15.12.11

Mário Marona: "Por que a imprensa finge que não vê o livro do Amaury?"

via Correio do Brasil

Privataria
Privataria Tucana revela esquema bilionário de corrupção
Deve ser possível contar nos dedos quantos amigos José Serra tem nas redações. Quase ninguém na mídia é “serrista”. Não nas redações dos jornais, das tevês e das rádios. Há exceções claro, e pelo que soube esta semana o editor-chefe de um grande jornal teria trabalhado para Serra, mas isto não significa que ele tenha pelo ex-chefe profunda admiração. Serra também não deve ter muitos amigos entre os acionistas das empresas de comunicação. Serra sempre foi apenas uma alternativa possível da imprensa a Fernando Henrique Cardoso para enfrentar Lula e, depois, a candidata de Lula.
Quem finge gostar de Serra nas redações, excetuando os amigos do peito, caso ele os tenha, na verdade não gosta mesmo de Serra – apenas o prefere a Lula. Jornalista que apoia Serra – de novo com as exceções possíveis – o faz por não gostar de Lula, e não gosta de Lula por vários motivos, razoáveis ou não: preconceito, antagonismo político, por considerá-lo populista, por conservadorismo, preferência clara por FHC etc. A imprensa protege Serra por falta de coisa melhor. Fará o mesmo com Aécio Neves, caso ele vire candidato, por motivo idêntico.
Não corre risco de perder quem apostar que Ricardo Noblat não tem qualquer identificação com Serra. Não seria estranho descobrir que Eliane Cantanhêde, Dora Kramer, Lúcia Hipólito e tantos outros, mesmo que queiram no poder alguém que considerem melhor que Lula e Dilma, e certamente querem, ficariam satisfeitos se a opção não fosse Serra nem Aécio. Especulo sobre a vontade destes poucos jornalistas, todos muito conhecidos, mas poderia estar falando da maioria. Cito-os porque estão entre os mais citados.
Serra não é diferente da maioria das fontes: detesta jornalista. Também não gosta de dono de jornal, mas os adula e quase sempre obtém deles o que precisa. Serra gostaria de demitir qualquer jornalista que fizesse matéria negativa para a imagem dele, e é possível que já tenha conseguido isso, embora não seja provável que tenha sido bem sucedido na maioria das tentativas. Hoje em dia, isto não é tão fácil como já foi.
E é aqui que trago ao assunto o livro A privataria tucana, sobre o qual a imprensa tradicional faz pesado silêncio.
Decididamente, os colunistas e os editores, pelo menos a maioria, não estão fingindo ignorar o livro de Amaury Ribeiro Jr para proteger Serra. Suspeito que até que alguns achariam divertido ver Serra em maus lençóis, tendo que se explicar sobre as acusações que sofre no livro.
Também não creio realmente que colunistas e editores desprezem o livro porque acreditam que Amaury foi contratado por assessores da campanha petista no ano passado para espionar Serra ou vender informações contra os tucanos. Todos eles sabem que esta foi uma, e apenas uma, das mentiras inventadas durante a campanha.
Este foi um dos fatos “esquentados” na campanha para beneficiar a oposição. Para os jornais e para as emissoras que dedicaram enorme espaço e tempo a este factóide fica muito difícil, agora, admitir que “não foi bem assim”. Como seria difícil, mesmo agora, noticiar que a agenda de Lina Vieira jamais apareceu e que Rubnei Quicoli já confessou que mentiu. Como foi difícil admitir com clareza que a ficha policial atribuída a Dilma era uma montagem mal feita.
Isto seria mais do que um “erramos”. Seria um “mentimos”.
Os jornalistas também sabem que, mesmo sendo meio falastrão e parecendo um tanto estabanado, Amaury é um grande repórter, é honesto e não está mentindo ou, para ser mais isento, pelo menos acredita que está contando a verdade. Sabem, por fim, que a origem desta história que resultou num livro está na reação de Aécio Neves a uma ação mafiosa típica dos serristas.
Por que, então, os colunistas, editores e jornalistas da maioria dos grandes veículos fingem ignorar o livro?
Porque obedecem à linha editorial dos jornais e das emissoras em que trabalham. Obedecem, agora, e sempre obedeceram. (E aqui, em nome da isenção, acrescento a parte que me toca: eu mesmo, quando trabalhei nas grandes redações, me sujeitei à linha editorial dos veículos e se eventualmente me insurgia internamente contra elas, tentando modificá-las, nunca deixei de segui-las disciplinadamente, uma vez derrotado em minhas posições. Ou pedia o meu boné.)
