20.9.10

Os cursos apostilados e o MEC (do Brasilianas.org)

Desde janeiro último, as escolas públicas municipais não são mais obrigadas a receber livros didáticos do Ministério da Educação (MEC). O Decreto nº 7.084/2010 estabelece que, a partir de 2011, só receberão o material as escolas que aderirem ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Sob a justificativa de que a medida conterá os desperdícios - já que muitas obras acabam sendo estocadas em instituições de ensino - o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia ligada ao MEC e responsável pela execução do PNLD, também espera que os municípios que resolveram não aderir ao programa, e optaram por contratar sistemas privados de ensino, expliquem à sociedade as razões da decisão.

Segundo o FNDE, 222 municípios não receberão os livros didáticos, que são distribuídos todos os anos e gratuitamente. Desse total, 143 estão em São Paulo. Boa parte das prefeituras decidiram manter materiais didáticos baseados nas apostilas, sistemas que têm ganhado espaço no estado e gerado discussão entre especialistas em educação e gestores públicos. Geralmente, o custo deste tipo de serviço – que pode incluir assessoramento pedagógico ao professor por telefone - varia de R$ 120 a R$ 200 por aluno.

A reportagem de Brasilianas.org conversou com a especialista em educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Sonia Regina Miranda, que também coordenou o processo de avaliação de livros didáticos de História do PNLD que serão distribuídos em 2011. Segundo ela, o processo de “apostilamento” transcende a dimensão do controle público e, portanto, da qualidade do material que está sendo utilizado nas escolas. “As apostilas que já vi na área de história, paulistas, seriam facilmente eliminadas no processo de avaliação do MEC”, afirma.
Confira, abaixo, os principais pontos da entrevista.

Adesão, ou não, dos municípios

 A não obrigatoriedade de o município receber livro é positiva, pois se está lidando com dinheiro público. Na circunstância de uma entrega compulsória de livros, nas mais diversas regiões, as formas pelas quais o professor usa, via de regra, transformam o livro didático no espaço da sala de aula. Mas muitas vezes esses usos envolvem a não-adoção do livro e a não-consideração do livro como material válido.

 São muitos os casos que vemos Brasil a fora, de escolas que receberam acervos de livros didáticos, e os acervos ficaram empacotados. Esse empacotamento representa uma sobra no programa. 



Publicização das escolhas

 A maior dimensão da importância do PNLD está exatamente no caráter público e na condição de controle público daquilo o que se faz, usa e se apresenta como material didático. Quando uma prefeitura opta por não usar, aquilo é transformado em informação pública. A opção pela não-adoção do PNLD está menos ligada a decisões que envolvem articulações muito originais, muito robustas, de projetos pedagógicos nas escolas, do que a adoção dos sistemas de apostila, o que é muito preocupante.



Sistemas privados de ensino

 As apostilas que já vi na área de história, paulistas, seriam facilmente eliminadas no processo de avaliação do MEC.

O processo de exclusão de uma obra didática, na avaliação do MEC, é muito rigoroso. Ela é avaliada sob vários pontos-de-vista: metodológico; condições de aprendizagem; qualidade física; defasagens informativas etc. As apostilas que tive a oportunidade de observar incorrem em vários quesitos, que levariam um livro didático à exclusão. Se ela entra no processo de avaliação, corre o risco de não ser aprovada.

Quando uma prefeitura adere a um sistema desses, muitas vezes sem licitação, e gastando recurso público infinitamente maior do que aquele recurso que o próprio ministério pagaria por livro, além de tudo o que acarreta na questão do recurso público, ou seja, do dispêndio de dinheiro público, ainda se tem a impossibilidade de saber qual seria a condição real daquele sistema privado. Muitas apostilas vêm cobertas de encantos e de mecanismos de sedução, que muitas vezes são armadilhas perigosas para a escola e para o professor.

Quando se entra com uma apostila de um sistema privado, muitas vezes feitas em condições obscuras, ou até com autorias omitidas, e sem qualquer mecanismo de controle público, passa-se a ter, no sistema de ensino público, a possibilidade de se engendrar práticas que precisam ser revistas e discutidas. Isso tudo chama atenção, até porque o programa de livro didático brasileiro é um dos maiores programas públicos do mundo. Na Espanha, por exemplo, não há qualquer medida de ação do Estado com relação ao livro didático.



Inexigibilidade de licitação

Quando se procede a avaliação pedagógica, o principio para a compra dessas obras, pela União, passa a ter o funcionamento do princípio de inexigibilidade de licitação, que é prevista na Lei nº 8.666.

Ou seja, aquelas obras passaram por um crivo público e estão habilitadas, portanto, para serem usadas em função de opções que são plurais, distintas e legítimas. E, assim, o MEC prioriza o desejo e a escolha das escolas, além da idéia de que cada unidade escolar deve cuidar gestar e executar, autonomamente, seus projetos pedagógicos.

Quando uma empresa dessas [fundações, editoras, institutos etc.] submete ao setor público um sistema de apostila, e isso é comprado sem licitação, aí você muda o cenário, pois não houve uma instancia pública que avaliasse a qualidade dessas obras.

Para o PNLD, você teve essa instância pública que é representativa, acadêmica, preocupada, por exemplo, com a dimensão dos rumos da ciência em cada área de conhecimento e antenada para questões fundamentais que envolvem a preservação de uma qualidade mínima de uma obra didática.



Os livros didáticos

 Durante muito tempo se acreditou que o livro didático era o grande elemento prescritivo da prática da sala de aula. Com o passar do tempo, as próprias pesquisas no campo da história da leitura, tem mostrado que ao se apropriar do livro, o professor coloca em movimento, para o uso do livro, os elementos do repertório pedagógico que ele vai construindo na sua vida prática, aquilo que ele vai filtrando como elementos válidos, aquilo que filtra de outros livros e de outras leituras que faz do mundo.

Na verdade, o que temos visto é que o uso do livro didático na sala de aula abre a condição de se enxergar cenários muito inventivos e transformadores. Existem os professores que seguem o livro à risca e o transformam em um currículo semi-estruturado? Existem, mas o fato é que o livro permite usos muito maleáveis.

Quando se opta pela apostila, ela já vem condicionada, muitas vezes, a um discurso de sistema que propõe um programa, em função do qual haverá uma avaliação educacional de larga escala, o sistema será premiado, o professor receberá aumento de salário, e aí você terá uma roda-viva. O que tenho acompanhado é que as apostilas vêm a partir de prescrições de programas de uma maneira mais centralizada e vinculadas a uma avaliação de larga escala. É um material veiculado a uma proposição de resultados.

