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22.7.10
Prensa Latina – “Brasil necesita erradicar la pobreza”, afirma candidata Dilma Rousseff
por Alejandro Gómez - http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=207580&Itemid=1
La candidata a la presidencia por la coalición Para que Brasil continúe cambiando, Dilma Rousseff, aseguró que la erradicación de la pobreza extrema resulta la principal tarea que demanda esta nación.
Acabar con la miseria es la condición primordial para que crezca la economía nacional, aseveró la candidata del Partido de los Trabajadores (PT), que junto al Partido del Movimiento Democrático Brasileño (PMDB), encabezan la coalición de 10 agrupaciones políticas bajo el lema Para que Brasil continúe cambiando.
En entrevista con el Programa 3 a 1, de la estatal TV Brasil, Dilma señaló anoche que las acciones del gobierno del presidente Luiz Inácio Lula da Silva para combatir la pobreza permitieron que el país saliera rápido y bien de la crisis financiera internacional.
Dilma es una de las principales aspirantes a ocupar el Palacio de Planalto en los comicios de octubre venidero, junto al candidato del opositor Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB), José Serra, quien también encabeza una coalición de varias agrupaciones políticas de tendencia de centro-derecha.
Asimismo, Dilma mencionó a la educación como el principal factor para promover una mayor inclusión social en Brasil, al tiempo que rechazó la tesis de que el país invierte en enseñanza superior y no en la educación básica, cuya calidad -apuntó- pasa por contar con profesores más capacitados y con mejores salarios.
No se logra una educación de calidad sólo con buenas edificaciones y con laboratorios, sino incrementando el valor de los profesores, primero con una buena preparación y después con salarios adecuados que atraigan a las personas más capacitados a ejercer el magisterio, sentenció la candidata presidencial.
Por otro lado, Dilma sostuvo que las políticas públicas brasileñas requieren estar enfocadas en las mujeres, toda vez que -precisó- las féminas tienen el papel fundamental en la familia, es una especie de cemento, de factor de cohesión.
Tal vez por ello, subrayó Dilma, está dado el éxito de las políticas de inclusión social y distribución de renta del gobierno Lula, porque esos programas benefician directamente a las mujeres.
La candidata presidencial defendió también una amplia reforma tributaria que incremente la base de la recaudación y alivie los impuestos de las micro y pequeñas empresas, de los salarios y de los productos esenciales, como las medicinas.
Interrogada sobre su menor carisma en comparación con Lula, Dilma apunto que lo va a compensar con mucho trabajo y agregó que ella va a honrar el legado del presidente brasileño, de quien dijo aprendió mucho en sus siete años y medio de trabajo junto a él.
En cuanto a la política externa, la candidata presidencial aseveró que no puede ser contaminada por posiciones personales ni para hacer campaña electoral hablando mal de otros países, y exaltó que Brasil necesita colocarse como líder de América Latina, que promueva la paz en la región.
"No creo que sea función de un dirigente y de un país posicionarse sobre la política interna de otra nación a no ser que quiera construir un ambiente altamente inestable en la región", resaltó.
Intruso no clube dos eleitos
21.7.10
DILMA 43% SERRA 37%:Dilma deve aparecer à frente de Serra na Vox…
Do Blog da Dilma: http://dilma13.blogspot.com/2010/07/dilma-43-serra-37dilma-deve-aparecer.html
Dilma deve aparecer à frente de Serra na Vox…
A pesquisa Vox Populi cuja divulgação está prevista para hoje foi feita entre sábado e ontem com 3 000 entrevistas. Na semana passada, o Vox fez uma pesquisa também com 3 000 pessoas por encomenda do PT. Deu Dilma Rousseff com 43% e José Serra com 37%. Como não houve qualquer fato relevante de lá para cá, a lógica indica um resultado semelhante na pesquisa que ganhará os sites a partir de hoje à noite.
Por Lauro Jardim
Por isso Serra e PSDB/DEM estão tão desesperados? A conferir.
Colômbia comemora bicentenário com "forte dependência" dos EUA
Do Opera Mundi: http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=5150
A Colômbia comemora nesta terça-feira os 200 anos de sua independência e do fim do sistema colonial, mas, assim como outros países da região, a emancipação ocorreu apenas no campo político, afirmam especialistas ouvidos pela ANSA.
"Não se pode dizer que a Colômbia é independente", opina o cientista político Jaime Zuluaga Nieto, professor da Universidade Nacional da Colômbia, que cita a "tendência ao consumismo" como uma das influências negativas dos Estados Unidos, que "acabam com a cultura local".
