5.3.13

Veja o manifesto enviado por teólogos da libertação ao pré-conclave

via Carta Maior


Documento assinado por teólogos como Leonardo Boff e o bispo d. Pedro Casaldáliga começou a ser elaborado em outubro do ano passado, simultaneamente na Europa, América Latina, EUA e Canadá. Texto diz que “Cúria Romana necessita de uma reforma mais radical baseada nas instruções e na visão do Vaticano II”. Por Dermi Azevedo



Já chegam a duas mil as adesões de teólogos católicos de todo o mundo ao documento publicado por ocasião dos 50 anos do Concílio Vaticano II e cuja redação final está sendo encaminhada aos 115 cardeais que, a partir de segunda-feira (4), começam a escolher o sucessor do papa Bento XVI. 

O manifesto começou a ser elaborado em outubro do ano passado, simultaneamente, na Europa, na América Latina, nos Estados Unidos e no Canadá. Entre os seus autores, estão incluídos Leonardo Boff e o bispo d. Pedro Casaldáliga. 

O contexto de sua publicação (concebida em meio a uma grave crise na Igreja, poucos meses antes da renúncia de Bento XVI) reforçou a decisão dos teólogos de enviá-lo aos cardeais eleitores. Esta é a íntegra do documento:

"Muitos ensinamentos do Concílio Vaticano II não foram concretizados ou apenas parcialmente traduzidos na prática. Isto é devido à resistência de alguns ambientes, mas também sobretudo, em certa medida, à não resolvida ambiguidade de alguns documentos conciliares. Uma das principais causas da estagnação moderna depende do não entendimento e dos abusos no exercício da autoridade na nossa Igreja. De modo concreto os seguintes temas exigem uma urgente reformulação.

O papel do Papado necessita de uma clara redefinição baseada nas intenções de Cristo. Como supremo pastor, como elemento unificador e principal testemunha da fé, o Papa contribui de modo essencial para o bem da Igreja Universal. Mas a sua autoridade não deveria obscurecer, diminuir nem suprimir a autentica autoridade que Cristo deu diretamente a todos os membros do Povo de Deus.

Os bispos são vigários de Cristo e não vigários do Papa. Eles possuem a responsabilidade direta sobre o povo de suas dioceses e uma responsabilidade compartilhada com os outros bispos e com o Papa, do âmbito da comunidade universal da fé.

O Sínodo central dos bispos deveria assumir um papel mais decisivo no planejamento, na orientação e no crescimento da fé em nosso mundo tão complexo.

Concilio Vaticano recomendou a colegialidade e a corresponsabilidade em todos os níveis. Isto não foi transformado em ação. Os vários organismos presbiterais e conselhos pastorais previstos pelo Concilio, deveriam envolver os fiéis de modo mais direto nas decisões relativas à doutrina ao exercício do ministério pastoral e à evangelização no âmbito da sociedade secular.

O abuso de preencher os postos de guias da Igreja apenas com candidatos com uma determinada mentalidade é algo que deveria ser eliminado. Em vez disto, deveriam ser formuladas e monitoradas novas normas assegurando que as eleições para estas tarefas sejam conduzidas de modo correto, transparente e o mais democrático possível. 

A Cúria Romana necessita de uma reforma mais radical baseada nas instruções e na visão do Vaticano II. A Cúria deveria limitar-se aos seus úteis papéis administrativos e executivos.

A Congregação para a Doutrina da fé deveria ser ajudada por comissões internacionais de peritos escolhidos independentemente em função de sua competência profissional. Essas não são todas as mudanças necessárias. Devemos considerar ainda que a implementação dessas revisões estruturais exigem uma elaboração detalhada e relacionada com as possibilidades e com as limitações das circunstancias presentes e futuras. Destacamos porém que as reformas sintetizadas a cima são urgentes e a sua concretização deveria iniciar-se imediatamente.

O exercício da autoridade na nossa Igreja deveria seguir o padrão de abertura, responsabilidade e democracia encontrados na sociedade moderna. A liderança deveria ser correta e confiável, inspirada na humildade e no serviço, com uma transparente solicitude para com o povo, em vez de se preocupar com as normas e a disciplina; anunciar Jesus Cristo que liberta; ouvir o espirito de Cristo que fala e age por meio de todos e de cada um".

As atualizações do modelo cubano: abertura ao capitalismo ou reforma socialista?