Trata-se de uma discussão política, que tem muitas implicações. Não adotar o livro didático traz um conjunto de outras coisas por trás: uma cultura de avaliação; proposta de escola gerida empresarialmente, para ser uma escola de resultados; uma demanda pública de que cabe entregar ao professor alguma coisa pronta para que ele execute. Há uma concepção pedagógica de fundo, perigosa.


Por Bruno de Pierro em Luis Nassif Online

18.9.10

Carta capital a um jornalista do futuro

Remeto-lhe essa mensagem com a esperança de que zele para que parte da história da imprensa seja contada de forma a que esteja preservada a verdade dos fatos, como eles ocorreram realmente; para que não prevaleça apenas a versão deturpada dos “donos do poder”.

Lula Miranda


Prezado Jornalista,

Escrevo-lhe do Brasil, cidade de São Paulo, em meados de Setembro do ano de 2010 (a caminho da sagração da Primavera). Peço-lhe o máximo de paciência [a prosa será por demasiado extensa], cuidado, ponderação e desprendimento ao ler esse depoimento/testemunho. Intuo que um calendário, na parede à sua frente, registre um ano qualquer na segunda metade desse século XXI. Certamente, se tomar como parâmetro a realidade dos tempos que você vivencia aí, aquilo que chamaria grosseiramente de “übermídia”, achará absurdos, inacreditáveis mesmo, os fatos que passarei a lhe narrar. Mas, asseguro-lhe, trata-se da mais pura verdade (a tal “factual”).

Estou seguro de que o seu “olhar épico” propiciará um julgamento e uma visão mais eqüidistante e reveladora dos dias difíceis que vivemos por aqui. Remeto-lhe essa mensagem com a esperança de que zele para que parte da história da imprensa seja contada de forma a que esteja preservada a verdade dos fatos, como eles ocorreram realmente; para que não prevaleça apenas a versão deturpada daqueles que chamamos de “donos do poder” [ver Raymundo Faoro].

Aqui, nos dias que correm e, em verdade, desde sempre, os principais veículos de comunicação pertencem a cerca de meia-dúzia de famílias [sim, por incrível que pareça tal oligopólio existe e, o que é pior, ainda é permitido]. Dá para você imaginar o que disso resulta em termos de controle e manipulação da informação? Compreendo ser difícil você ter a mais remota idéia do que essa realidade que vivemos hoje significa [algo aos seus olhos tão distante, extemporâneo, atrasado, estapafúrdio e espúrio], mas...

Digo-lhe ainda outra [impropriedade]: os proprietários desses veículos são aqueles aos quais esses mesmos meios deveriam fiscalizar. Grandes empresários e/ou parlamentares são donos [ou sócios majoritários] dos principais jornais, revistas, redes de rádio e televisão, e suas retransmissoras – até portais de internet. Já pensou no absurdo dessa situação?! Ou seja: a raposa no encargo de tomar conta do galinheiro. Impensável, não?

Esses veículos trabalham em sintonia e em rede. “Claro! Como conseqüência do avanço da tecnologia das comunicações” – exclamaria você, inocentemente. Não propriamente, esclareço. A “sintonia” e a “rede” funcionam aqui com o seguinte significado e fim: todos os veículos, mancomunados, em “sintonia fina”, transmitem de maneira massiva a mesma versão dos fatos e, claro, só os temas e notícias que interessam à preservação do status quo. Estão todos a serviço dos conservadores de sempre, aqueles que querem manter as coisas exatamente como estão; os que defendem o estabelecido [os já citados “donos do poder”].

Captou a nuance da coisa? Tentando ser ainda mais claro: quando eles desejam se ver livre de algum ministro ou alto funcionário do governo que está atrapalhando seus negócios e interesses, ou mesmo se livrar de algum membro do partido desse governo (ou de um partido aliado do governo), ou ainda, em última instância, quando querem/desejam derrubar o próprio presidente começam a “operação bombardeio”. Exemplo de caso: um determinado veículo [por exemplo, a revista Veja, cuja tiragem já foi de um milhão de exemplares, hoje, caindo, na casa dos oitocentos mil] dá como matéria de capa um suposto escândalo contra determinado integrante da máquina pública. Então, na seqüência, o principal noticiário da rede de televisão [o jornal Nacional da Rede Globo – audiência também cadente] dá a notícia com pompa e circunstância. Em seguida, quase sempre de modo simultâneo, todos os demais veículos esquentam e repercutem essa matéria até transformar aquele “suposto” escândalo num fato consumado. Com esse ardil, aprenderam a forjar “novas realidades” ou “supra-realidades”, bem como “novas” lógicas e linguagens, muito semelhantes à “novilíngua” e ao “duplipensar” [ler “1984” de George Orwell].

Um dos dois maiores jornais daqui de São Paulo [com circulação em todo o Brasil], tamanho é o seu parcialismo às escâncaras, que foi recentemente ridicularizado, em escala global, com piadas e mensagens sarcásticas no Twitter [foi trending topic: com cerca de 50.000 mensagens postadas!]. Ou seja: exagerou tanto na dose que se tornou motivo de zombaria na rede. Sobre esse veículo pesquise os seguintes termos ou expressões: “ditabranda” e “ficha falsa da Dilma”. Veja a que ponto seus editores chegaram, a que nível baixaram! É de estarrecer.

Porém, reitero o devido registro, talvez até por se utilizarem desses artifícios antiéticos, capciosos, esses veículos estão perdendo, a cada dia, mais e mais leitores, condenados que estão ao descrédito – e, você bem sabe, a credibilidade é o maior patrimônio intangível de uma empresa de comunicação. A falta de credibilidade certamente os conduzirá, de modo célere, à bancarrota.

Peço-lhe desculpas, pois sei que falo sobre coisas que há muito deixaram de existir aí no seu tempo: revistas, jornais, televisão, Veja, Rede Globo etc. Imagino que aí, na segunda metade do séc. XXI, a internet holográfica (em 3D) e a blogosfera sejam as principais fontes de informação. Por aqui ainda vivemos a expectativa desse auspicioso “porvir”. Mas a blogosfera já se insinua como a ponte que nos auxiliará nessa grande e instigante travessia.

As redações dos grandes veículos da mídia, nos dias de hoje, têm, como se fossem supermercados, um verdadeiro estoque de falsas denúncias. Metaforicamente falando, são prateleiras e mais prateleiras onde estão dispostas, e muito bem organizadas [por partido, por grupo de interesse, por esfera de governo (federal, estadual e municipal), por cargo na hierarquia governamental etc.], denúncias diversificadas, “escândalos” variados. Tem escândalo para toda hora e ocasião.