O que mudou, então? Por que os jornalistas se vêem obrigados a depreciar publicamente um colega de profissão, como o Amaury, com quem, aliás, muitos deles conviveram amistosamente? E por que estamos vendo jornalistas importantes entrando em guerra com seus leitores por causa de um livro que, se pudessem, tratariam como notícia ou comentariam?
Arrisco uma resposta: porque hoje os leitores pisam nos calos destes jornalistas, o que há uma década atrás – ou menos – não acontecia.
No meu tempo, e vale dizer também no tempo do Noblat, da Dora, da Eliane, do Merval, o leitor não existia como figura real. Era um anônimo, mal representado, diariamente, em uma dúzia de cartas previamente selecionadas para publicação e devidamente “corrigidas” em seus excessos de linguagem. Tem gente que não lembra, porque começou a ler jornal depois, mas naquele tempo nem e-mail existia, exceto, talvez, como forma de comunicação interna das empresas.
Noblat, Dora, Merval, Eliane  (e eu) escreviam, editavam e publicavam o que queriam, desde que não contrariassem os acionistas, representados pelos diretores de redação. Por acaso, dois dos citados foram diretores de redação e eu fui editor-chefe adjunto no Globo e editor-chefe do JN. Não eram – não éramos – contestados por ninguém. Quem não gostasse que se queixasse ao bispo, ao editor de cartas – por carta, claro – ou então que suspendesse a assinatura ou mudasse de canal.
Publicavam o que queriam, autorizados pelos donos, e continuam agindo da mesma maneira, mas hoje são imediatamente incomodados, cobrados, questionados, xingados pelos leitores, por e-mail, em blogs, por tuites e por caneladas no Facebook.
Fazem a mesma coisa – obedecer à linha dos seus jornais – só que agora têm que dar explicações a um grupo crescente de chatos, nem sempre bem educados, e não podem botar a culpa no patrão. Não podem dizer notwitter: “Olha, gente, eu não vou escrever sobre o livro do Amaury porque o meu jornal decidiu ignorá-lo, pelo menos por enquanto”.
Aparentemente, só existe uma opção: justificar a censura do livro nos seus veículos por meio da depreciação do autor, que está sendo chamado de louco e de venal – o que ele nunca foi, nem quando era um deles, época em todos o exaltavam como um dos maiores repórteres do país. Mesmo porque o ex-PM João Dias, o escroque Rubnei Quicoli e até Pedro Collor nunca foram tratados como cidadãos de reputação ilibada e nem por isso deixaram de ser considerados fontes válidas por estes e por quase todos os demais jornalistas. E estas fontes nem se deram ao trabalho de tentar provar o que diziam.
A alternativa a declarar-se censurado ou tolhido é entrar em guerra com uma parte dos leitores, buscando apoio em outra parte, neste caso naquela que detesta Lula, Dilma e o governo petista. Cobrados, reagem no mesmo tom. Acossados, pedem ajuda ao “outro lado”.
O autor deste texto trabalhou em pequenos e em grandes veículos. Também trabalhou como assessor de imprensa de empresários e de políticos, de vários matizes. É o que faz agora, como redator, razão pela qual fechou temporariamente o blog que mantinha para emitir opiniões. Entende que assessoria de imprensa, ainda que seja um trabalho digno e necessário, não é jornalismo, porque não lhe dá o direito à isenção. Continua analisando a imprensa, como cidadão, de maneira não-metódica, mas toma o cuidado de não depreciar pessoalmente aqueles que eventualmente critica. Não se julga melhor do que ninguém, nem sabe, francamente, como agiria hoje, na mesma situação dos colunistas e jornalistas dos grandes veículos – exceto que, talvez, evitasse o twitter e o Facebook, onde o confronto é muito mais agressivo.
Mas aos que alegam que é preciso ignorar o livro do Amaury porque ele foi acusado disso ou daquilo e não seria um autor confiável, responde com uma experiência pessoal. Editor do Globo em 1992, uma noite recebeu na redação o livro Passando a limpo, a Trajetória de um Farsante, de autoria de, vejam só, Dora Kramer e Pedro Collor de Mello. O livro trazia acusações tão pesadas contra Fernando Collor que, em alguns casos, a prova dependeria de exame de corpo de delito. O editor teve que ler o livro em duas horas, para escrever uma resenha rápida, que seria publicada na edição do dia seguinte.
Naquela época, no Globo e, creio, nos demais jornais, não era possível ignorar uma peça de acusação tão enfática, ainda que desprovida de provas. Nem era possível guardar para ler depois. E pouco importava se a origem das acusações de Pedro contra Fernando era uma briga entre irmãos envolvendo até mulher. Era notícia, e pronto.
Mário Marona é jornalista.