via SUL21


Foto: Bárbara Ribeiro
Por Alexandre Haubrich
Chamadas de atualizações em Cuba e deabertura por opositores estrangeiros, as mudanças econômicas e políticas começam a transformar sociedade cubana. São dezenas de modificações que começaram ainda na década de 1990, provocadas pela queda da União Soviética – o que levou a uma enorme crise econômica, chamada de período especial, que durou até a metade daquela década. Intensamente debatidas pela população, as mudanças seguem em andamento e impõem uma interrogação: Cuba está voltando ao capitalismo, adaptando o socialismo ou dando um passo atrás para, mais tarde, dar outros dois à frente?
Gladys Hernández, investigadora do Centro de Investigações da Economia Mundial, explica que algumas medidas foram criadas recentemente, enquanto outras são aprofundamentos das alterações dos anos 1990. São objetivos e caminhos estabelecidos até 2015. Ela conta que o debate anterior foi intenso: “As mudanças se fazem depois de uma grande discussão popular, onde se apresentaram sugestões, que começou da base, pelas organizações de massa, desde as empresas, os centros de trabalho”. As ideias básicas das medidas mais recentes partiram do 6º Congresso do Partido Comunista Cubano. As diretrizes básicas foram apresentadas à população em novembro de 2010. Entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011 foram debatidas nas instâncias populares em 163.079 reuniões que envolveram 8.913.838 cubanos – a população total é de 11,2 milhões. Foram mais de 3 milhões de intervenções, agrupadas em 781 mil opiniões, das quais 395 mil foram aceitas e incluídas na reformulação das Diretrizes. As rejeições, alterações de conteúdo ou de redação e novas ideias que saíram desses debates foram discutidas na sequência pelo Congresso do PCC e confirmadas, enfim, pela Assembleia Nacional.
Foto: Bárbara Ribeiro
Entre reformas políticas, migratórias e de outros tipos, a maioria das mudanças visa combater os problemas econômicos que assolam Cuba desde a quebra da União Soviética. Como um país com passado colonial, inserido em uma região historicamente subdesenvolvida, e maltratado pelo bloqueio estadunidense que encarece qualquer tipo de comércio exterior, Cuba enfrenta problemas como salários baixos e preços altos. Implantada em 1994, a dupla moeda é hoje, segundo alguns cubanos, um problema maior que o bloqueio, pois faz os preços dispararem. A segunda moeda, o CUC, é emparelhada com o dólar, e tinha por objetivo fazer com que o turismo – um dos principais motores da economia cubana desde os anos 1990 – trouxesse mais divisas ao país. Foi criada em 1994 e circulou juntamente com o dólar até 2004, quando tornou-se a única moeda de turismo. O problema é que se tornou demasiadamente forte em relação ao Peso Cubano – um para 24 –, e os preços vincularam-se ao CUC, encarecendo a vida da população do país. Claribel, professora aposentada, reclama: “Os preços são altos, está tudo em CUC, que é como o dólar, e cada dólar custa 24 pesos. Fica tudo muito caro”, diz.
O fim da dupla moeda já está definido, mas ninguém sabe até agora como sair do labirinto em que se transformou. Um dirigente da província de Artemisa da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), diz que a dupla moeda foi “uma das medidas mais duras que já tivemos”, e completa: “foi uma necessidade para a sobrevivência do processo, agora a extinção da dupla moeda já está decidida, mas não se pode fazer de uma hora para a outra”.
Crescimento no setor privado alivia contas do Estado
Na tentativa de elevar os salários, o governo cubano – em consonância com as demandas da sociedade – está abrindo crescentes espaços para a iniciativa privada. Para isso, realizou no ano passado uma demissão em massa: 400 mil trabalhadores saíram de empresas estatais rumo ao setor privado. Segundo Emir, ninguém está ficando desamparado: “não é no modelo capitalista que as pessoas estão sendo dispensadas das empresas estatais, há uma grande preocupação em dar amparo e recolocar esses trabalhadores”, diz.
Foto: Bárbara Ribeiro
Abriu-se mão da exclusividade estatal sobre diversos serviços, trabalhadores estatais foram dispensados e estimulados a abrirem negócios próprios – restaurantes, marcenarias, oficinas de automóveis, etc. Os chamados cuentapropistas, trabalhadores por conta própria, não partiram sem apoio para a aventura do empreendimento: recebem subsídios e têm um período de experiência em que não pagam a maior parte dos impostos. Dona Sheila, aposentada que vive em Playa Girón, conta que seu filho trabalhava para o governo, e recebeu 2 anos para tentar fazer dar certo um restaurante: “Se não der certo, pode voltar”, esclarece.
Ao contrário do que se costuma imaginar, atividades por conta própria são permitidas em Cuba desde os anos 1990, e a lista das atividades permitidas segue em constante progressão: hoje são 181. O cuentapropista, se contratar até cinco trabalhadores, não paga o imposto por uso da força de trabalho, obrigatório a empresas de médio e grande porte. Ao contrário dos trabalhadores estatais, os cuentapropistas devem pagar uma série de impostos para não deixarem de trabalhar para a sociedade. Segundo Pablo, que trabalha como mecânico de gás de cozinha, “na hora da contratação o contratador e o contratado se põe de acordo sobre salário e horário de trabalho”. Ele afirma que “aqui não há patrão”, e garante que a convivência entre empregadores e empregados é amigável e solidária. “Aqui não há patrão ou capataz ou empresário, é como um amigo que trabalha comigo”, diz. Mesmo assim o governo e a CTC estão trabalhando na construção de um código de trabalho que dê maior proteção aos trabalhadores.
Foto: Alexandre Haubrich
Muitos trabalhadores querem ir para o setor privado porque há maior ganho. Os salários médios giram em torno de 300, 400 Pesos, algo que um motorista de táxi, por exemplo, pode ganhar em um dia. Mas, de acordo com Pablo, não há tentativa de ser melhor que os demais, apenas de incrementar a renda: “Se faz o trabalho por conta própria não para estar acima da sociedade, mas para contribuir com a sociedade e andar junto com ela”, garante ele. Há ainda pessoas trabalhando no setor estatal em jornadas que possibilitam trabalhar também como cuentapropistas. É o caso de Ernesto, que trabalha em dias alternados no Acampamento Internacional Júlio Antonio Mella, que recebe delegações em visita a Cuba, e como o que chamaríamos no Brasil de “quebra-galho” – faz serviços gerais de arrumação elétrica, mecânica, etc.
O questionamento sobre uma possível volta do capitalismo a partir dessas experiências está na cabeça de todos. Letícia, que aluga quartos para turistas em Havana, mostra preocupação: “Sim, são capitalistas, mas em um sistema socialista os chamamos de cuentapropistas. Há risco, mas não se abre mão das conquistas da revolução”, garante. A economista Gladys Hernández discorda: “Não são capitalistas, são trabalhadores privados”, opina. Mas admite: “Esse processo (de criação de empresas privadas) é lamentável, do ponto de vista dos clássicos, mas é uma necessidade”.
Foto: Bernardo Ribeiro
Empresas estrangeiras cada vez mais presentes
Um dos maiores portos do continente americano está em construção em Mariel, a 50 quilômetros de Havana. A principal participante da construção do novo porto, um investimento de mais de 900 milhões de dólares, é a brasileira Odebrecht, acusada de corrupção em alguns de seus empreendimentos no exterior. A preocupação existe, mas Emir, dirigente da CTC, garante que em Cuba a situação é diferente: “Cuba tem investimentos estrangeiros há muito tempo, mas as empresas não impõem seu regime de trabalho. Quem faz isso é o governo, o movimento sindical e a UJC (União de Jovens Comunistas)”, diz.
Em casos de investimentos externos 51% do projeto sempre mantém-se nas mãos do governo. Em relação aos salários, o Estado cubano recebe das empresas o que estas pagam a seus trabalhadores em outros países, recolhe uma parte para investimentos em desenvolvimento social, e faz o pagamento dos trabalhadores proporcionalmente aos salários cubanos. Tudo isso para não haver desigualdade e consequente migração em massa para as multinacionais. Diaris, funcionária do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, ilustra as garantias a que se reserva o Estado cubano quando constrói parcerias com empresas estrangeiras: “Há pouco tempo teve o caso de um empresário que queria abrir um hotel e queria contratar apenas jovens bonitas e brancas. Aqui já avançamos bastante na questão racial, houve um debate grande com a CTC, e no fim o empresário teve que voltar ao seu país, porque aqui em Cuba não deixamos que nossas conquistas sociais sejam desrespeitadas”.
Foto: Bernardo Ribeiro
Agricultura também passa por transformações
O setor agrícola já foi o mais importante em Cuba, inclusive nos primeiros anos da Revolução. Por conta das dificuldades à importação causadas pelo bloqueio e do esforço nacional por fortalecer a indústria, porém, acabou relegado a segundo plano A industrialização levou um número crescentes de pessoas às cidades, e deixou as terras vazias. Estima-se que apenas 30% das terras agriculturáveis no país estão ocupadas. Desde 2009 essa realidade começou a ser atacada.
Segundo Gladys Hernández, as terras ociosas estão diminuindo com o esforço do governo para levar de volta parte da população ao setor rural. Há três anos, conta, o país passou a entregar essas terras em usufruto a todos que queiram cultivá-las. “A maior parte das terras segue sendo estatal, entregue em forma de usufruto. Se a pessoa a cultiva, paga um imposto e estabelece um contrato com o governo a partir do qual entrega uma parte contratada ao Estado e o resto da produção pode comerciar livremente nos mercados”, explica. Também está em construção a possibilidade crescente de ofertar créditos e subsídios ao setor agrícola, aos produtores não estatais, tanto para trabalhar as terras quanto para a aquisição de maquinário.
Também estão em marcha mudanças que atingem de forma mais direta cada cidadão cubano. A possibilidade de venda de carros e casas, por exemplo, busca enfrentar o problema de desuso de alguns automóveis e moradias e ampliar os espaços de condução da economia doméstica pela própria população. Gladys explica que também a indústria sofrerá modificações: “Outra das grandes transformações é a que tem lugar no setor industrial. Nesse momento nós ainda temos sérios problemas com a capacidade industrial e sério problemas de empresas com tecnologias muito obsoletas”, diz.
Foto: Bernardo Ribeiro
Fidel, categórico
Repetindo uma frase muitas vezes referida pelo presidente Raúl Castro, os cubanos falam sempre em “mudança sem pressa, mas sem parar”. É assim que seguirão sempre as atualizações – ou o processo de abertura, segundo alguns. Faustino Abreu, conhecido como Nine, há 34 anos presidente de um Comitê de Defesa da Revolução (CDR), entende que “as atualizações que estão sendo feitas são necessárias nesse momento”. E explica: “A economia está mudando no mundo inteiro. Temos que estar firmes, porque o imperialismo está muito perto, tentando evitar a revolução”.
Depois de muito tempo sem aparecer em vídeo, o ex-presidente e maior líder da Revolução Cubana Fidel Castro saiu de casa para votar nas eleições gerais de fevereiro de 2013. Em frente à urna onde depositou seus votos, Fidel concedeu entrevista a veículos locais. Falando sobre a profundidade das atualizações, foi categórico: “A maior mudança foi a Revolução”.