O governo colombiano tem hoje os EUA como principal mercado para suas exportações, tendo enviado 38% de sua produção ao território norte-americano em 2008. As duas nações ainda mantêm ainda acordos comerciais e militares, estes direcionados ao combate ao narcotráfico.
"Temos que trabalhar por uma segunda independência", avalia Zaluaga, doutor em ciência política, que vê a comemoração do bicentenário da independência como um estímulo ao nacionalismo, um sentimento "não muito grande" no país.
No mesmo sentido, o diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos de Valparaíso, no Chile, Leonardo Jeffs, acredita que o processo se limitou ao campo político. "Caímos em um sistema neocolonial", afirma o analista, que considera que a situação vai além da Colômbia, envolvendo "toda América Latina".
Há muitos grupos "que controlam o poder político" e nações que "são alheias a um processo de integração", esclarece. "Chile, Peru, Colômbia e México, por exemplo, são países partidários de investimentos estrangeiros, que optaram por um modelo de economia neoliberal", explica Jeffs.
Marcas dessa "forte dependência" é o impacto que a crise mundial de 2008, que começou nos EUA, teve nos países citados. Somente no México foi sentida a pior retração econômica em 70 anos, visto que essa nação é muito atrelada a Washington.
Quanto ao Brasil, Jeffs opina que o país vem jogando "mais para ser potência do que para lutar contra a dependência". Ainda assim, ele crê que há momentos de aproximação com a América Latina, mesmo que "tenhamos diferenças no processo de colonização".
Por sua vez, Zuluaga acredita que o Brasil, além de ser uma força econômica entre os Estados latino-americanos, é também um dos promotores do processo de integração, ideia que o especialista chileno rebate afirmando que o país de Luiz Inácio Lula da Silva "tem interesse" em se fazer presente no Cone Sul e, por isso, "não convém se afastar".
Além da Colômbia, Chile e México também comemoram o bicentenário neste ano. Bolívia, Equador, Venezuela e Argentina já celebraram a data.
CONANDA SE POSICIONA CONTRA TOQUE DE RECOLHER
Autor: Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda)
A íntegra do documento é a seguinte:
O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), principal órgão nacional do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, no uso de suas atribuições legais de deliberar e fiscalizar as políticas nacionais para a infância e juventude- reunido em sua 175º Assembléia Ordinária, aprova o presente parecer contrário ao procedimento denominado Toque de Recolher - proibição de circulação de crianças e adolescentes nas ruas no período noturno-, adotado em algumas cidades do País, por meio de portarias de Juízes da Infância e Juventude.
1) As portarias judiciais não podem contrariar princípios constitucionais e legais, como o direito à liberdade, previsto nos artigos 5 e 227 da Constituição Federal Brasileira, e nos artigos 4 e 16 do ECA - direito à liberdade, incluindo o direito de ir, vir e estar em espaços comunitários;
2) Os artigos 145 a 149 do ECA dispõem sobre as competências e as atribuições das Varas da Infância e Juventude. Os artigos citados não prevêem a restrição do direito à liberdade de crianças e adolescentes de forma genérica, e sim restrições de entrada e permanência em certos locais e estabelecimentos, que devem ser decididas caso a caso, de forma fundamentada, conforme o artigo 149;
3) O procedimento contraria a Doutrina da Proteção Integral, da Convenção Internacional dos Direitos da Criança, em vigor no Brasil por meio da Lei 8.069 de 1990 (ECA) e a própria Constituição Federal Brasileira, tendo em vista a violação do direito à liberdade. A apreensão de crianças e adolescentes está em desconformidade com os requisitos legais por submeter crianças e adolescentes a constrangimento, vexame e humilhação (arts. 5 e 227 da CF e arts. 4, 15, 16, 106, 230 e 232 do ECA). Volta-se a época em que crianças e adolescentes eram tratados como “objetos de intervenção do estado” e não como “sujeitos de direitos”. A medida significa um retrocesso, tendo em vista que nos remete à Doutrina da Situação Irregular do revogado Código de Menores e a procedimentos abusivos como a “Carrocinha de Menores” e outras atuações meramente repressivas executadas por Comissariados e Juizados de Menores;
4) Em muitos casos, a atuação dos órgãos envolvidos no Toque de Recolher denota caráter de limpeza social, perseguição e criminalização de crianças e adolescentes, sob o viés da suposta proteção;
5) Não se verifica o mesmo empenho das autoridades envolvidas na decretação da medida aludida em suscitar a responsabilidade da Família, do Estado e da Sociedade em garantir os direitos da criança e do adolescente, conforme dispõe o ECA. Inclusive, a própria legislação brasileira já prevê a responsabilização de pais que não cumprem seus deveres, assim como dos agentes públicos e da própria sociedade em geral. No mesmo sentido, por que as autoridades envolvidas no Toque de Recolher não buscam punir os comerciantes que fornecem bebidas alcoólicas para crianças e adolescentes ou que franqueiam a entrada de adolescentes em casas noturnas ou de jogos, ou qualquer adulto que explore crianças e adolescentes?