12.12.11

Debate sobre o livro "A Privataria Tucana" com Amaury Ribeiro Jr.

México e Brasil arrasam no Festival de Cinema de Havana

via Havana Times

El Infierno, pelicula ganadora.
La película mexicana El infierno, de Luis Estrada, ganó el primer premio Coral en el 33 Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, clausurado la noche de ayer en el Teatro Karl Marx, en esta capital.
Durante la clausura fue proyectada la cinta “La voz dormida”, del director español Benito Zambrano.
En la premiación quedó establecida la supremacía de las obras de Brasil y México, países que se llevaron la gran mayoría de los corales principales del certamen.
Aunque el filme Habanastation fue el más laureado entre los premios colaterales, Cuba solo obtuvo el coral al mejor cartel, por la obra Imágenes generan reflexión, del artista Nelson Ponce. Fabula de Lester Hamlet recibió un coral de tercer lugar para largometrajes de ficción.
Aunque oficialmente se ha terminando el festival, los cines de La Habana estarán presentando obras ganadoras este lunes y martes.
Premios Corales-33 Edición del Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana
 
Cartel 

Mejor Cartel: Imágenes generan reflexión, de Nelson Ponce (Cuba)

Animación 

Mención: Furico y Fiofó , Fernando Miller (Brasil)
Tercer Premio Coral: El duelo , de Jesús Barrios Ortiz (Venezuela)
Segundo Premio Coral: Cielo, infierno y otras partes del cuerpo, de Rodrigo John (Brasil)
Premio especial del Jurado: Mutatio, de León Fernández (México)
Primer Premio Coral: Animales de alquiler, de Pablo Ortega Rodríguez (Costa Rica)

Documentales 

Mención: El casamiento , de Aldo Garay (Uruguay)
Premio Especial: Diario de una búsqueda , de Flavia Castro (Brasil, Francia)
Tercer Premio Coral: Los ultimos cangaceiros , de Wolney Oliveira (Brasil)
Segundo Premio Coral: Las carpetas, de Maite Rivera Carbonell (Puerto Rico, España)
Primer Premio Coral: Agnus Dei, cordero de dios, de Alejandra Sánchez Orozco (México)

Guiones inéditos

Mención Especial: El buen demonio, de Alejandro Hernández Diaz y Daniel Díaz Torres (Cuba)
Coral de Guión inédito: NN de Héctor Adrián Gálvez Campos (Perú)



Operas Primas

Mención: El premio, de Paula Markovitch (México)
Premio Coral a la Mejor Contribución Artística: Sudoeste, Eduardo Nunes (Brasil)
Tercer Premio Coral: Trabalhar cansa , de Juliana Rojas y Marco Dutra (Brasil)
Segundo Premio Coral: Abrir puertas y ventanas , de Milagros Mumenthaler (Argentina)
Premio especial del Jurado: Remolino, Clarissa Campolina y Helvécio Marins Jr. (Brasil)
Primer Premio Coral: Distancia, de Sergio Ramírez (Guatemala)

Ficción 

Cortometrajes 

Mención del Jurado: L, de Thais Fujinaga (Brasil)
Premio Coral de Cortometraje: Tela, de Carlos Nader (Brasil)

Largometrajes 

Premio Coral de Dirección: José Padilha , por Tropa de elite 2-O inimigo agora é outro (Brasil)
Premio Coral de Guión: Marité Ugás y Mariana Rondón, por El chico que miente (Venezuela, Perú)
Premio Coral de Actuación Masculina: Rodrigo Santoro, porHeleno (Brasil)
Premio Coral de Actuación Femenina: Alessandra Negrini, por O abismo prateado (Brasil)
Premio Coral de Edición: Daniel Rezende, por Tropa de elite 2-O inimigo agora é outro (Brasil)
Premio Coral de Música Original: Michael Brook, por El infierno(México)
Premio Coral de Banda Sonora: Waldir Xavier, leandro Lima y Ricardo Cutz por O abismo prateado (Brasil)
Premio Coral de Fotografía: Mauro Pinheiro Jr, O abismo prateado (Brasil)
Premio Coral de Dirección Artística: Salvador Parra, por El infierno (México)
Premio Coral de Vestuario: Mariestela Fernández, por El infierno(México)
Mención del Jurado: Un cuento chino , de Sebastián Borensztein (Argentina, España)
Premio Especial del Jurado: Tropa de elite 2-O inimigo agora é outro, de José Padilha (Brasil)
Tercer Premio Coral: Fábula, de Lester Hamlet (Cuba)
Segundo Premio Coral: O abismo prateado , de Karim Ainouz (Brasil)
Primer Premio Coral: El infierno, de Luis Estrada (México)




Premios de Posproducción del Alba Cultural Nuestra América Primera Copia 2011 :

Miguel San Miguel del realizador y productor Matías Cruz.
Solo del realizador Guillermo Rocamora y producido por Javier Palleiro
Reconocimiento especial: Sopro del realizador Marcos Pimentel y producido por Luana Melgaço


Premio SIGNIS: 

Los últimos cristeros , de Matías Meyer (México) 

Premio FIPRESCI:
Bonsai, de Cristian Jiménez (Chile)

Marília Gabriela parada no tempo?

via BRASIL247

Marília Gabriela parada no tempo?Foto: DIVULGAÇÃO

"IMPRENSA É O QUE IMPRIME", DISSE A JORNALISTA AO PÂNICO NA TV, DA REDETV!, DESQUALIFICANDO A INTERNET; SE A REDE NÃO TEM VALOR, O QUE SERÁ DAS ENTREVISTAS DE GABI NO FUTURO?