6.2.13

VIOLETA

via El Diablo Ilustrado


Habían crecido juntas, la guitarra y Violeta Parra. Cuando una llamaba, la otra venía. La guitarra y ella se reían, se lloraban, se preguntaban, se creían. La guitarra tenía un agujero en el pecho. Ella, también. En el día de hoy de 1967, la guitarra llamó y Violeta no vino. Nunca más vino.
Ese día yo no estaba allí para evitarlo. Quizás, siendo Eduardo Galeano, con esa sabiduría enciclo-poético-vital, con esa imantación de su charla, te habría convencido de la falta que le hacías precisamente a esa vida de la que me has dado tanto. Claro que lo ideal hubiera sido personarme en tu Carpa, sentarme atravesado en un taburete frente a ti y llamarme Gilbert Favre. Tal vez me habrías peleado, tal vez habrías reído; en cualquier caso, el final sería el mismo: me habrías besado hasta los huesos.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
perfecto distingo lo negro del blanco,
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes al hombre que yo amo.

¿Y después? Tras revolcarnos apasionadamente… digamos... un tiempo..., y haber actuado unas cuantas veces en esa Carpa de la canción chilena —tu rincón-corazón—, volvería a poner mis pies en camino, a andar buscando mis propias músicas, y volvería tu ira a convertirse en canción: Corazón maldito
sin miramiento, sí, sin miramiento,
ciego, sordo y mudo
de nacimiento, sí, de nacimiento.