“Mas não é exatamente essa a função dos jornalistas: vigiar governos, instituições e fazer denúncias?” – ponderaria você, com legítima razão. É verdade. Mas o “demônio” se esconde nos detalhes – como se diz por aqui. O problema é que os grandes veículos nos dias de hoje só fazem denúncias contra os partidos desse governo que aí está, de um perfil e estrato mais popular, e nenhuma crítica ou denúncia para valer contra os partidos das elites conservadoras, que desejam a todo custo e meios retomar o poder. Outra: a maior parte dessas denúncias é nitidamente falsa ou manipulada; muitas delas são “plantadas” pelas máfias da política e da imprensa, algumas são grosseiras “armações”. Acredite no que lhe digo.

Quem são/eram os “fornecedores” dessas denúncias ardilosas? Os jornalistas compactuavam/aceitavam esse estado de coisas? São perguntas mais do que legítimas, óbvias, e sei que você as está formulando nesse exato instante. Com relação aos fornecedores, num dado instante, houve uma deturpação do chamado “jornalismo investigativo”. Jornalistas passaram a se utilizar dos serviços de estelionatários e “arapongas” [inclusive ex-agentes da época da ditadura] que, por sua vez, se utilizavam de métodos similares aos utilizados pelas máfias – foi aí, tudo indica que, o jornalismo se irmanou ao crime e começou a cair em desgraça.

Já sobre o silêncio e cumplicidade, tenho uma teoria, pois testemunhei inúmeros casos: basta dar a um jornalista trinta, cinqüenta e até cem mil “dinheiros” [converta à moeda da sua época] de salário por mês que esse indivíduo, como num passe de mágica, se transforma e passa a falar com a voz do chefe, e a pensar com a cabeça do patrão. Os demais, os “focas” ou os jornalistas “proletários”, são, quase sempre, pessoas honestas, decentes, mas nada podem fazer por medo de perder o emprego (têm muitas bocas a alimentar – daí utilizar-me do termo “proletários”). Em face disso, creio, o mau-caratismo começou a prevalecer.

Tem também a questão do “mensalão” da mídia [“Mensalão” - rótulo que a grande mídia deu a esquema de caixa 2 dos partidos da base aliada ao atual governo]. Mas esse tema requer uma outra carta.

Sei que você deve estar pensando que tudo isso é absurdo, vergonhoso e se indagando como é possível que jornalistas e cidadãos em geral se submetessem a esse estado de coisas. Saiba que, para mim, é deveras constrangedor confessar-lhe que vivi nesses tempos de vergonha e infâmia. Porém, informo-lhe, apenas para registro, por mais incrível que isso possa lhe parecer, quando reclamávamos disso (perante o Congresso e as instituições) éramos estratégica e maliciosamente rotulados de “stalinistas”, de “inimigos da democracia”, e de que estávamos cometendo um atentado contra a liberdade de imprensa; redargüíamos, tentávamos explicar, incessantemente, diuturnamente, que estávamos indo em verdade, não contra, mas a favor desse “princípio dos princípios” – de nada adiantavam os nossos argumentos. Assim tentavam nos calar e impediam qualquer tentativa de democratização dos meios, ou mesmo qualquer embrionária iniciativa que visasse esse fim.

Veja bem, o que buscávamos era exatamente uma imprensa livre! Livre por princípio. Livre das sombras, das amarras e dos ditames dos interesses escusos dos patrões e seus grupos de pressão. “Utópicos”, “idealistas”, desejávamos exatamente uma imprensa livre, libertária e comprometida apenas com a verdade factual e a serviço de todas as classes [com ênfase, claro, nos desassistidos e nos trabalhadores]; a serviço do homem enfim. Acredite se quiser, mas, como disse, é a pura verdade.

Desculpe-me ter me utilizado de excessivo número de caracteres nessa comunicação. Ainda somos demasiadamente “prolixos” e pretensamente “literários”. Saudações de tempos pretéritos.

Lula Miranda

Lula Miranda é poeta e cronista. Foi um dos nomes da poesia marginal na Bahia na década de 1980. Publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa, Fazendo Média e blogs de esquerda.

Os jornalistas tucanos, por Marcos Coimbra

Quando, no futuro, for escrita a crônica das eleições de 2010, procurando entender o desfecho que hoje parece mais provável, um capítulo terá de ser dedicado ao papel que nelas tiveram os jornalistas tucanos.

Foram muitas as causas que concorreram para provocar o resultado destas eleições. Algumas são internas aos partidos oposicionistas, suas lideranças, seu estilo de fazer política. É bem possível que se saíssem melhor se tivessem se renovado, mudado de comportamento. Se tivessem permitido que novos quadros assumissem o lugar dos antigos.

Por motivos difíceis de entender, as oposições aceitaram que sua velha elite determinasse o caminho que seguiriam na sucessão de Lula. Ao fazê-lo, concordaram em continuar com a cara que tinham em 2002, mostrando-se ao País como algo que permanecera no mesmo lugar, enquanto tudo mudara. A sociedade era outra, a economia tinha ficado diferente, o mundo estava modificado. Lula e o PT haviam se transformado. Só o que se mantinha intocada era a oposição brasileira: as mesmas pessoas, o mesmo discurso, o mesmo ar perplexo de quem não entende por que não está no poder.

Em nenhum momento isso ficou tão claro quanto na opção de conceder a José Serra uma espécie de direito natural à candidatura presidencial (e todo o tempo do mundo para que confirmasse se a desejava). Depois, para que resolvesse quando começaria a fazer campanha. Não se discutiu o que era melhor para os partidos, seus militantes, as pessoas que concordam com eles na sociedade. Deram-lhe um cheque em branco e deixaram a decisão em suas mãos, tornando-a uma questão de foro íntimo: ser ou não ser (candidato)?

Mas, por mais que as oposições tivessem sido capazes de se renovar, por mais que houvessem conseguido se libertar de lideranças ultrapassadas, a principal causa do resultado que devemos ter é externa. Seu adversário se mostrou tão superior que lhes deu um passeio.

Olhando-a da perspectiva de hoje, a habilidade de Lula na montagem do quadro eleitoral de 2010 só pode ser admirada. Fez tudo certo de seu lado e conseguiu antecipar com competência o que seus oponentes fariam. Ele se parece com um personagem de histórias infantis: construiu uma armadilha e conduziu os ingênuos carneirinhos (que continuavam a se achar muito espertos) a cair nela.

Se tivesse feito, nos últimos anos, um governo apenas sofrível, sua destreza já seria suficiente para colocá-lo em vantagem. Com o respaldo de um governo quase unanimemente aprovado, com indicadores de performance muito superiores aos de seus antecessores, a chance de que fizesse sua sucessora sempre foi altíssima, ainda que as oposições viessem com o que tinham de melhor.

Entre os erros que elas cometeram e os acertos de Lula, muito se explica do que vamos ter em 3 de outubro. Mas há uma parte da explicação que merece destaque: o quanto os jornalistas tucanos contribuíram para que isso ocorresse.