Diego Iraheta _247 - A apresentadora Marília Gabriela, uma das maiores entrevistadoras do Brasil, deveria mudar o nome de guerra. Seria mais apropriado chamá-la de Marília Gutenberg, depois da anacrônica declaração exibida no domingo, 11, pelo programa Pânico na TV, da RedeTV!. Em um desses raros momentos em que Marília estava no papel de entrevistada, ela foi questionada sobre o passado de farpas entre Boni (ex-todo poderoso da TV Globo) e Jô Soares. Em vez de responder, ela prontamente questionou a repórter Amanda Ramalho:
- Você soube isso por onde?
- Pela imprensa.
Pela imprensa, não. Pela internet.
- Pela imprensa de internet.
Imprensa é o que imprime, desferiu Marília Gutenberg Gabriela.
A jornalista que é referência no Brasil parou no tempo? A prensa é, de fato, o equipamento inventado no século 15 para imprimir livros e jornais. Mas reduzir a imprensa a um aparelho é démodé, Gabi!
Imprensa é uma instituição representada pelos diversos canais de comunicação. Os jornais, as revistas, o rádio, a televisão – onde você trabalha, inclusive – e, sim, a internet.
O jornalismo de internet, que vem crescendo vertiginosamente desde a segunda metade da década de 90, é muitas vezes a principal fonte de informações de uma parcela significativa da população brasileira - especialmente jovens. A moçada troca o papel pela tela, pelo mouse ou pelo tablet. Não é que tenha menos interesse em ler, mas os tempos são outros, Gabi.
Neste fim de semana mesmo, o Brasil 247 cobriu o 1º Encontro Nacional de Twitteiros Culturais. Em debate, a difusão da cultura pelas redes sociais. “Por meio da mídia digital, a gente pode cutucar mais gente em prol da leitura”, disse o organizador do evento, Jose Luiz Goldfarb. Livreiro há 18 anos, ele mantém os vínculos com o passado, com as páginas de livros. Mas sua visão se modernizou, atento às mudanças nas plataformas de acesso à literatura.
Ao contrário de Goldfarb, Marília Gutenberg ainda vê notícias e reportagens como produtos exclusivos da mídia impressa – a imprensa que imprime. Ao desqualificar a internet – na entrevista à RedeTV!, ela dá a entender que a rede é celeiro de boatos, mentiras, informações que não devem ser confiáveis.
Que tem tudo isso na Web, não dá pra negar, Gabi.
Mas, desde quando os jornais do mainstream, a imprensa que imprime e na qual você acredita, não mente ou, pelo menos, não omite?
Está na hora de uma virada 2.0 na sua vida, Gabi! Suas entrevistas ganham vida eterna ao serem compartilhadas na internet. Do contrário, vão repousar como artigos empoeirados nos Cedocs (centros de documentação) das emissoras. Um desperdício, certo? Para frente, Gabi!

Mujica e Cristina pleiteiam revisão jurídica do Mercosul para permitir o ingresso da Venezuela no Bloco

via CONTRAINJERENCIA

AVN – El primer mandatario del Uruguay, José “Pepe” Mujica, acordó con la Presidenta reelecta de Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, revisar los estatutos jurídicos del Mercado Común del Sur (Mercosur) para permitir el ingreso de Venezuela.

Mujica asistió al acto de asunción de Fernández este sábado en Buenos Aires y señaló que “el único tema” que habló con la presidenta argentina “fue el de agilizar las tratativas para que Venezuela ingrese al Mercosur”, reseña la página web del uruguayo Canal 10, en la sección Subrayado.

“La legislación vigente en el Mercosur no permitiría el ingreso de Venezuela, salvo que el Senado paraguayo lo apruebe”, expuso Mujica.

Por eso “hay que consultar al presidente (Fernando) Lugo”, mencionó, aunque afirmó que “el gobierno paraguayo está de acuerdo”.

Igualmente dijo que durante la reunión con Cristina Fernández planteó la revisión del criterio jurídico y el hecho de lograr en la próxima reunión del bloque el ingreso definitivo de Venezuela.

Acerca del posible ingreso, dijo: “De eso, Brasil, Argentina y nosotros estamos de acuerdo”, concluyó.

La reunión de los mandatarios del bloque Mercosur (Uruguay, Brasil, Argentina y Paraguay) se realizará en Montevideo, el próximo 20 de diciembre, indicó Mujica en entrevista con el Canal 10.

El terrorismo y sus promotores

via ARGENPRESS

Manuel E. Yepe (especial para ARGENPRESS.info)

Como cada año desde 1982, el Departamento de Estado de Estados Unidos incluyó hace algunos días a Cuba en su “lista negra” de países patrocinadores del terrorismo internacional.

El fariseísmo de tal inserción es evidente e indignante para quien, de alguna forma, logre escapar del sistema de dictadura mediática que ejerce la elite del poder estadounidense con alcance global.

Aún sin tomar en cuenta que la superpotencia norteamericana es el Estado terrorista mas amenazador del mundo y el pueblo cubano uno de los que más intensa y largamente ha sido víctima de la brutalidad del terrorismo de Estado que patrocina Washington, para los pueblos de todo el mundo tal acto ha sido nuevamente motivo de reproches, burlas e ironías que erosionan el precario prestigio y la autoridad de la política exterior de la Casa Blanca.

No existe una definición jurídica universalmente aceptada del terrorismo más allá del escueto entendido de que se trata del “uso real o la amenaza de recurrir a la violencia con fines políticos”. Tampoco hay una instancia internacional autorizada para calificar los actos terroristas, por lo que la humanidad está muy lejos de poderse plantear una estrategia antiterrorista mundial dirigida a lograr la extinción del flagelo.