Con tus reproches de mujer, que se han hecho eternos, me has tejido el mito de galán villano. Claro que no habrías querido eso; no amaste a nadie más, ni yo, a nadie más que a ti. Eras —eres— un ser muy fuerte, y tierno a la vez, tal como un animalito del monte: silvestre, natural, sensible hasta el colmo, pero con unos arranques temibles. Eduardo, con su poder de síntesis, te dibuja a la perfección:
Violeta era pecante y picante, amiga del guitarreo y del converse y del enamore, y por bailar y payasear se le quemaban las empanadas. Gracias a la vida, que me ha dado tanto, cantó en su última canción; y un revolcón de amor la arrojó a la muerte.
Tu pasión era —es— ilimitada, no soportabas un minuto parecido a otro; mi sangre suiza y mi tempo clásico se ahogaban en tu energía volcánica. Recuerdo como te robaste París, algo increíble para una cholita sin atributos físicos, con solo la explosión de tu personalidad y la cultura abismal que te aportaron esos viajes tierra adentro, adonde hurgabas de caserío en caserío hasta dar con esas expresiones folclóricas remotas que te hicieron posible, Violeta Parra, ser la primera mujer latinoamericana en exhibir una exposición personal en el Museo del Louvre. Comencé entonces a ser simplemente tu sombra, acaso tu acompañante tocando la flauta. Cierto que era un lujo verte actuar y ser parte de ello, aunque fuese en una taberna, y otro lujo, el amarte después tras las copas de buen vino. Pero yo quería hacer también mis estudios y mis músicas, y tú eres un rabo de nube que arrasa —hermosamente, pero arrasa... Me das tormento. 
Corazón, contesta,
por qué palpitas, sí, por qué palpitas,
como una campana
que se encabrita, sí, que se encabrita.
¿Por qué palpitas?

Me cantabas ante cualquier distanciamiento, pero podría ser también ese el canto mío, solo que no tuve la gracia de tejer versos y melodías.
¿Qué he sacado con la luna
que los dos miramos juntos?
¿Qué he sacado con los nombres
estampados en el muro?
Como cambia el calendario,
cambia todo en este mundo.
¡Ay, ay, ay! ¡Ay! ¡Ay!
Por supuesto que no fui tu única pasión, añadiría que ni siquiera de las más importantes; eras una militante muy activa de la izquierda —que ahora sabemos universal. Todo lo que oliera a lujos, a avaricia, a dobleces, a poses burguesas, te asqueaba. Arremetías contra toda injusticia o poder con ironía mordaz, con temible audacia. Me han preguntádico varias persónicas
si peligrósicas para las másicas
son las canciónicas agitadóricas.
Ay, qué pregúntica más infantílica
Sólo un piñúflico la formulárica
pa mis adéntricos yo comentárica. 


Gravita sobre mí tu muerte. Una negra leyenda amorosa (que no deja de tener su dosis de verdad) tiende un manto de silencio sobre el dedo que apretó el gatillo. Sin dudas, el no ver en el horizonte un camino común, te golpeó mucho; pero tu inmenso corazón araucano tuvo otras grandes penas: muchas fueron bofetadas estruendosas… como cuando emplazaste hasta al poder Vaticano con aquella pregunta lapidaría: ¿Qué dirá el Santo Padre, que vive en Roma, que le están degollando a sus palomas?Miren cómo nos hablan de libertad
cuando de ella nos privan en realidad.
Miren cómo pregonan tranquilidad
cuando nos atormenta la autoridad.

Miren cómo nos hablan del paraíso
cuando nos llueven balas como granizo.
Miren el entusiasmo con la sentencia
sabiendo que mataban a la inocencia.

También te carcomía el alma tanta canción auténtica silenciada, tanta riqueza espiritual de la poesía popular arrinconada. Querías darte a todos y apenas llegabas a un minúsculo átomo de tu sueño. Tu gran ilusión, la Carpa de vinos, anticuchos, tortas, canto y baile, fue quedando en funciones para un puñado de amigos o alguna pareja de curiosos turistas.
Mientras más injusticias, señor fiscal, más fuerzas tiene mi alma para cantar. Ahora sabemos que aquella fuerza telúrica escondía también sus temores colosales. Nos hizo falta tu disparo espantando las aves para saberlo. Tu pueblo, tu canto, tu justicia, tu amor no cabían en la empobrecida realidad y estallaron. Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
así yo distingo dicha de quebranto,
los dos materiales que forman mi canto,
y el canto de ustedes que es el mismo canto,
y el canto de todos que es mi propio canto.

Claro que de tener idea de lo que sucedería en tu carpa habría quemado mis naves en ti, pero te creía invencible. Y no podías serlo, Violeta; los verdaderos amantes son mortales. Así te fuiste y, sin embargo, qué curioso: Todo lo que tocaste se hizo eterno —hasta yo que ni siquiera puedo ser tu amante Gilbert y tengo que conformarme con llorarte o, mejor, con cantarte desde el anonimato de…El Diablo Ilustrado 

Maldigo la poesía 
concebida como un lujo cultural por los neutrales
que lavándose las manos se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no toma partido, 
partido hasta mancharse.
Gabriel Celaya

5.2.13

El mejor servicio secreto es el del Vaticano

via Contrainjerencia


FERNANDO RUEDA – “Es obvio que los Servicios de Inteligencia se subordinan a la política, pero no lo es menos que introducirlos en la arena pública en apoyo justificativo de decisiones gubernamentales, y aún partidistas, o enredarles incluso en operaciones de interés privativo, es un inmenso error”. Afirmó ayer Manuel Rey, coronel del Ejército del Aire y ex alto cargo del servicio secreto español, que participó en Aranjuez en una mesa redonda sobre “¿Utilizan los gobiernos a la policía y a los servicios secretos para sus intereses particulares?”.
Tras realizar una encendida defensa de la labor del CNI y de la increíble dedicación al trabajo de todos sus miembros, señaló que “cuando los Servicios de Inteligencia descienden al terreno de la política, o se mezclan con los intereses del partido gubernamental, están perdidos y ello por una razón muy sencilla: al producirse la alternancia de gobierno, el entrante “purga” la institución, de nuevo con criterios partidistas y en una suerte de enredo naturalmente autodestructivo”.