Foram eles que mais estimularam a noção de que Serra era o verdadeiro nome das oposições para disputar com Dilma Rousseff. Não apenas os jornalistas profissionais, mas também os intelectuais que os jornais recrutam para dar mais “amplitude” às suas análises e cobertura.

Não há ninguém tão dependente da opinião do jornalista tucano quanto o político tucano. Parece que acorda de manhã ansioso para saber o que colunistas e comentaristas tucanos (ou que, simplesmente, não gostam de Lula e do governo) escreveram. Sabe-se lá o motivo, os tucanos da política acham que os tucanos da imprensa são ótimos analistas. São, provavelmente, os únicos que acham isso.

Enquanto os bons políticos tucanos (especialmente os mais jovens) viam com clareza o abismo se abrir à sua frente, essa turma empurrava as oposições ladeira abaixo. Do alto de sua incapacidade de entender o eleitor, ela supunha que Serra estava fadado à vitória.

Quem acompanhou a cobertura que a “grande imprensa” fez destas eleições viu, do fim de 2009 até agora, uma sucessão de análises erradas, hipóteses furadas, teses sem pé nem cabeça. Todas inventadas para justificar o “favoritismo” de Serra, que só existia no desejo de quem as elaborava.

Se não fossem tão ineptas, essas pessoas poderiam, talvez, ter impulsionado as oposições na direção de projetos menos equivocados. Se não fossem tão arrogantes, teriam, quem sabe, poupado seus amigos políticos do fracasso quase inevitável que os espera.


Marcos Coimbra

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.

Sem grandes comentários: Essa é a nossa PRESIDENTE

6.9.10

SOS PARQUE DA ÁGUA BRANCA

Os frequentadores do Parque da Água Branca estão sendo surpreendidos com intervenções na vegetação e nos espaços edificados. A explicação para estas intervenções começaram a aparecer na imprensa, após as reclamações dos frequentadores sobre a descaracterização do Parque.
Foi amplamente noticiado que a Presidente do Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado, Sra. Deuzeni Goldman, que assumiu este cargo em abril deste ano, com a posse do seu marido como governador, quer deixar uma marca na sua gestão e fazer melhorias no Parque, onde fica a sede da instituição que preside. A depender da fonte, uma verba de 5 a 12 milhões de reais será utilizada em contratos emergenciais para a realização de projetos antigos de reparos, manutenção e prevenção e outros sugeridos pela Sra. Deuseni. E segundo alguns funcionários do Fundo, esta verba deve ser utilizada até novembro deste ano, caso contrário, deverá ser devolvida aos cofres da Fazenda do Estado.
O tempo disponível para elaboração/revisão de projetos, orçamentos e concorrências públicas (pelo menos duas obras ultrapassam um milhão de reais, de acordo com as placas afixadas) é extremamente curto, quase impossível de ser cumprido em se tratando da esfera pública. Com o argumento de obras emergenciais, que dispensam licitações, várias intervenções foram ou estão previstas de serem realizadas sem que os projetos e detalhamentos tenham sido apresentados e debatidos com o Conselho Consultivo do Parque, onde a Associação dos Ambientalistas e Amigos do Parque da Água Branca tem assento, ou mesmo tenham sido apresentadas previamente e publicamente, em respeito aos assíduos frequentadores. 
O Parque da Água Branca tem uma característica singular, que o difere de todos os outros parques da capital, que é justamente a paisagem rural, meio mata (floresta urbana), meio fazenda. Com nascentes, frondosas árvores e belos e agradáveis jardins que se desenvolveram naturalmente. Com muitas aves soltas e alguns mamíferos convivendo livremente há anos com os frequentadores. Caracteristica tão importante para o patrimônio ambiental, cultural e histórico da cidade que em 1996 o Parque foi tombado pelo CONDEPHAAT, que determina que a paisagem DEVE ser preservada, juntamente com os prédios.
Por todos esses motivos, dezenas de frequentadores estão se mobilizando e questionando as intervenções realizadas pelos gestores do Parque – uma gama tão grande de obras e propostas está levando em conta que se deve preservar esta as caracteristicas singulares? Existe um plano de manejo ambiental? Todas as obras e intervenções são realmente emergenciais? Porque a população que frequenta e muitas vezes assume o cuidado com o Parque devido a omissão de serviços dos gestores públicos não foi consultada previamente?
A Associação Amigos do Parque solicitou reuniões para esclarecimentos aos gestores do Parque e finalmente em agosto, três reuniões foram realizadas, com a presença do Diretor, técnicos (engenheiros agrônomo e florestal) da Secretaria de Agricultura e  frequentadores. Nestas reuniões foram apresentadas informações a respeito das várias intervenções.
Com as informações oferecidas nas reuniões e pela imprensa, atualmente sabemos que:
    * A vegetação do parque que ficava na lateral da Rua Ministro Godoy foi removida para ser criada no local uma trilha para observação de árvores – Trilha do Pau Brasil.

    * Os estacionamentos estão fechados para reforma.

    * O uso do estacionamento de carros dentro do Parque será cobrado e para isso, os serviços serão terceirizados.

    * O sistema de galerias de coleta de água pluvial vai ser reformado e serão realizadas alterações no Bosque das Palmeiras (atualmente sem acesso para o público) com a remoção de algumas espécies e criação de uma nova trilha que se aproxima de uma das nascentes do parque. Esta trilha terá piso de madeira e piso intertravado, também serão reformados os tanques de peixes desta área e uma de suas laterais será calçada com piso intertravado, onde estão localizados os aparelhos de ginástica e a casa do cabloco. Está previsto também um deck sobre o lago negro.
    * Será implantado novo sistema de iluminação para o Parque ficar aberto até as 22h.

    * Mais de 30 árvores foram cortadas e outras 40 também serão, por terem concluído seu ciclo natural de vida ou por estarem apresentando problemas de segurança (risco de cair) segundos avaliação dos técnicos do governo.
    * Será drasticamente reduzida a população de aves soltas (marrecos, galos, gansos, patos, pavões etc),  e/ou serão todos mantidos engaiolados.

    * Algumas edificações estão sendo restauradas com troca do telhado e nova pintura externa.

    * O Tattersal foi reformado e agora é um auditório equipado

    * O asfalto dos passeios e alamedas serão substituídos por concreto.
    * Onde há muito tempo foram os viveiros foi criada a praça de leitura, com piso de pedrisco.
    * O espaço para pic-nic será reequipado.
    * Um dos prédios será destinado a uma praça de alimentação.
    * Será criada a praça do café, com a instalação de um café no local.
    * Será criada a praça das orquídeas.
    * O aquário será ampliado.
    * O pergolado será restaurado e ganhará um deck para eventos.