6) Nenhuma criança ou adolescente deve ficar em situação de abandono nas ruas, em horário nenhum, não só durante as noites. Para casos como esses, assim como para outras situações de risco, o ECA prevê medidas de proteção (arts. 98 e 101) para crianças, e adolescentes e medidas pertinentes aos pais ou responsáveis (art. 129);
7) Os Conselhos Tutelares são órgãos de proteção e defesa de direitos de crianças e adolescentes (arts. 131 a 136 do ECA) e não de repressão ou punição. O Fórum Colegiado Nacional dos Conselhos Tutelares já se manifestou contrariamente ao Toque de Recolher;
8) A polícia não deve ser empregada em ações visando o recolhimento de crianças e adolescentes. Nesse sentido, o Estatuto e a normativa construída nos últimos 19 anos prevêem a necessidade de programas de acolhimento com educadores sociais que façam a abordagem de crianças e adolescentes que se encontrem em situação de rua e/ou de risco. Muitas vezes, os abusos sofridos nas próprias casas geram a ida de crianças e adolescentes para as ruas. Nesses casos, a solução também não é o toque de recolher. O adequado é a atuação dos órgãos e programas de proteção, acolhimento e atendimento às crianças, aos adolescentes e às famílias. Devemos destacar que, diante de situações de risco em que se encontrem crianças e adolescentes, qualquer pessoa da sociedade pode e deve acionar os programas de proteção e/ou os Conselhos Tutelares, assim como todos da sociedade têm o dever de agir, conforme suas possibilidades, visando prevenir ou erradicar as denominadas situações de risco;
9) O procedimento do Toque de Recolher contraria o direito à convivência familiar e comunitária, restringindo direitos também de adolescentes que, por exemplo, estudam à noite, frequentam clubes, cursos, casas de amigos e festas comunitárias;
10) Conforme os motivos acima elencados, o Toque de Recolher contraria o ECA e a Constituição Federal. É uma medida paliativa e ilusória, que objetiva esconder os problemas no lugar de resolvê-los. As medidas e programas de acolhimento, atendimento e proteção integral estão previstas no ECA, sendo necessário que o Poder Executivo implemente os programas; que o Judiciário obrigue a implantação e monitore a execução e que o Legislativo garanta orçamentos e fiscalize a gestão, em inteiro cumprimento às competências e atribuições inerentes aos citados Poderes.
Nesses termos, o Conanda recomenda:
1) Que todos os municípios tenham programas com educadores sociais que possam fazer a abordagem de crianças e adolescentes que se encontrem em situações de risco, em
qualquer horário do dia ou da noite, visando os encaminhamentos e atendimentos especializados previstos na Lei;
2) Que todos os Municípios, Estados e União fortaleçam as redes de proteção social e o Sistema de Garantia de Direitos, incluindo Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente, Conselhos Tutelares, Varas da Infância e Juventude, promotorias e delegacias especializadas;
3) Que o Conselho Nacional de Justiça inclua em sua pauta de discussões o Toque de Recolher, objetivando orientar as Varas da Infância e Juventude sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade do procedimento.
Brasília, 18 de junho de 2009
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
19.7.10
Hoje é dia de “Direito à Memória e à Verdade”
Exposição sobre ditadura será aberta hoje
Do Jornal da Cidade - http://www.jcnet.com.br/detalhe_politica.php?codigo=187705
Com a presença do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), será aberta hoje em Bauru a exposição “A ditadura no Brasil - 1964/1985”. Ela integra o projeto “Direito à Memória e à Verdade”, desenvolvido pela SDH/PR desde 2006.