Para Rey: “Su trabajo debe estar presidido y limitado por el servicio al Estado, en un plano apolítico, al margen de los sentimientos íntimos y de los comportamientos electorales personales y de cualquier tipo de trastorno social”.

Preguntado por los alumnos del curso “El gran hermano nos vigila” cuál consideraba que era el mejor servicio de inteligencia, respondió sin dudar que el del Vaticano, aunque aseguró que siempre había admirado al espionaje cubano: “si no hubiera sido muy bueno, Fidel Castro no habría durado tanto tiempo”. También citó a los de las dos grandes potencias, Israel, el alemán BND, los ingleses y “por supuesto, los españoles, que está en ese selecto club de elegidos”.

Consideró que el asesinato de siete agentes del CNI en 2003 en Iraq “fue una imprudencia, un fallo garrafal” y que era verdad que en el Cesid se hizo el sello de los GAL, pero que la participación de La Casa en el terrorismo de Estado fue más intelectual que otra cosa.

Manuel Rey aclaró que estaban asistiendo a la conferencia varios miembros de su familia “porque quieren enterarse de lo que hice durante los 14 años que estuve en el Cesid” y concluyó con una frase de Alexandre de Marenches, antiguo jefe de los servicios de inteligencia de Francia: “Con mucha frecuencia, los Servicios pueden caer en la tentación de montar operaciones que la moral reprueba y la ley prohíbe…Pero están hechos para ello”.
Viaje tenebroso a las cloacas del Vaticano
ESTRELLA DIGITAL entrevista al periodista y escritor Eric Frattini, autor de ‘Los espías del Papa’ y conocido por la publicación en el 2004 de ‘La Santa Alianza’
11/05/2008 – Autor: Armando Huerta – Fuente: Estrella Digital digital

Eric Frattini es un periodista de raza. Ama tanto la investigación periodística, se divierte tanto descubriendo pequeños detalles entre papeles secretos y legajos olvidados, que un día decidió abandonar la redacción para encerrarse en su despacho –cual torre de marfil– y dedicarse a escribir libros. No es de los autores que se enclaustran; como los zorros, que salen con sigilo por la noche para cazar sus presas, Frattini sale de la guarida y viaja por el mundo en busca de expertos, archivos y bibliotecas. Recoge historias sorprendentes y documentos reveladores que vertebran después sus libros. Una de las instituciones que con mayor denuedo ha investigado es la Iglesia. Autor en 2004 de La Santa Alianza (Espasa), Frattini nos regala ahora otra historia apasionante o, mejor dicho, otras historias apasionantes: las de los más famosos e influyentes agentes del servicio de inteligencia vaticano. Los espías del Papa (Espasa, 2008) relata la historia del servicio de inteligencia vaticano a través de sus primeros espadas. Durante los últimos 442 años –se lee en la contraportada– los agentes del servicio de inteligencia del Estado Vaticano, conocido en su origen como ‘La Santa Alianza’ y actualmente como ‘La Entidad’, han defendido los intereses económicos, políticos y religiosos del país más pequeño y también uno de los más poderosos del mundo. Para ello asesinaron, conspiraron, envenenaron, robaron, difamaron o mintieron en el nombre de Dios…Eric Frattini habla del libro no sólo con rigor documental, también con la pasión que le caracteriza. Hablando con él se descubre un libro tan interesante como controvertido.


Entrevista

Los Espías del Papa. Sólo con el título su libro habrá generado animadversión en ciertos sectores de la Iglesia, ¿está escrito contra alguien?

No. Yo escribo sobre la política vaticana y no sobre Dios o el catolicismo. Entiendo que muchas cosas que reflejo en los Espías del Papa, son cuestiones que han hecho los funcionarios vaticanos, o en este caso sus servicios de inteligencia, pero como digo siempre, mis libros no son anticatólicos, ni contra Dios.

¿Considera que ha escrito un libro de historia, de política o de teología?

Sin duda alguna sobre historia y política. Piense que desde hace 2008 años, la iglesia católica ha mantenido el máximo secreto en todo lo que hacía, desde una ceremonia a un tratado, desde cómo enterrar a un Papa a las operaciones encubiertas de su servicio de inteligencia en la Polonia comunista.Es decir, siempre digo que para el Vaticano, todo lo que no es sagrado, es secreto y aún en pleno siglo XXI, con Benedicto XVI las cosas siguen igual. Mis ensayos sobre el Vaticano están basados en documentos políticos e históricos, nunca teológicos.

¿Por qué recurrió el Vaticano a la figura del espía?

El Estado Vaticano es uno de los países más poderosos de la tierra y como decía el papa Juan XXIII, su PIB se mide en número de almas y no en dólares. Juan Pablo II levantó el dedo a Bush por la Guerra de Iraq y a Zapatero, por los matrimonios homosexuales. Desde este principio, los espías de la Entidad, han marcado la historia de los propios pontífices y de la Iglesia católica en los últimos 500 años.

Mi libro relata la historia de David Rizzio, el primer espía papal reconocido y que estaba destinado en la corte de la católica reina de Escocia, Maria Estuardo, hasta la biografía de Luigi Poggi, el que fue todopoderoso jefe de la ‘Entidad’ durante los años más activos de operaciones encubiertas del espionaje papal en Polonia, durante el pontificado de Juan Pablo II.

¿Qué labores se les ha encomendado a los servicios secretos vaticanos a lo largo de la historia?