  Nas discussões realizadas, os frequentadores do Parque externaram que as obras de recupeação e manutenção há muito tempo eram necessárias e são bem vindas, mas há uma grande preocupação com as intervenções que possam causar a descaracterização do Parque. Ficou evidente que:
   * Os projetos não conversam entre si e não existe um plano geral de manejo ambiental.
  * Há uma clara divergência entre os conceitos de Parque que orientam as propostas dos técnicos e a defendida pelos frequentadores. Não está evidenciada nas propostas dos técnicos a preservação das atuais características do parque que são um patrimônio histórico, cultural, paisagístico e ambiental da população de São Paulo.
   * Existe uma grande influência da Presidente do Fundo na administração e intervenções propostas para o Parque.
  * Não há interesse dos gestores do Parque em construir as propostas com os frequentadores.
Mais grave ainda são as alterações que influenciarão diretamente no equilíbrio do ecossistema do parque, com graves consequências para a fauna e a flora, como a implantação de iluminação noturna para manter o Parque aberto até as 22h, retirada de vegetação, aproximação do público às nascentes, redução e aprisionamento das aves e muitas obras acontecendo ao mesmo tempo. Estas intervenções já estão afugentando as aves dos seus locais, sem que uma alternativa de cuidado tenha sido criada.  

* Qual será o impacto de todas essas intervenções para a fauna e flora a curto, médio e longo prazos? Foi feito um estudo sobre isso?
 * O que justifica a retirada de vegetação? Porque cobrir a terra com pisos e pedriscos? Porque aprisionar as aves?
 * Qual é a garantia de manutenção futura do Parque? Haverá recursos financeiros e pessoal técnico especializado – agrônomos, jardineiros, veterinários – para a boa gestão e manutenção? Qual a garantia de que o Parque não ficará a mercê da descontinuidade das mudanças políticas e a cada novo gestor, novas alterações?
 Os amigos e frequentadores do Parque estão organizados e realizando várias ações para reverter essa situação. Uma delas foi protocolar um requerimento à Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público de São Paulo, apresentando os fatos e requerendo que:

a)  As obras e ações interventoras do Parque Água Branca sejam imediatamente suspensas até que, de fato, sejam avaliados os impactos ambientais decorrentes de tais ações e obras efetivamente implantadas, além de outras já anunciadas, quer seja pela mídia, quer seja pelo conhecimento dos moradores da região e frequentadores do Parque, sob pena de serem irreversíveis as medidas futuras a serem adotadas;
b)  Sejam efetivamente protegidas a fauna e a flora, não sendo desrespeitados como está ocorrendo, pois os animais estão sendo acuados, estão assustados com toda a movimentação e não há nenhum sinal se preocupação com relação a esse fato, de tal maneira que eles se encontram à mercê da própria sorte ou da proteção limitada de frequentadores do parque;
c)    Os amigos e frequentadores do Parque participem efetivamente das decisões que o afetam e não sejam colocados como meros espectadores do evento ou simplesmente informados dos acontecimentos.
 Informações, documentos, decretos, fotos e manifestações estão sendo postados nos seguintes blogs:
 Somos favoráveis à revitalização e manutenção do Parque da Água Branca desde que as ações e projetos sejam sustentáveis, respeitem a natureza e a característica rural e de educação ambiental do Parque da Água Branca.
Setembro de 2010.

O VERDADEIRO TIME DE SERRA

VEJA + QUE MENTIRA

4.9.10

Animação incrível recria a vida de milhões de brasileiros

A incrível animação Tá na Rua, produzida pela Instituto Marlin Azul, do Espírito Santo, impressiona pela criatividade na hora de retratar a vida de milhões de brasileiros que vivem nas periferias das grandes cidades do país. A peça foi mais uma das seis premiadas na segunda edição do Prêmio Cultura Viva, idealizado pelo Ministério da Cultura.




Notícias e Análises - PIG e Serra botaram a camisa nos seqüestradores do Abílio Diniz



José Serra e o PIG vêm dizendo que o portador da autorização falsa para entrega das cópias das declarações do imposto de renda da filha do tucano seria filiado ao PT – o que não é verdade. Parece a eleição de 1989, quando a polícia e a mídia usaram o seqüestro do empresário Abílio Diniz para impedir a eleição de Lula, associando falsamente os seqüestradores ao PT. A história se repete, agora como farsa.

No momento em que escrevo, a propaganda o candidato tucano à presidência da República, José Serra, na televisão acaba de usar manchetes de jornais do PIG para afirmar que o portador do documento falso usado para supostamente violar o sigilo fiscal da filha do tucano seria filiado ao PT. Antonio Carlos Atella Ferreira, contudo não é filiado ao Partido dos Trabalhadores, como mais tarde o próprio PIG teve que admitir.

(…) ele nunca participou de qualquer órgão de direção partidária, nem de qualquer evento, seminário, reunião ou atividade, não tendo nunca cumprido quaisquer obrigações estatutárias, nem mesmo sequer comparecido para votar em quaisquer dos nossos processos eleitorais internos.
(Nota do PT paulista sobre a suposta filiação de Antonio Carlos Atella Ferreira ao partido)
Segundo a versão atual divulgada pela Folha de São Paulo, o falso “procurador” teria solicitado em 2003 sua filiação ao PT, mas um erro de grafia o impediu de constar da lista de filiados no TRE e nos bancos de dados petistas. É bom esclarecer que ele nunca buscou corrigir esse erro, o que, junto com a completa falta de participação na vida partidária, indica que não tinha mesmo vínculo com o petismo.

Infelizmente, no Brasil de hoje em que basta assinar um papel para se filiar a um partido, muitas vezes pessoas sem qualquer afinidade ideológica ou vontade de atuar acabam por assinar fichas de filiação (induzidos por terceiros ou por vontade própria), mas acabam não atuando nos partidos.
Essa situação lembra mesmo, como diz Serra, a campanha de 1989. Mas, ao contrário do que ele insinua, quem está no lugar de Lula é Dilma, vítima de mais uma armação da imprensa e da elite e sua representação política – o PSDB. 