Por contar a história dos anos de chumbo no País, a exposição é especialmente recomendada aos que desconhecem detalhes daquele período, embora atualmente usufruam dos direitos conquistados também em virtude do esforço de homens e mulheres que foram presos e mortos por lutar pela democracia, avalia Gilberto Truijo, coordenador da comissão de Direitos Humanos da subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
De acordo com ele, ainda hoje o Brasil enfrenta resquícios da ditadura, combatidos também pelos movimentos de defesa aos direitos humanos. “Quem defende direitos humanos não defende bandido, mas um tratamento igual e humano a todos. Isso passa por boa alimentação, boa educação, boa saúde e por geração de emprego. Não adianta o Estado ofertar saúde, educação e saneamento básico, se não ofertar condições dignas de sobrevivência”, comenta Antônio Pedroso Júnior, presidente do Centro de Estudos Sociais ‘Nossa Memória Ninguém Apaga’, de Bauru.
Ele ressalta que após a abertura da exposição, o ministro fará palestra, seguida de debate, sobre a terceira edição do Programa Nacional dos Direitos Humanos, lançado pelo Presidente Lula em dezembro de 2009. O PNDH-3 reúne 521 ações programáticas para a promoção e defesa dos direitos humanos no Brasil. O documento está estruturado em seis eixos temáticos: interação democrática entre Estado e sociedade civil; desenvolvimento e direitos humanos; universalizar direitos em um contexto de desigualdades; segurança pública, acesso à Justiça e combate à violência; educação e cultura em direitos humanos e, por fim, direito à memória e à verdade.
Encaminhado ao Congresso Nacional, o plano foi alvo de várias polêmicas, inclusive em relação aos pontos que tratam da ditadura militar. “Em todos os países da América do Sul que passaram por regimes ditatoriais, os torturadores estão sendo julgados e processados. Só no Brasil que se anistia ambas as partes”, comenta Pedroso. Mas na opinião dele, os que foram contra o regime militar já foram julgados pelo próprio regime de exceção.
“Foram condenados, cumpriram cadeia, foram exilados, banidos e perderam a cidadania brasileira. Já foram punidos. Está na hora de julgar aqueles que torturaram por crime de opinião. Enquanto os opositores foram julgados e processados por um regime de exceção, eles vão ser julgados e processados por um regime democrático”, destaca.
Muitos deles foram responsáveis, inclusive, pela morte de muitos jovens como Alexandre Vannucchi Leme, líder estudantil, torturado e morto aos 22 anos durante um interrogatório, segundo garantem seus companheiros. Ele é primo do ministro Paulo Vannuchi, que também ficou preso naquela época.
• Serviço
A exposição “A ditadura no Brasil” será aberta hoje, às 19h30, na Casa do Advogado, quadra 30 da avenida Nações Unidas. O debate sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos começa em seguida.
Do Blog do Brizola Neto: A inversão de valores na Justiça Eleitoral
Embora seja triste, é bom que certas coisas aconteçam para que nós, simples mortais, vejamos que ocorrem situações incompreensíveis em nossa Justiça Eleitoral.
Pode ser que, por me faltarem conhecimentos jurídicos de enorme profundidade, recheados de citações em alemão, eu não consiga compreender certas coisas.
Postei há pouco que o Ministério Público Eleitoral levou 81 dias para representar contra o uso irregular das inserções publicitárias de José Serra – diante de milhões de pessoas - nas emissoras de rádio e TV paulistas no dia 29 de março e ainda esqueceu de juntar as gravações e transcrições. Tal fato bastou para a representação ser arquivada e ficar tudo por isso mesmo.
Também não tenho notícias de representações contra o uso irregular – irregular, nada, flagrantemente ilegal – dos horários do PPS (10 de junho) e do PTB (24 de junho) – em rede nacional de rádio e televisão, atingindo mais de 150 milhões de brasileiros.
Agora, leio que o deputado Da Costa foi multado por fazer uso irregular do twitter no dia 4 de julho. Não ficou claro na noticia que li se isso foi na representação do PT ou na do MP Eleitoral, que ingressou com representação contra o fato no dia 15, quinta-feira passada. Apenas onze dias depois, portanto.
Meus parcos conhecimentos jurídicos não me permitem alcançar tão elevada compreensão que faz com que as transgressões ocorridas em meios que atingem alguns poucos milhares de pessoas tenham precedência em relação às que atingem dezenas de milhões de eleitores.
Mas o pouquinho que sei me faz lembrar da expressão “lana caprina”, que se usa no Direito para designar as coisas irrelevantes, de pouca importância, insignificantes.