Los servicios secretos vaticanos han actuado como cualquier servicio secreto de otro país. Durante el siglo XIX llegaron a matar a miembros de organizaciones contrarias a los intereses de los Estados Pontificios; sus agentes llegaron a ayudar a evadirse a criminales de guerra nazis tras la Segunda Guerra Mundial; realizaron campañas de propaganda encubierta en Rusia durante la invasión alemana; crearon una división llamada el ‘Russicum’ con el fin de establecer una jerarquía católica en la Rusia soviética de forma estable y secreta; sus espías combatieron con ayuda de la CIA de Ronald Reagan, a los llamados curas rebeldes de la teología de la liberación en la Latinoamérica de los años 80; ayudaron a lavar dinero de sociedades fantasmas montadas por el Banco Vaticano; apoyaron golpes de estado como el de los coroneles en Grecia; crearon junto con la CIA, operaciones para desestabilizar el gobierno comunista de Polonia; y así un largísimo etcétera.

¿Qué clase de órdenes recibían del Papa?

Realmente no es el Papa quien da las órdenes a los agentes del servicio de inteligencia, sino la Secretaría de Estado. Aunque la Entidad, es un órgano independiente como puede ser la Guardia Suiza o el Banco Vaticano, la Entidad depende de un Prefecto, quien reporta directamente al Secretario de Estado Vaticano.

El Prefecto y que forma parte del Comité de Seguridad, creado por Juan Pablo II, mantiene reuniones periódicas con el Secretario de Estado para informar de problemas que puedan suceder o interferir en la política de la Santa Sede. Cada semana se entrega al Papa y al Secretario de Estado un informe de inteligencia en el que están recogidos diversos acontecimientos relacionados con seguridad.

En su libro los espías vaticanos aparecen como profesionales que anteponen el fin a los medios, ¿son seres “maquiavélicos”?

Son agentes de inteligencia y por lo tanto se mueven entre las sombras para defender los intereses, en este caso papales y del Vaticano. Yo creo que todo espía debe tener su cara ‘maquiavélica’ para poder llevar a cabo su tarea y los espías del papa, han sabido durante cinco siglos anteponer los intereses del Vaticano para salvaguardar la fe, por la cruz y por la espada. Ese ha sido tal vez su lema durante siglos.

De la lectura de Los Espías del Papa se desprende que la venganza es, en gran medida, motor y vertebrador de las acciones que pone en marcha la “Santa Alianza”, ¿está de acuerdo con esta afirmación?

Bueno, la propia Santa Alianza, o ‘La Entidad’ como hoy es conocida, se creó en 1566, por orden del papa Pío V, con la única intención de matar a la hereje Isabel I de Inglaterra y poner en el trono a la católica Maria Estuardo. Desde ese mismo acontecimiento, la Santa Alianza llevó a cabo la ejecución de Enrique IV de Francia, de Guillermo de Orange, de oficiales de Napoleón, de líderes de Garibaldi, de libertarios contrarios a la política pontificia y de muchos otros.

Yo estoy de acuerdo con un personaje que llegó a decir que ‘la venganza es la viva esencia de la política’ y en eso los servicios de inteligencia del Vaticano han sido unos maestros.

¿Qué ‘pecados capitales’ han cometido a lo largo de la historia los servicios de inteligencia papal?

Por lo pronto han violado muchos mandamientos: no matarás, no robarás…y muchos otros más en nombre de los intereses de la política papal durante los últimos cinco siglos. Se ejecutó a mucha gente oficialmente durante el pontificado de Pío IX, al que después hicieron santo. Con Pío XII, la Entidad fue muy activa durante y después de la guerra; con Juan XXIII, se paralizaron sus operaciones por orden papal; con Pablo VI y Juan Pablo II, ha sido de las épocas más activas de toda su historia.Con Pablo VI, sus servicios de inteligencia tomaron una parte muy activa en el llamado ‘Golpe de los Coroneles’ en Grecia.

Eric Frattini asegura también que los espías del Vaticano llegaron a cambiar el curso de la Historia, ¿en qué sentido? ¿Está pensando quizá en su papel para la caída del comunismo?

Sin duda alguna. Yo creo que los tres grandes vértices políticos que acabaron con el comunismo fueron Ronald Reagan, Margaret Thatcher y Juan Pablo II. Entre los tres, apoyados por sus jefes de inteligencia, William Casey (CIA), Colin Figures (MI6) y el obispo, ahora cardenal, Luigi Poggi (Entidad), mantuvieron una conexión muy estrecha para acabar con el Muro de Berlín.Los tres, sabían que si caía Polonia, por la teoría del dominó caerían el resto de países del este, como así fue. Yo creo que la Entidad si ayudó a cambiar la historia.

El asesinato de David Rizzio, el espía del Papa y amante de María Estuardo, es descrito en el libro con extraordinaria viveza y profusión de detalles, ¿cómo se consigue recabar datos tan prolijos?

Existen en los archivos históricos de Inglaterra y en los de la Corona de Escocia en Edimburgo, informes muy precisos tanto de la relación de Rizzio con la reina Maria, como de su correspondencia secreta con Pío V. Pude ver hasta el boceto que alguien hizo a lápiz de cómo quedó la zona de Kirk O’Field, cuando los agentes papales mataron a Enrique Darnley, el esposo de la reina, para vengar la muerte de Rizzio.

Pude leer también las cartas e informes secretos redactados por Louis Siffrein Joseph de Salamon, el espía papal en la Francia revolucionaria. Todo es documentarse y saber buscar bien esa documentación.

¿Cómo han cambiado los espías del Papa desde el David Rizzio del siglo XVI hasta el Luigi Poggi al servicio de Juan Pablo II?, ¿cómo ha cambiado en este tiempo la “geopolítica de la fe”?