Durante aquele período eleitoral, um grupo de chilenos militantes do grupo guerrilheiro MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária, o qual lutava contra a ditadura de Pinochet, que ainda não havia terminado), com o auxílio de um brasileiro, Raimundo Rosélio da Costa Freire, militante da organização que daria origem ao PSTU, e que até então havia participado da luta de libertação na América Central, seqüestrou o empresário Abílio Diniz, dono do Grupo Pão de Açúcar. O seqüestro fracassou, e os militantes foram presos. Porém, para usar todo o peso do anticomunismo que sobrevivera à ditadura militar brasileira (estávamos na primeira eleição para presidente após a redemocratização), a polícia colocou material de campanha de Lula junto ao arsenal utilizado pelos seqüestradores – que em momento algum se envolveram na campanha eleitoral, queriam unicamente financiar a luta na Nicarágua e no Chile. Assim descreve Raimundo Rosélio o desfecho do seqüestro:

No dia 16 de dezembro, um dia antes [do segundo turno] das eleições, sábado, a polícia paulista, mediante o uso da tortura, conseguiu chegar até a residência onde o Empresário se encontrava seqüestrado. […] Coube a Humberto, o líder do grupo, a responsabilidade de conduzir os policiais até o cativeiro, no bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo.
No entanto, ao chegar ao cativeiro, às 5 horas da manhã, os policiais foram emboscados pelo grupo restante que estava dentro da casa […], que conseguiu resgatar Humberto e resistir à ação policial, até o dia seguinte, quando se renderam […]

Um dos integrantes, responsável pelas negociações do pagamento do resgate e da guarda do Abílio Diniz, recorda que, ao resgatar o companheiro ferido em poder dos policiais, de imediato, percebeu a manipulação das camisetas: “recorda Freire, que só teve um momento de pânico, quando Humberto Paz voltou ao cativeiro, após ser torturado, vestindo uma camisa do PT. ‘Era véspera da eleição presidencial. Quando vi Humberto ensangüentado, com a camisa do PT, tentei rasgá-la, ao ver que estávamos cercados pela polícia’, lembra Freire, que parou de tentar tirar a camisa do companheiro ao ver que ele estava algemado e sentia dores.

Essa camisa foi retirada do corpo de Humberto, horas depois, e queimada no banheiro da casa. Nessa residência não havia nenhum material do PT. Posteriormente, a polícia colocou material da campanha de Lula nas casas e apartamentos dos seqüestradores.

No intervalo de 36 horas que durou o cerco do cativeiro, coincidentemente, todas as emissoras de televisão transmitiam ao vivo e dramatizavam as longas e exaustivas negociações […]

Os media do País, estrategicamente posicionados frente à residência usada como cativeiro, exploraram em suas reportagens uma série de boatos, estabelecendo um vínculo entre o PT e o comando cercado, além de divulgar, repetidas vezes, as fotos fornecidas pelos policiais, nas quais os primeiros seqüestradores presos, visivelmente torturados, apresentavam-se vestidos com as camisetas do candidato Lula, impecavelmente limpas, contrastando com a aparência física em que se encontravam, “e lá estava a foto do seqüestrador chileno, Ségio Urtubia, todo ensangüentado, torturado, amassado, em estado de total descalabro, um palhaço lúgubre com aquela postura, e a camisa do PT limpinha, quer dizer, cobriram ele de porradas e botaram a camiseta.”
(FREIRE, Raimundo Rosélio da Costa. Pão de Fel. Fortaleza: Premius, 2002.)

Ou seja: pegaram pessoas que cometeram um crime sem nenhuma relação com a campanha de Lula, botaram camisetas do PT nessas pessoas, e saíram dizendo que o seqüestro tinha relação com o metalúrgico que queria ser presidente do Brasil. Hoje, pegam um presumido falsário, botam nele uma filiação inexistente ao PT, e dizem que o crime que ele cometeu tem relação com aquela mulher que será eleita presidente pelo povo brasileiro. A história se repete, como diz Marx, agora como farsa.

Por Leandro Arndt do: Notícias e Análises

QUEM É JOSÉ SERRA DO PSDB

Manual de Guerrilha Virtual – Setembro de Fogo 2010


Pela Verdade, pela Justiça e pela Democracia

Como agir:
1.                  Da luta em curso
O Setembro de Fogo de 2010 definirá o futuro do Brasil. De um lado, armam-se os grupos do terrorismo midiático, representado pela composição política tucano-demista, pelo consórcio Globo-Folha-Estado-Abril e por variadas células de sabotagem informativa que atuam de acordo com os interesses de movimentos anti-democráticos e de defensores da restauração do regime militar.

De outro, estamos nós, os cidadãos trabalhadores, os defensores da verdade, da justiça e da democracia.

Deste lado da trincheira, erguem-se todos que defendem os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade.

Neste território, lutam os que desejam um país marcado pelo desenvolvimento compartilhado, pela sustentabilidade e pelo respeito à vontade popular.

Neste mês de guerra, o embate se trava entre dois grupos distintos. Um deles procura desesperadamente fraudar o processo eleitoral e incitar o ódio entre os brasileiros, valendo-se dos meios de comunicação. Luís XIV sentenciava: “o Estado sou eu”. Hoje, o consórcio midiático monopolista pretende exercer no Brasil esse mesmo poder, sem limites.

Trata-se de um cartel avesso à verdade, aos princípios republicanos e, obviamente, ao que se convencionou chamar de Estado de Direito.

Contra a barbárie midiática devem se levantar imediatamente todos os cidadãos responsáveis e dignos deste país.

Portanto, faz do teu teclado uma metralhadora de boas idéias. Uma metralhadora que não espalha a morte, mas que defende a vida. Uma metralhadora que resiste ao terrorismo dos latifundiários da comunicação e aos políticos que procuram, a todo custo, desestabilizar o país e aqui instaurar a cultura do fascismo.

2.                 A quarta tentativa de Golpe contra a Democracia
Nesta década, as forças do atraso anti-democráticas, fascistas e fascitizantes já tentaram burlar o processo democrático em outras três ocasiões. A saber:
a) durante a apuração do caso que a imprensa apelidou de “Mensalão”, no qual a regra tradicional de troca de favores na política brasileira foi transformada em exceção para criminalizar um partido e um presidente da República;
b) no processo eleitoral de 2006, com a construção do factóide relativo ao suposto dossiê que exibia o lado “B” de José Serra;
c) após a queda do avião da TAM, em São Paulo, quando políticos do PSDB-DEM-PPS, empresários (como o presidente Phillips no Brasil) e marionetes do consórcio midiático, como Ana Maria Braga e Regina Duarte, procuraram instrumentalizar a dor dos familiares das vítimas para tentar um Golpe de Estado.

O quarto atentado contra a Democracia e o Estado de Direito

Neste Setembro de Fogo, o consórcio Globo-Folha-Estado-Abril procura novamente intervir no processo eleitoral, ignorando o debate programático entre os candidatos e a comparação de realizações, optando pela promoção de ritos acusatórios e persecutórios contra a candidata líder nas pesquisas.
Desta vez, o consórcio Globo-Folha-Estado-Abril e seu candidato, José Chirico Serra, encetam golpe por meio do factóide relacionado à Receita Federal, requentando um caso ocorrido no segundo semestre de 2009.

O artifício visa a destruir reputações, atiçar ódios, fraudar o desejo do povo brasileiro, sequestrar o país novamente às trevas da privataria, removê-lo do trilho do desenvolvimento e atirá-lo de volta ao cativeiro das oligarquias transnacionais, cujo interesse manifesto é a pilhagem do patrimônio público.