Aunque la acusación de “terrorismo” históricamente se ha pretendido aplicar por las potencias coloniales y las oligarquías opresoras en cualquier parte del mundo a buena parte de los métodos insurreccionales que escogen los revolucionarios y patriotas para sus enfrentamientos emancipadores, los pueblos saben distinguir, por intuición, los métodos revolucionarios de lucha de los actos terroristas.

La diferencia es muy natural y se identifica por sobre las campañas cotidianas de los medios corporativos en todo el mundo: los primeros se identifican o representan las aspiraciones del pueblo, los segundos; los terroristas, carecen de escrúpulos, hieren sus sensibilidades y son por ello rechazados por la población.

Califican como métodos insurreccionales populares los que llevan a cabo unidades secretas o irregulares que, debido a su inferioridad militar evidente para el combate contra las instituciones armadas gubernamentales que defienden los intereses oligárquicos, operan fuera de los parámetros universalmente aceptados de las guerras.

Los métodos revolucionarios buscan transformar el escenario y las asimétricas condiciones de la lucha para elevar la moral combativa de las masas, atraer nuevas huestes a la lucha, ridiculizar a las fuerzas represivas de los regímenes tiránicos, llamar la atención del mundo a la guerra revolucionaria que se libra al tiempo que desnudan el carácter impopular de las oligarquías y sus servidores contra los cuales se combate.

El terrorismo genera pánico y provoca sufrimientos y muertes de personas inocentes. Los métodos revolucionarios, en cambio, se identifican con las aspiraciones populares, engendran admiración por el altruismo de quienes ejecutan las acciones y convocan a la lucha y al sacrificio en aras de una causa justa.

Esta dicotomía no debe confundirse con la práctica a que Estados Unidos ha acostumbrado al mundo para salvaguardar a las dictaduras amistosas (“friendly dictatorships”), porque ellas en verdad no son más que tiranías impuestas para proteger a las oligarquías cuando éstas ven amenazada su dominación al amparo de los métodos habituales de la democracia burguesa.

El punto de vista estadounidense que sitúa a Cuba como un Estado promotor del terrorismo se hizo oficial en 1982 cuando el Departamento de Estado de Estados Unidos incluyó a Cuba en la lista de naciones que Washington supone que brindan apoyo crítico a las actividades terroristas.

Washington jamás ha podido presentar pruebas de tal apoyo, y por ello nunca ha acusado formalmente al gobierno cubano de brindarlo; solo argumenta que Cuba asume una posición neutral con respecto al terrorismo porque no bloquea ni incauta los activos de quienes son acusados por Estados Unidos de ser miembros de grupos terroristas.

Obviamente Cuba no admite que Estados Unidos le presione a acatar su arbitraria definición del terrorismo y modificar el carácter de sus nexos en función de la óptica imperial y su lista de países, entidades o personas patrocinadores del terrorismo, elaborada a partir de los intereses políticos y económicos de Washington.

Cuba no acepta la idea que practica Estados Unidos de que pueda haber terroristas buenos y terroristas malos, según actúen a favor o en contra de quien los califica.

Es un acto prepotente pretender que, por el solo hecho de que la política exterior de Estados Unidos acuse de terrorista a otro país, los demás deban aceptarlo y actuar en consecuencia. Menos aún cuando quien se atribuye el derecho a la definición clasificatoria es reconocidamente el líder del terrorismo de Estado a nivel mundial

11.12.11

Carlos Tena, jornalista espanhol, mostra como o PIG atua contra o povo cubano

Tucanos se complicam após lançamento de livro sobre esquema de corrupção no governo FHC