Yo creo que en términos generales no ha cambiado mucho. Los objetivos del papa Benedicto XVI son iguales a los del papa Pío V; los objetivos de la Santa Sede son iguales a los de los Estados Pontificios; los objetivos de la Entidad son iguales a los de la Santa Alianza. Yo creo que en general no han cambiado los objetivos. Lo que si ha cambiado es la geopolítica de la fe, como usted dice.

La Inglaterra hereje de ayer, es la China de hoy; la perdida de católicos en Alemania y Países Bajos de entonces, es el Brasil o la Filipinas de hoy; el enemigo protestante, luterano o calvinista de ayer, son hoy las sectas baptistas u otras sectas como la Cienciología. Como ve, los enemigos de ayer son en realidad bastante parecidos a los de hoy, sólo que ahora la Entidad espía mucho, pero mata poco.

23.1.13

Los caminos de la integración latinoamericana y caribeña en 2013

por Waldo Mendiluza Rodriguez em Miradas Encontradas


Latinoamérica y el Caribe buscarán en 2013 consolidar sus esquemas de integración, propósito en el que está llamado a jugar un rol clave la única entidad que agrupa a los 33 países independientes de la región.
Desde la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (Celac), bloque que tendrá a finales de enero su primera Cumbre, el área encarará desafíos como la concertación política ante foros internacionales, la crisis económica, el cambio climático, la reducción de la pobreza y el desarrollo sostenible.
Santiago de Chile acogerá el 27 y 28 de este mes a casi la totalidad de los jefes de Estado y Gobierno de la región, quienes deberán suscribir una Declaración Política y un Plan de Acción, este último con las proyecciones de la organización para 2013 en los diferentes tópicos.
El país anfitrión entregará a Cuba la presidencia pro tempore de la Comunidad, la cual surgió en diciembre de 2011 en Caracas, donde líderes latinoamericanos y caribeños la consideraron el sueño hecho realidad de próceres precursores de la unidad regional como Simón Bolívar y José Martí.
A propósito del papel de la isla caribeña al frente de la Celac, el presidente Raúl Castro consideró que “representa, además de un alto honor, una gran responsabilidad a la que consagraremos los mayores esfuerzos y energías”.
Pese a todas las dificultades y peligros, “Nuestra América” persevera en sus objetivos de independencia, soberanía, desarrollo e integración; sabiendo que sin justicia social y una distribución más equitativa de la riqueza ello no sería posible, apuntó el mandatario en la clausura -el año pasado- de la VII Legislatura del Parlamento.
En un encuentro con la prensa en esta capital, el vicecanciller Abelardo Moreno adelantó algunas de las proyecciones de Cuba en la presidencia de la Celac.
Según el funcionario, La Habana tendrá en agenda el impulso a la integración, la solidaridad y la paz regionales.
CUBA Y LA CELAC EN 2013
El 28 de enero, en la segunda y última jornada de la I Cumbre de Jefes de Estado y Gobierno de la Celac, Cuba recibirá de los anfitriones chilenos la presidencia pro tempore del bloque.
Para Moreno, se trata de una gran responsabilidad, a partir de las expectativas fijadas por latinoamericanos y caribeños en una entidad cuyo nacimiento fue acordado por mandatarios del área en Cancún, México, durante la Cumbre de la Unidad celebrada en febrero de 2010.
Según explicó, entre los objetivos de la gestión de la isla estarán cuestiones de integración, como la búsqueda de una mayor concertación de cara a las discusiones de los grandes temas en el escenario internacional -en Naciones Unidas por ejemplo-, y en la coordinación en el marco de la Celac de los bloques ya existentes.
En Latinoamérica y el Caribe funcionan varios instrumentos de consenso político, económico y social, como la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA), la Unasur, la Caricom, el Mercosur, el Sistema de Integración Centroamericana y la Comunidad Andina.
Desde la presidencia, Cuba también impulsará la solidaridad como concepto rector de la cooperación entre los países.
Hasta ahora se ha trabajado en las vías de las es aduaneras, la reducción de aranceles, en otras palabras, pocas experiencias apartadas de ese camino trillado, señaló a Prensa Latina el vicetitular de Relaciones Exteriores.
En ese sentido, Moreno mencionó a la ALBA como un mecanismo caracterizado por sus principios de complementación y enfoque social.
Tomando la ALBA, creemos que en el marco de la Celac poco a poco se puede ir modificando el concepto de la cooperación y alejarlo de ataduras y condicionamientos que suelen presentarse en las ayudas de países donantes (desarrollados), lo cual debemos cambiar porque no guarda relación con una América Latina nueva, expuso.
De acuerdo con el funcionario, Cuba laborará además en el propósito de considerar la región una zona de paz, “donde exista el compromiso de todos los países que la integran de resolver conflictos y diferencias por las vías del diálogo y la negociación”.
FOROS DE CELAC EN ESTE AÑO
Respecto a los foros previstos durante la gestión cubana al frente de la entidad, Moreno destacó la I Reunión de Ministros de Educación de la Celac, señalada en La Habana para el 7 de febrero en el marco de Pedagogía 2013, encuentro internacional que se celebrará en el Palacio de Convenciones.
También se realizará en Paramaribo, Suriname, un evento de los titulares de Cultura del bloque, y en el transcurso del año se celebrarán otros sobre drogas, infraestructura y la búsqueda de una nueva arquitectura financiera regional, agregó.

Cumbre de CELAC en Chile: la CIA y CADAL conspirando contra Cuba



IVAN GUTIERREZ LOZANO / CRONICA DIGITAL – En momentos en que el astro argentino Leonel Messi celebra su cuarto balón de oro, y mientras todo el mundo se desvela por la salud del hombre fuerte de Venezuela, el Presidente Hugo Chávez, Chile se alista para acoger la reunión de Jefes de Estado dela Unión Europeayla Comunidadde Estados Latinoamericanos y del Caribe (CELAC).