3.                 Pensamento do terrorismo midiático neste Setembro de Fogo
Depois de oito anos de Governo Lula, os neoconservadores foram derrotados na batalha do desenvolvimento.

Mesmo enfrentando inúmeros atos de sabotagem, tanto no plano parlamentar quanto no plano midiático, as forças democráticas realizaram um estupendo trabalho de fortalecimento da economia e de distribuição de riquezas, gerando oportunidades e inclusão social.

A comparação dos números mostra claramente que o projeto neoliberal privatista de FHC fracassou, enquanto o projeto de crescimento compartilhado de Lula constitui-se em um caso de sucesso de gestão, mundialmente elogiado e reconhecido.

A constatação dessa derrota gerou na direita brasileira uma trinca de sentimentos:
- inveja;
- medo;
- ódio.

A inveja, o ódio e o desespero marcam, por exemplo, todos os discursos do candidato do PSDB à presidência, José Chirico Serra.

Esses elementos também podem ser encontrados diariamente nas declarações de políticos neocons, ou simplesmente reacionários, como Sérgio Guerra, Álvaro Dias e Roberto Freire.

A inveja, o medo e o ódio frequentemente conduzem o individuo ao DESESPERO.

E o desespero autoriza o indivíduo a burlar a lei, a mentir e a desprezar valores e princípios.

Esse fenômeno ocorre aqui e agora. Todos os dias, o cidadão brasileiro é insultado e agredido pela frente tucano-demista, pelo consórcio Globo-Folha-Estado-Abril e pelas células de extrema-direita saudosas da Ditadura Militar.

4.                 Os venenos do terrorismo tucano-midiático neste momento
Três ferramentas têm sido utilizadas nos atos de sabotagem protagonizados pelo grupo PSDB-DEM-PPS, pelo consórcio midiático golpista (liderado pelo Instituto Millenium) e pelas células radicais de direita:
a) A avalanche de reportagens, matérias e comentários de cunho terrorista presentes no consórcio Globo-Folha-Estado-Abril, cujo conteúdo calunioso e difamatório é replicado por inúmeros outros veículos de imprensa por todo o país.
b) Os discursos terroristas proferidos diariamente pelos políticos da frente tucano-demista, quase sempre ladinamente descolados da realidade, quase sempre destinados a incitar ódios e revoltas.
c) O bombardeio diário de spams terroristas via Internet, obra de funcionários contratados pelas agremiações políticas e de uma rede de colaboradores voluntários empenhados em promover sabotagens no campo da informação.

5.                 Para onde olhar na defesa da democracia
Entre outro, guarde os nomes destas pessoas, e esteja atento a seus movimentos neste Setembro de Fogo:
Ali Kamel, Eurípedes Alcântara, Diogo Mainardi, Eliane Cantanhede, Alberto Carlos Almeida, Eduardo Graeff, Boris Casoy, Merval Pereira, Ricardo Noblat, Monica Waldvogel, William Waack, William Bonner, Otavio Frias Filho, Leandro Colon, Ruy Mesquita, Reinaldo Azevedo, Josias de Souza, João Carlos Saad, José Roberto Gazzi, Carlos Alberto Sardenberg, Augusto Nunes, Lauro Jardim, Leandro Loyola, Eumano Silva, Leonel Rocha, Helio Gurovitz, David Cohen, Mario Sabino, Roberto Civita, Mirian Leitão e José Nêumanne.

6.                 Tipificação dos crimes cometidos pelos terroristas midiáticos
No campo das mídias monopolistas (portais, sites e blogues), das redes sociais (Orkut, Twitter, Facebook, entre outros) e dos disparadores automáticos de e-mails têm sido cometidos inúmeros CRIMES VIRTUAIS.
Normalmente, enquadram-se em uma das cinco categorias seguintes:
a) Calúnia – trata-se de afirmação falsa e ofensiva a respeito de alguém ou de instituição. Define-se como o ato de atribuir, de forma falsa, a alguém a responsabilidade pela prática de um crime.
b) Difamação – trata-se de atribuir a alguém envolvimento em situação ou ato ofensivo a sua reputação e honra. O objetivo do criminoso, nesse caso, é ferir a moral da vítima e torná-la passível de descrédito perante a opinião pública.
c) Injúria – trata-se de atribuir à vitima atributos negativos, de forma a ofender sua honra e dignidade. O objetivo do insulto é abater moralmente o indivíduo alvo do ataque.
d) Falsidade Ideológica – trata-se de fraude, de adulteração de documento a fim de se obter vantagem ou prejudicar direito, criar uma obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.
e) Fraude – trata-se de ato com objetivo deliberado de enganar com o objetivo de prejudicar um indivíduo ou dele obter vantagens de maneira injusta. A fraude jornalística, por exemplo, é costumeiramente praticada no Brasil, sem que seus autores sejam submetidos aos rigores da Justiça.

A mídia monopolista como fonte primária
Vale lembrar que muitas vezes os hoaxes (histórias falsas de Internet) são gerados a partir de reportagens jornalísticas que envolvem invenção, exagero, minimização, interpretação tendenciosa ou seleção desonesta de fatos, quase sempre destinados a abalar a reputação de pessoa ou instituição.

Nesse particular, os terroristas brasileiros são mestres e criaram uma série de narrativas que são distribuídas impunemente pela Internet, todos os dias, aos milhões.

Convém lembrar algumas dessas peças e as acusações que oferecem a conhecidos membros do governo e agremiações políticas.

Agravo à reputação – Segundo uma série de textos de sabotagem, Dilma Rousseff foi “terrorista”, “assaltou bancos”, “matou o soldado Mario Kosel Filho” e tinha como terceira ocupação “oferecer serviços sexuais” a guerrilheiros.

Nesse caso, a expedição massiva de hoaxes tive início com a publicação da falsa ficha da Sra. Rousseff, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo. Na verdade, conforme documentos oficiais, a candidata do PT à presidência jamais esteve associada a essas ações e nunca foi sequer julgada com base nessas acusações.

Vale lembrar ainda que os fatos ligados ao período da Ditadura Militar são deliberadamente descontextualizados, de forma que os militares que torturavam, estupravam e assassinavam aparecem como paladinos da lei, enquanto os “resistentes” são enquadrados na categoria dos crimes comuns.

Há uma falsa informação divulgada insistentemente nesse material, repetida até mesmo por personalidades, com o ex-humorista Chico Anysio. Dá conta de que Dilma estaria impedida de entrar nos EUA por ter seqüestrado um embaixador daquele país.