via Correio do Brasil

Privataria
Privataria Tucana revela esquema bilionário de corrupção
A situação nacional do maior partido da direita brasileira, o PSDB, fica ainda mais complicada diante do lançamento de A Privataria Tucana, livro do jornalista Amaury Ribeiro Junior. Disponível nas livrarias desde a noite passada, a obra reúne, em 343 páginas, todo o processo de privatização realizado ao longo do governo de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 90, que dilapidou patrimônios públicos como a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional. O livro revela, ainda, documentos inéditos sobre a transferência de bilhões de reais para esquemas de lavagem de dinheiro e pagamentos de propina aos altos escalões da República. O ex-governador de São Paulo, José Serra, que também é do PSDB, assim como o então presidente Fernando Henrique Cardoso são citados como cúmplices no ciclo de corrupção.
– O livro tem sido, de longe, o mais vendido aqui, até agora – resume um funcionário de uma das maiores livrarias na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Amaury Jr. já previa que a compilação dos documentos reunidos em A Privataria Tucana renderia no conteúdo explosivo que os jornais conservadores ainda tentam abafar. Apenas um comentário, do ex-presidente FHC, foi consignado na edição deste sábado do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. Nele, o acusado de deixar passar um dos maiores crimes já cometidos contra o patrimônio público brasileiro preferiu apenas descredenciar o autor das denúncias. Citado como um dos vilões no episódio, o candidato tucano derrotado nas eleições presidenciais do ano passado, novamente preferiu o silêncio.
– Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico – disse o jornalista à revista Carta Capital, em uma entrevista que reproduzimos a seguir.
Lavagem de dinheiro
À revista Carta Capital, Amaury revela que decidiu investigar o processo de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso quando ainda era repórter do diário conservador carioca O Globo, nos idos de 2000.
– Antes, minha área da atuação era a de reportagens sobre direitos humanos e crimes da ditadura militar. Mas, no início do século, começaram a estourar os escândalos a envolver Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de campanha do PSDB e ex-diretor do Banco do Brasil). Então, comecei a investigar essa coisa de lavagem de dinheiro. Nunca mais abandonei esse tema. Minha vida profissional passou a ser sinônimo disso.
– Quem lhe pediu para investigar o envolvimento de José Serra nesse esquema de lavagem de dinheiro?
– Quando comecei, não tinha esse foco. Em 2007, depois de ter sido baleado em Brasília, voltei a trabalhar em Belo Horizonte, como repórter do (diário conservador mineiro) Estado de Minas. Então, me pediram para investigar como Serra estava colocando espiões para bisbilhotar Aécio Neves, que era o governador do Estado. Era uma informação que vinha de cima, do governo de Minas. Hoje, sabemos que isso era feito por uma empresa (a Fence, contratada por Serra), conforme eu explico no livro, que traz documentação mostrando que foi usado dinheiro público para isso.
– Ficou surpreso com o resultado da investigação?
– A apuração demonstrou aquilo que todo mundo sempre soube que Serra fazia. Na verdade, são duas coisas que o PSDB sempre fez: investigação dos adversários e esquemas de contrainformação. Isso ficou bem evidenciado em muitas ocasiões, como no caso da Lunus (que derrubou a candidatura de Roseana Sarney, então do PFL, em 2002) e o núcleo de inteligência da Anvisa (montado por Serra no Ministério da Saúde), com os personagens de sempre, Marcelo Itagiba (ex-delegado da PF e ex-deputado federal tucano) à frente. Uma coisa que não está no livro é que esse mesmo pessoal trabalhou na campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, mas sob o comando de um jornalista de Brasília, Mino Pedrosa. Era uma turma que tinha também Dadá (Idalísio dos Santos, araponga da Aeronáutica) e Onézimo Souza (ex-delegado da PF).
– O que você foi fazer na campanha de Dilma Rousseff, em 2010?
– Um amigo, o jornalista Luiz Lanzetta, era o responsável pela assessoria de imprensa da campanha da Dilma. Ele me chamou porque estava preocupado com o vazamento geral de informações na casa onde se discutia a estratégia de campanha do PT, no Lago Sul de Brasília. Parecia claro que o pessoal do PSDB havia colocado gente para roubar informações. Mesmo em reuniões onde só estavam duas ou três pessoas, tudo aparecia na mídia no dia seguinte. Era uma situação totalmente complicada.
– Você foi chamado para acabar com os vazamentos?
– Eu fui chamado para dar uma orientação sobre o que fazer, intermediar um contrato com gente capaz de resolver o problema, o que acabou não acontecendo. Eu busquei ajuda com o Dadá, que me trouxe, em seguida, o ex-delegado Onézimo Souza. Não tinha nada de grampear ou investigar a vida de outros candidatos. Esse “núcleo de inteligência” que até Prêmio Esso deu nunca existiu, é uma mentira deliberada. Houve uma única reunião para se discutir o assunto, no restaurante Fritz (na Asa Sul de Brasília), mas logo depois eu percebi que tinha caído numa armadilha.
– Mas o que, exatamente, vocês pensavam em fazer com relação aos vazamentos?
– Havia dentro do grupo de Serra um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que tinha se desentendido com Marcelo Itagiba. O nome dele é Luiz Fernando Barcellos, conhecido na comunidade de informações como “agente Jardim”. A gente pensou em usá-lo como infiltrado, dentro do esquema de Serra, para chegar a quem, na campanha de Dilma, estava vazando informações. Mas essa ideia nunca foi posta em prática.