Então ficamos assim: multa-se por uma “tuitada” irregular e não se multa por uma cadeia nacional de rádio e televisão irregular, aliás avisada com antecedência por todos os jornais.
Olha, sou insuspeito para falar. É um absurdo esta multa ao senhor I. da Costa, de quem sou, talvez, um dos mais duros oponentes. Foi o seu twitter pessoal, que segue quem quiser. Todo cidadão brasileiro é livre para dizer quando quiser, onde quiser e como quiser qual é o candidato que defende. Não mudo esta opinião por ser o cidadão A, B ou C. Só o que se questiona é a entrega – aliás, proibida por lei- de um programa partidário a um integrante de outro partido, porque este horário é uma vantagem legal a que só os partidos – e não qualquer cidadão – têm direito e acesso.
Estamos diante do rigor com as miudezas e, ao mesmo tempo, de uma tolerância sem fim com as grandes transgressões.
Carta Maior: SERÁ O PICCOLO BALILLA DE SERRA UM PONTO FORA DA CURVA?
Breve apanhado do rufar dos tambores dos últimos 10 dias: a) o candidato Serra acusa o governo Lula de implantar uma república sindicalista no Brasil;b) o mesmo Serra classifica como pelegas as centrais sindicais que apoiam Dilma e, como se fora um ectoplasma de Carlos Lacerda nos idos de março de 1964, fuzila: são mais pelegas do que os pelegos do Jango; b) os jornais Folha e Estadão se esfalfam para enxertar um escândalo na campanha eleitoral, agora investindo na suposta quebra do sigilo fiscal do probo vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas; c) a indefectível VEJA assinala uma capa cujo título condensa a sofisticação intelectual contida num tanquinho de areia do maternal 1: '“O monstro do radicalismo“ --A fera petista que Lula domou agora desafia a candidata Dilma'; d) a procuradora eleitoral Sandra Cureau --nova heroína da mídia demotucana-- alardeia ameaças contra o Presidente Lula por ter mencionado o nome de Dilma Rousseff em cerimonia de licitação do trem-bala; e) no dia 16 de julho, conforme registro de Paulo Henrique Amprim, o jornal o Globo estampou na capa seis manchetes contra o Presidente Lula; f) das seis manchetes principais veiculadas pela Folha no período de 12 a 17 de julho, quatro foram contra o governo Lula; g) é nesse aluvião que devem ser avaliadas as pepitas democráticas regurgitadas pelo vice de Serra, Indio da Costa, em entrevista ao site tucano 'Mobiliza PSDB', ecoada pela Folha. Uma coisa é certa: um piccolo balilla não brota por geração espontânea; não há infância fascista sem fascismo adulto.
O polvo Paul e o burro Chico (do Carta Maior)
Se Paul fosse o burro Chico, rapidamente haveria quem dissesse que o irracionalismo é coisa daqui. Não foi o presidente da República anterior que teria afirmado que iria transformar o Brasil em um país racional?
Luís Carlos Lopes
O episódio, já fora do ar, do polvo Paul sacudiu consciências e, dependendo do gosto, caiu no folclore e no chiste diário, proporcionado pelas grandes mídias locais e internacionais. Aliás, quem não gostaria de ter um animal de estimação capaz de prever o futuro? Os felizes proprietários de mascotes deste gênero teriam seus problemas diminuídos ou mesmo extintos. Não se sabe se os donos do polvo Paul ganharam algum dinheiro ou outro tipo de vantagem com suas mirabolantes e acertadas previsões futebolísticas. Entretanto, muita gente boa soube usar do fenômeno e faturar alto nos meios de comunicação de massa do tempo presente.
Não se sabe igualmente se alguém soprou ao simpático personagem marítimo os possíveis resultados ou se foi tudo acaso mesmo. Quem sabe, se o polvo não é mais inteligente do que as mídias e realmente tem um poder especial? Há quem acredite em duendes. Por que não em um ser real, velho habitante dos mares do mundo? O que se viu, além das gargalhadas generalizadas, foi que Paul escolhia entre o zero e o um, repetindo a inteligência dos computadores. O polvo foi sempre binário, por isso não previu o empate brasileiro com Portugal... Há controvérsias...
