
Hay cantidad de construcciones civiles a cargo de constructoras brasileñas en Venezuela, se está construyendo el metro de Caracas y Brasil participa en su industria química.
Queremos aprovechar el momento económico que estamos viviendo para ver si impulsamos a toda la región. No será posible para Brasil crecer si no si tienen cuenta a Bolivia, Paraguay, Guyana y Surinam países vecinos pobres, porque lo que va a suceder es que esa pobreza se va a trasladar.
Entonces aprovechar ese momento de Brasil, aprovechar que las empresas tienen capital y llevar nuestros servicios y equipos y aportar en reciprocidad un poco de desarrollo en esos países. Además de vender, nosotros queremos traer desarrollo para el país. Si una empresa se instala acá ya sea brasilera, española, italiana en la zona del Mariel, va a crear empleos, va aumentar la capacidad exportadora, la idea es esa.
P: ¿Las relaciones con Cuba forman parte de la estrategia regional de Brasil?.
R: Brasil es un país grande pero no es un país suficiente para enfrentar a los poderosos. Juntos nosotros somos más fuerte, si nos juntamos a toda Suramérica, Centroamérica, y el caribe somos seguramente más fuertes frente a los grandes bloques.
Esa diversificación es importante porque hoy Brasil tiene una dependencia importante de China pero ya no es tan grande como cuando era con EEUU que vendíamos el 60% de nuestra producción a un solo país. Hoy  EEUU compra solo el 18% y nuestro comercio con Argentina, con Uruguay incluso con países africanos y del medio oriente, se diversificó.
Lo que estoy diciendo, se aplica también a Argentina, a la propia Venezuela, se diversificó y la idea es esa, diversificar porque así uno reduce la dependencia. Si tuviéramos ahora en estos la dependencia de Europa por ejemplo sería un desastre.

19.9.12

Coincidências em série no julgamento do ‘mensalão’ sugerem golpe da direita

Joaquim Barbosa teria preparado um voto ideologizado, segundo críticos de sua atuação no STF
Joaquim Barbosa teria preparado um voto ideologizado, segundo críticos de sua atuação no STF
O julgamento taxado de polêmico e heterodoxo, esse do ‘mensalão’ no Supremo Tribunal Federal (STF), desenha-se, na realidade, em uma espécie de alavanca para um golpe de direita contra as instituições democráticas do país, segundo a expressão de críticos da forma como tem-se conduzido o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa (JB), monitorado pela mídia conservadora que, paradoxalmente, é alimentada com 70% dos recursos públicos destinados à publicidade estatal. Um boletim de ocorrência contra o magistrado o manteria sob constante estado de tensão, como escreveu à época o advogado e jornalista Márcio Chaer, diretor da revista Consultor Jurídico, após uma discussão entre Barbosa e o então também ministro do STF, Eros Grau:
“Eros retrucou lembrando decisões constrangedoras de JB que a Corte teve de corrigir e que ele nem encontrava mais clima entre os colegas. O clima azedou a ponto de se resgatar o desconfortável boletim de ocorrência feito pela então mulher de JB, tempos atrás: ‘Para quem batia na mulher, não seria nada estranho que batesse em um velho também’, afirmou-se”. Além do risco de ser chantageado por meios de comunicação ligados à direita, o viés ideológico demonstrado pelo ministro, durante sua trajetória no Supremo seria tão firme quanto o seu estado de espírito, o que levou o editor da publicação especializada na área jurídica a afirmar que “o idealismo de JB lembra o espírito macunaímico, comenta, a propósito do assunto, um observador bem posicionado no STF, ao celebrar os 80 anos da obra de Mário de Andrade. Macunaíma, consagrado como ‘o herói do povo brasileiro’, ao fim de sua epopéia, transforma-se em uma constelação”.
Para analistas mais astutos, tornou-se suspeita a série de coincidências verificadas no curso da Ação Penal 470, como o período de votação que chega ao seu ápice pouco antes das eleições municipais, no mês que vem; a pressão dos meios de comunicação ligados à direita e à extrema direita brasileiras para a condenação, principalmente, do ex-deputado José Dirceu; a tentativa de ligação do nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao escândalo; o ‘fatiamento’ do processo; o vazamento de informações delicadas, como a dosimetria das penas a serem aplicadas aos réus, assunto que sequer figura na pauta das próximas sessões da Corte.
“Um descuido” do gabinete do ministro Joaquim Barbosa, como foi explicado, levou a página do Supremo Tribunal Federal (STF) na internet a divulgar, na sexta-feira, as penas sugeridas pelo relator AP 470 para parte dos réus condenados pelo crime de lavagem de dinheiro. O ‘vazamento’ permaneceu no ar durante mais de 72 horas. A pena mais dura ficou para Marcos Valério: 12 anos e sete meses de reclusão, além de 340 dias-multa, com cada dia-multa igual a 10 salários mínimos, o equivalente a mais de R$ 2,1 milhões. O vazamento ocorreu no dia em que a revista semanal de ultradireita Veja publicava, na capa, uma suposta – e até agora, não comprovada – entrevista com Valério, na qual ele teria dito que o presidente Lula saberia do suposto esquema do ‘mensalão’. Horas depois, no jornal O Globo, o colunista Ricardo Noblat fala da existência de um suposto vídeo, “de quatro cópias”, no qual um desesperado Marcus Valério, diante da prisão iminente, faria revelações para divulgação imediata – “caso sofra um atentado”.

16.9.12

Saul Leblon: Serra deu uma mega-sena por mês à mídia demotucana

via Carta Maior

Na campanha presidencial de 2010, Serra deu R$17,6 milhões por mês ao dispositivo midiático demotucano para veicular publicidade do governo de São Paulo. É como se o tucano transferisse 980 salários mínimos por dia (40 salários por hora), uma Mega-Sena por mês (a deste sábado é de R$ 17 milhões) aos veículos que o apóiam. 

Durante a gestão Serra em SP (2007/2011), o governo do Estado transferiu R$ 608,9 milhões à mídia 'isenta' para comprar espaço publicitário. Significa que Serra, sozinho, repassou aos veículos que formam o dispositivo midiático conservador um valor equivalente a 30% dos gastos totais com publicidade do governo federal no mesmo período. Os valores absolutos foram publicados pela Folha deste sábado.

O auge da generosidade tucana foi no ciclo eleitoral de 2009/2010:R$ 246 milhões. A Globo foi a mais aquinhoada na gestão Serra: R$ 210 milhões, 50% do total destinado a TVs, embora sua fatia na audiência seja declinante no período: caiu de 41% para 38% do total. Serra destinou às TVs religiosas mais recursos do que à TV Cultura, cuja audiência é superior. 

A empresa de publicidade que intermediou a maioria dos contratos, ficando com 20% de comissão --como acontecia com o Valerioduto- foi a 'Lua', cujo proprietário é Rodrigo Gonzales. Rodrigo vem a ser filho do publicitário Luiz Gonzales,o marqueteiro de Serra e Alckmin, que fez a campanha presidencial do tucano em 2010 e comanda a atual, à prefeitura de SP. A agencia Lua também tem a conta publicitária da Dersa e do programa Nota Fiscal Paulista.( valores divulgados pela Folha; 15-09)