– Você é o responsável pela quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra, Verônica, na agência da Receita Federal de Mauá?
– Aquilo foi uma armação, pagaram a um despachante para me incriminar. Não conheço ninguém em Mauá, nunca estive lá. Aquilo faz parte do conhecido esquema de contrainformação, uma especialidade do PSDB.
– E por que o PSDB teria interesse em incriminá-lo?
– Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico. Aí partiram para cima de mim, primeiro com a história de Eduardo Jorge Caldeira (vice-presidente do PSDB), depois, da filha do Serra, o que é uma piada, porque ela já estava incriminada, justamente por crime de quebra de sigilo. Eu acho, inclusive, que Eduardo Jorge estimulou essa coisa porque, no fundo, queria apavorar Serra. Ele nunca perdoou Serra por ter sido colocado de lado na campanha de 2010.
– Mas o fato é que José Serra conseguiu que sua matéria não fosse publicada no Estado de Minas...
– É verdade, a matéria não saiu. Ele ligou para o próprio Aécio para intervir no Estado de Minas e, de quebra, conseguiu um convite para ir à festa de 80 anos do jornal. Nenhuma novidade, porque todo mundo sabe que Serra tem mania de interferir em redações, que é um cara vingativo.
Daniel Dantas
As pistas deixadas por bilhões de reais movimentados nos esquemas fraudulentos revelados em Privataria Tucana, segundo Ribeiro Jr, levam ao banqueiro Daniel Dantas, condenado recentemente por uma série de crimes ligados à lavagem de dinheiro.
– Esses tucanos deram uma sofisticação à lavagem de dinheiro. Eram banqueiros, ligados ao PSDB. Quem estava conduzindo os consórcios das privatizações eram homens da confiança do Serra. É um saque (financeiro) que eles fizeram da privatização brasileira. Eles roubaram o patrimônio do país, e eu quero provar que são um bando de corruptos. A grande força desse livro é mostrar documentos que provam isso – afirmou, em conversa com jornalistas de um portal da internet.
O livro detalha o esquema de corrupção que teria, no comando, amigos e parentes de Serra e de outros líderes da direita brasileira, alguns ainda no Democráticos (DEM) e no recém-fundado Partido da Social Democracia (PSD).
– Há 20 anos, como diz o próprio livro, investido essas contas, rastreando tudo. Hoje sou um especialista (em lavagem de dinheiro). O tesoureiro do Serra, o Ricardo Sérgio, criou um modus operandi para gerir o dinheiro no exterior e eu descobri como funcionava o esquema. Eles mandavam todo o dinheiro, da propina, tudo, para as Ilhas Virgens, que é um paraíso fiscal, e depois simulavam operações de investimento, nada mais era do que a internação de dinheiro. Usavam umas off-shores, que simulavam investir dinheiro em empresas que eram dele mesmo no Brasil, numa ação muito amadora. A gente pegou isso tudo – afirmou.
Amaury Jr. nega que tenha cooptado alguém para realizar escutas telefônicas: “Não teve quebra de sigilo, como me acusaram”.
– São transações que estão em cartórios de títulos e documentos. Quando você nomeia um cara para fazer uma falcatrua dessa, você nomeia um procurador, você nomeia tudo. Rastreando nos cartórios de títulos e documentos, a gente achou tudo isso aí. Não tem essa história de que investiguei a Verônica Serra (filha do ex-governador), que investiguei qualquer pessoa ou teve quebra de sigilo. A minha investigação é de pessoa jurídica. Meu livro coloca documentos, não tem quebra de sigilo, comprova essa falcatrua que fizeram – resume.
– Segundo seu livro, esse esquema teria chegado a movimentar cifras bilionárias então?
– Bilionárias, bilionárias. (O esquema era realizado por) banqueiros ligados ao PSDB, formados na PUC do Rio de Janeiro e com pós-graduação em Harvard. A gente é muito simples, formado em jornalismo na Cásper Líbero, mas aprendi a rastrear o dinheiro deles. Eles inventaram um marco para lavar dinheiro que foi seguido por todos os criminosos, como Fernando Beira-Mar, Georgina (de Freitas que fraudou o INSS), e eu, modestamente, acabei com esse sistema. Temos condenações na Justiça brasileira para esse tipo de operações. Os discípulos da Georgina foram condenados por operações semelhantes às que o Serra fez, que o genro (dele, Alexandre Bourgeois) fez, que o (Gregório Marín) Preciado fez, que o Ricardo Sérgio fez.
– Está dito no seu livro que pessoas ligadas a Serra que teriam participado desse esquema?
– Ricardo Sérgio, a filha (Verônia Serra), o genro (Alexandre Bourgeois), Preciado, o primo da mulher dele, e, acima, (o banqueiro) Daniel Dantas, o cara que comandava todo esse esquema de corrupção – crava.
No livro, Amaury Jr. afirma que faria parte das operações uma sociedade entre Verônica Serra, filha do ex-governador Serra, e Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas.
– Conto como Verônica Serra e a Verônica Dantas se uniram para implementar um pagamento de propina muito evidente para o clã Serra. Inventaram essa sociedade entre elas em Miami. Quem investe nessa sociedade? Os consórcios que investiram e ganharam (na privatização): o Opportunity, o Citibank. Eles que dão o dinheiro, está no site deles próprios. Em 2002, quando Serra era candidato a presidente do Brasil, o Dantas quis chantagear. Quem revelou isso aí? Fui eu, o jornalista investigativo? Foi a própria revista IstoÉ Dinheiro que revelou a sociedade de Dantas e o clã Serra. Porque ele tinha dificuldade em compor a Previ, do governo, do Banco do Brasil. Ele estava chantageando os tucanos para compor com ele. Veja como o Dantas é manipulador nessa história toda. Primeiro veio a matéria para justificar o dinheiro dessa corrupção, dizendo que a Verônica Dantas havia enriquecido porque era uma mártir das telecomunicações. Depois, veio uma matéria fajuta… Quando não o satisfazia, (Dantas) chantageou o Serra. Para compor com a Previ, que estava com problemas com a Telecom, naquele processo todo – relembra.