O que o episódio demonstra é que as mídias apelam por toda parte. Não é só por aqui. O polvo Paul vive na Alemanha, país culto, um dos maiores consumidores atuais de livros, de idéias e de arte. Os alemães de hoje vão à escola, têm profissões bem estabelecidas e um nível de vida incomum, mesmo para o conjunto da Europa. O país tem inúmeros problemas e contradições, entretanto, sua realidade é muito menos dramática das conhecidas na África e na América Latina.
Paul não é haitiano, não pratica o vodu e nem fala o créole. Não vive em um país com forte tradição mágica e espiritualista. Não conhece a miséria extrema de parcelas expressivas do povo de que faz parte e nem a miséria moral correspondente. Esta última é estampada com gosto pelas grandes mídias, que adoram tragédias e fazem de tudo para que não sejam compreendidas. Se Paul é uma expressão dos alemães do tempo presente, algo está fora do lugar ou então...
Se Paul fosse o burro Chico, rapidamente haveria quem dissesse que o irracionalismo é coisa daqui. Não foi o presidente da república anterior que teria afirmado que iria transformar o Brasil em um país racional? Invertendo a assertiva, ele, sem dúvida, concordava com o De Gaulle que achava que não havia seriedade no país, e com todos os demais racistas que entendem os países do hemisfério sul como incapazes de construir algo baseado na razão. Se o polvo fosse o burro seria xingado e não teria qualquer espaço maior das mídias, mesmo que pudesse ir além da lógica limitada seguida pelo Paul. Mas, ele é alemão, por adoção, apesar de não sabermos em que mares ele teria sido capturado.
O que este episódio demonstra é que o irracionalismo cresce exponencialmente em todo o planeta. Não há maior interesse em uma compreensão objetiva da vida. Esta é entendida como um jogo de azar, onde a sorte só existe como uma dádiva. A previsão da mesma, só pode ocorrer por meio de uma operação mágica. As mídias difundem a visão apocalíptica de que não se pode compreender e modificar o que cerca a todos. Tem-se que aceitar as coisas como são postas, porque elas já foram decididas antes de existirem de fato.
Os acontecimentos dos últimos trinta anos, somados à atual crise econômica mundial – felizmente por aqui os efeitos são menores – permitiriam compreender a atual onda de retorno à magia e ao obscurantismo. Vários autores, na tentativa de compreender o que se passa, lembraram da referência medieval ou dos regimes políticos contemporâneos que assassinaram a inteligência e tentaram impedir o avanço das ciências e das artes. Para eles, haveria algo destes passados, mantido no presente com muito cuidado e com os disfarces apropriados. Não há dúvida, que estes críticos têm alguma razão.
A realidade atual não é igual à da Idade Média, porque o que se vê por toda parte é a vitória do materialismo pragmático. Neste, o mais importante são os resultados materiais, mesmo que sob a roupagem da religiosidade, tal como se assiste nos movimentos fundamentalistas puritanos, pentecostais, carismáticos, islâmicos etc. O nazifascismo e suas variações universais só existem preponderantemente em suas formas líquidas. Estas não ousam desfraldar completamente suas bandeiras e nem ocupar o centro do poder, preferindo interferir a partir de uma posição bem ancorada nas sombras do poder. Ainda assim, o irracionalismo radical tem forte espaço, por vezes, igual ou maior do que o que teve nas situações e regimes citados.
O lugar onde o monstro que odeia a razão escolheu para habitar é o das grandes mídias. Nele, pode sobreviver sem maiores problemas em simbiose com as velhas tradições e os sempre renovados sensos comuns. Em outro texto, defendeu-se a tese do culto às mídias e dos novos deuses – as personas midiáticas. Este novo culto teria tudo a ver com o materialismo pragmático do tempo presente. As mídias seriam os novos oráculos – adivinhos – que diriam às pessoas o que elas gostariam de ouvir. A idéia de que se pode prever acontecimentos através da mágica da adivinhação é muito antiga e renasceu das cinzas no mundo atual.
Não se precisa mais observar as tripas das aves, a direção de queda do sangue de um animal abatido, nem mesmo olhar as estrelas. Nas mídias, as respostas seriam encontradas, mediadas pelos novos semideuses(as), modelos de virtude e de perfeição sobre-humana. Os novos oráculos não precisariam mais de poços, de fumaças, de cegos e de pitonisas. Suas respostas passaram ser mais diretas e se houver erros é porque não se soube interpretar corretamente os sinais. A vida concreta teria empalidecido frente ao poder imenso do Big Brother contemporâneo.
Luís Carlos Lopes é professor e escritor.