Na verdade, Dilma jamais esteve envolvida em qualquer ação do tipo, viajou várias vezes aos EUA e até mesmo já se encontrou com o presidente daquele país, Barack Obama.

Convém também frisar que ninguém ainda foi detido por criar e distribuir esse material criminoso, fato que exigiria um protesto ruidoso da sociedade.

Deturpação deliberada - Uma outra série de hoaxes procura adulterar fatos e números relativos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Afirma-se, por exemplo, que em sua gestão foram criados apenas 4 milhões de empregos, quando na verdade esse número supera os 14 milhões.

Afirma-se que o Luz para Todos é um programa de FHC. Trata-se de uma inverdade. O ex-presidente lançou um programa denominado Luz no Campo, com cobrança de taxa de instalação. Em três anos, de 2000 a 2003, não atingiu a meta de levar energia a 1 milhão de famílias no Interior do país. Fracassou.

O Luz para Todos, ao contrário, sem cobrança de taxa de instalação, já superou suas metas e levou energia para 12 milhões de brasileiros.

Inúmeras peças ficcionais circulam pela Internet com o objetivo de deturpar o entendimento público sobre as obras do Governo Federal e sobre o desempenho da economia brasileira.
Comumente, no que tange a Lula, a deturpação vem acompanhada de calúnia e difamação.
Também não há notícias de que membros do consórcio midiático, dos partidos neoconservadores ou das células de direita radical tenham sido responsabilizados e punidos.

7.                 Como reagir ao terrorismo midiático privado
a) No caso de material jornalístico falso, ofensivo ou tendencioso, questionar imediatamente (por e-mail ou preenchimento de formulário específico) o veículo de imprensa e o profissional responsável pelo texto ou reportagem televisiva/radiofônica.
b) Todos os grandes veículos têm uma área para manifestação dos leitores e ou comunicação de erros. Alguns também disponibilizam e-mails dos responsáveis por editorias. Normalmente, esses endereços estão listados na página de “expediente”. Envie sua mensagem por todos eles.
c) Manifeste concretamente sua indignação, sempre que necessário, também nos fóruns de leitores que são formados abaixo das matérias publicadas nos portais dos órgãos de comunicação.
d) Faça uma cópia de sua manifestação e a repasse imediatamente à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), neste endereço: http://www.fenaj.org.br/contato.php. Comunique também a Associação Nacional de Jornais (ANJ), neste endereço: http://www.anj.org.br/fale-conosco ou pelo e-mail anj@anj.org.br.
e) É provável que você não obtenha qualquer resposta dos órgãos representativos, mas é importante que esses elementos saibam que a sociedade está vigilante.
f) Compartilhe sua bronca com seus amigos próximos e com os principais canais de resistência midiática. Segue uma pequena lista de contatos com os responsáveis pelos canais limpos de informação.
Jornalista Rodrigo Vianna - escrevinhador.rv@hotmail.com
Jornalista Luiz Carlos Azenha - viomundoteve@msn.com; viomundo@msn.com
Grupo Beatrice - beatrice.lista@elo.com.br
Movimento dos Sem Mídia – Eduardo Guimarães - edu.guim@uol.com.br
redecastorphoto - castorphoto@gmail.com
Carta – O Berro - vanderleycaixe@revistaoberro.com.br
Movimento Credibilidade e Ética – credibilidadeeetica@gmail.com
Paulo Henrique Amorim - phamorim@uol.com.br

8.                 Como reagir ao terrorismo midiático na Internet
a) Tenha paciência. Você não vai conseguir suspender a ação desses elementos. Eles têm a cobertura de sigilo de grandes grupos midiáticos que controlam a maior parte dos provedores nacionais.
b) Tenha mais paciência. Há neste Setembro de Foto pelo menos 700 pessoas contratadas pelos grupos políticos neofascistas para distribuir hoaxes e “trollar” (desvirtuar gerando confusão e intriga) debates em redes sociais. Muitas dessas pessoas são temporários, contratados em períodos eleitorais para fazer o jogo sujo da Internet. Outras são emprestadas por parlamentares. Ou seja, ganham do cidadão, isto é, são pagas por você, mas trabalham exclusivamente em campanhas criminosas de desconstrução de reputações pela Internet. Neste momento, os grupos de coordenação de sabotagem estão pagando entre R$ 0,25 e R$ 0,50 por intervenção em rede social para o chamado “pelotão de reforço”.
c) Não compre briga com o remetente do e-mail. Muitas vezes, é um registro vazio, isto é, uma máquina disparadora. Além disso, é conveniente que você continue recebendo esse material e, assim, identifique as táticas dos grupos terroristas.
d) Quando houver suspeita de “crime virtual”, envie imediatamente cópia do material para as autoridades da área.

Alguns canais para que você solicite investigação e apuração da mensagem:

Safernet - http://www.safernet.org.br/site/
Polícia Federal - crime.internet@dpf.gov.br e denuncia.ddh@dpf.gov.br
São Paulo – Delegacia Eletrônica - 4dp.dig.deic@policiacivil.sp.gov.
Rio de Janeiro – DRCI - drci@policiacivil.rj.gov.br e drci@pcerj.rj.gov.br
Distrito Federal: DICAT - dicat@pcdf.df.gov.br
Minas Gerais: DERCIFE - dercifelab.di@pc.mg.gov.br
Paraná – Polícia Civil - cibercrimes@pc.pr.gov.br
Secretaria Nacional de Comunicação do PT - snc@pt.org.br

9.                 Exerça seu direito e torne-se um soldado responsável pela defesa do Brasil
Neste Setembro de Fogo, não há mais tempo para a hesitação e a condescendência.

É necessária a mobilização de cada cidadão digno.

Se você se você se encanta com a liberdade e a fraternidade, se você tem apreço por valores e princípios humanistas, se você se preocupa com o desenvolvimento do país e com o futuro de seus filhos, é hora de agir!

Todos os dias, reserve pelo menos uma hora para ler atentamente o material do consórcio oligarca terrorista e para desarmar cada artefato explosivo armado pelas gangues da desinformação. Obtenha informação descontaminada em sites como estes: www.viomundo.com.br e http://www.conversaafiada.com.br.

Escreva diariamente para todos os jornais e emissoras.

Participe ativamente dos fóruns no jornais e emissoras.

Por pelo menos 30 minutos, participe ativamente das discussões no Orkut, Twitter e outras redes sociais.

Rebata inverdades, denuncie falsidades, indigne-se.

Denuncie a todos os órgãos competentes a prática de crimes virtuais.

Procure dividir seu conhecimento com vizinhos, amigos, parentes e colegas de trabalho. Trabalhe para despertar os brasileiros do transe imposto pela mídia monopolista.

Mauro Carrara, com Credibilidade & Ética
* Se já roubaram uma flor, não permita que agora pisem nosso jardim.