O jornalista afirma, ainda ter descoberto que a sociedade de Verônica Dantas e Verônica Serra “não acabou, como disseram. Foi para as Ilhas Virgens, sendo operada pelo Ricardo Sérgio”.
– Para quê? Jogar dinheiro aonde? Para a própria filha do governador do Serra. Mapeei o fluxo do dinheiro, esses caras roubaram, receberam propina, e a propina está rastreada. O dia em que o Dantas deu a propina da privatização, peguei a ponta batendo no escritório da filha dele lá no (bairro paulistano do) Itaim-Bibi. O Dantas pagou pro Serra. A parte da propina do Serra está documentada – garante.
A propina seguia, então, das Ilhas Virgens para as contas dos donos do poder, naquela época, e quem conduzia o processo eram os consórcios das privatizações, diz o livro, “todos liderados por homens da confiança do Serra. (O líder) era o Ricardo Sérgio Oliveira. Foi caixa de campanha dele. Isso é um saque que eles fizeram da privatização brasileira”.
– Na condição de diretor internacional do Banco do Brasil, o Ricardo Sérgio assinou uma portaria que permitia a bancos brasileiros possuir contas em bancos correlatos no Paraguai, e vice versa. Essa medida tinha como pretexto facilitar a movimentação de dinheiro dos brasileiros que possuem comércio no Paraguai. No entanto, se transformou no maior duto para lavagem de dinheiro. Em vez do dinheiro vir para o Brasil, os doleiros passarama a usar esse mecanismo pra mandar todo o dinheiro para uma agência do Banestado em Nova York. Pode-se dizer que Ricardo Sérgio atuou nessa ponta da lavanderia do Banestado – disse.
E continuou: “Segundo ponto: Ricardo Sergio foi o grande artesão dos consórcios das empresas de telecomunicações durante as privatizações, no governo FHC. Ele conseguia manipular a formação dos grupos porque controlava o Fundo de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), e decidia a forma como o Previ participaria dos consórcios. Ele conseguia isso porque o presidente do Fundo era um aliado dele, o João Bosco Madeiro da Costa.
– Por fim, Ricardo Sérgio criou a metodologia de usar as offshores nas Ilhas Virgens Britânicas, principalmente no Citco. Essas offshores eram usadas pra internar (trazer de volta ao Brasil) dinheiro que saiu ilegalmente do país, por meio de uma rede de doleiros.
Quem indicou Ricardo Sergio para o Banco do Brasil, segundo Amaury Jr., foi “Clovis Carvalho, homem muito próximo de FHC (foi ministro da Casa Civil) e Serra”.
Fogo amigo
De acordo com o livro, o jogo pesado nas eleições também estava presente na equipe de campanha da presidenta Dilma Rousseff. O vazamento de informações sigilosas de dentro do comitê da candidata, segundo Amaury Jr., era uma ação coordenada de dentro do próprio partido.
– Eu achava que era coisa do (ex-delegado federal Marcelo) Itagiba ou do (candidato a vice-presidente, deputado do PMDB, Michel) Temer. Aí vem a surpresa: era o fogo-amigo do PT. Do Rui Falcão (atual presidente do PT e deputado estadual) – acusa.
O episódio rendeu ao autor de A Privataria Tucana um processo, ao qual responde na Polícia Federal, em que é acusado pela quebra do sigilo fiscal da filha de Serra para um suposto dossiê encomendado pela equipe de campanha da atual presidenta.
– Claro. Por quê? Quebra de sigilo fiscal. É um crime administrativo que só se imputa a funcionário público. O inquérito todo da Polícia Federal é uma fraude, não tem foco. Foi aberto para apurar quebra de sigilo fiscal e abrange tudo. Nunca vai atingir a mim. Mas precisavam ter um herói, e me jogar para o público. A imprensa (conservadora) queria o último factoide para jogar sobre a Dilma no segundo turno. O que fizeram? Deturpar meu depoimento na Polícia Federal. Eu nunca disse que quebrei sigilo de nenhuma pessoa, mas o cara da Folha (de S. Paulo) disse, ele deturpou, induziu todo mundo a dizer que confessei ter quebrado o sigilo fiscal. Ele mentiu sobre um depoimento na Polícia Federal, e a mídia toda espalhou isso. Era a única arma dessa imprensa carrasca, que mostrou seu lado. Eu nunca disse isso, meus quatro depoimentos são coerentes, têm uma lógica. A imprensa foi bandida – aponta.
Sem resposta
Procurado pelo Correio do Brasil, neste sábado, o ex-governador paulista José Serra não atendeu às ligações. Já o ex-presidente FHC, questionado em uma entrevista na FSP sobre os relatos feitos por Amaury Jr. preferiu desqualificar o jornalista.
– O autor desse livro está sendo processado. Está na Polícia Federal (PF). Até lá, quem está sub judice é ele – disse.
FHC aproveitou para defender Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil, citado por Amaury no livro como o grande operador do esquema de corrupção.
– Eu não tenho nada que o desabone – afirmou.
Outro tucano, cotado para concorrer à Presidência da República nas eleições de 2014, o senador Aécio Neves também preferiu não comentar a obra na qual é citado pelo autor.
– Eu não li ainda, quando eu ler eu comento com vocês – concluiu, em conversa com repórteres em Salvador, onde esteve na noite passada, para uma série de compromissos partidários.