Desde hace meses, las autoridades chilenas trabajan en la preparación del alto foro, con el desarrollo previo de numerosos encuentros e intercambios de diversas esferas, actitud que muestra el claro interés de Sebastián Piñera y su gabinete de garantizar el éxito del cónclave, con el objetivo adicional de realzar internacionalmente la imagen de Chile y en especial la suya: un gobernante que puede exhibir una gestión doméstica con resultados tales como un aumento económico del 6%, el más alto dela OCDEy uno de los mayores del mundo, la reducción del desempleo también en un 6% y con la creación de 750 mil nuevos puestos de trabajo y con una disminución de la inflación del 1,5%.

Sin embargo, no a todos en Chile les interesa mostrar esa buena cara. Incluso varios de sus propios aliados, movidos por estrechos y miopes intereses políticos, preparan en sigilo acciones que pueden empañar el brillo de la celebración.

De acuerdo con un artículo en “Nueva Agenda” del columnista Hernán Uribe, conocido por la seriedad de sus informaciones periodísticas, algo huele mal tras las diatribas contra Cuba del senador Ignacio Walker, sin duda instigadas por su hermano Patricio, también senador y activo miembro del Centro parala Aperturay el Desarrollo de América Latina (CADAL), organización que, de acuerdo a denuncias documentadas, es financiada por entidades estadounidenses y por el propio gobierno de Washington.

Según Mijail Bonito Lovio, Secretario de Relaciones Internacionales de una entidad creada porla CIAllamada “Cuba Independiente y Democrática” (CID),la Democracia Cristianalo ha convocado para conducir el 24 de enero, dos días antes dela Cumbre, un papel denominado “Promoción dela Solidaridad DemocráticaInternacional”, el que organiza CADAL y cuyo objetivo es sacar a la luz un grupo parlamentario que tratan de orquestar contra Cuba.

Fuentes bolivianas han constatado que el mencionado grupo actuaría bajo la sombrilla de la ultraderechista Alianza Parlamentaria Democrática de América (conocida bajo la sigla de APDA), que preside el diputado de ese país vecino, Adrián Oliva Alcázar, quien pese a sus denodados esfuerzos ha logrado enrolar en este proyecto sólo a unos 17 colegas suyos: una cifra ciertamente insignificante en comparación con el número de legisladores latinoamericanos afiliados a los grupos de amistad con Cuba.

Aunque la iniciativa de este encuentro es atribuida a CADAL, detrás de esta mampara han trabajado de forma silenciosa dos personajes a quienes rinden cuentas varios de los organizadores y los participantes: el propio Mijael Bonito y Micaela Hierro Dori, la “coordinadora de programas” de CADAL.

CADAL cuenta también en esta ocasión con el respaldo de los hermanos Walker y otros directivos del más rancio sector de derecha dela DC.

Lawrence Corwin, oficial de esa agencia estadounidense, quien trabajó en Cuba desde 1998 hasta el 2001, con destacada labor de organización y estímulo a las actividades de elementos desestabilizadores enla Isla, se encuentra actualmente acreditado enla Misióndiplomática de su país en Santiago de Chile, coincidiendo con el Consejero dela Embajadasueca, Andrés Ingemar Cederberg, quien durante su estancia enLa Habanaentre 2005 y 2010 cosechó un expediente de marcada actividad injerencista en apoyo a los llamados disidentes.

Cederberg tiene excelentes vínculos, tanto conla CIAcomo con CADAL. Esta última lo condecoró en febrero del 2011 con el premio ala Democracia Comprometidapor el servicio que prestó en Cuba, y además en abril de ese año lo llevó a Argentina para que rindiera informe en privado de su gestión desestabilizadora contra Cuba.

Con un historial común en las acciones contra Cuba, Corwin aprovechó los contactos del diplomático sueco con CADAL para encauzar la misión de montar solapadamente este nuevo episodio, bajo la sombra de la animadversión de la extrema derecha dela DCy la fachada que proporciona CADAL.

El objetivo dela CIA y sus seguidores van más allá que el de montar un nuevo show en la ya gastada campaña anticubana. Detrás de este accionar se pretende obstaculizar la consolidación y desarrollo de un nuevo esquema integracionista regional, totalmente independiente de los intereses hegemónicos estadounidenses. Con los ataques contra Cuba, quien asumirá la presidencia dela CELAC, Estados Unidos intenta cuestionar la credibilidad y viabilidad de este importante mecanismo de integración.

Por mucho que la CIA trate de encubrirse con el ropaje de CADAL, al final, en su guerra en contra de Cuba, ocurre lo que dice el adagio popular: “Aunque la mona se vista de seda, mona se queda”.

1.12.12

Julian Assange: “La llave de encendido del totalitarismo ya ha sido girada”

via La pupila insomne

assangeEl fundador del portal WikiLeaks, Julian Assange, ha concedido una entrevista aRussia Today desde la Embajada de Ecuador en Londres, en la que se encuentra refugiado desde el pasado 19 de junio. Entre otros asuntos, el periodista habla acerca del control de la Red y de las guerras virtuales.
RT: Usted ha escrito este libro, ‘Cypherpunks. La libertad y el futuro de Internet’, basado en los programas que ha hecho para RT. En él usted dice que Internet nos esclaviza. Pero yo no termino de entender a qué se refiere, porque Internet es una cosa, una herramienta sin alma. Así que, ¿quiénes son las personas que esclavizan? 
Assange: Las personas que controlan la intercepción de las comunicaciones en Internet y que, en cierta medida, controlan físicamente los grandes servidores de información y las líneas de fibra óptica internacionales. Todos pensamos en Internet como un “reino platónico” en el que podemos expresar nuestras ideas y comunicarnos, y que está ahí arriba, en el aire. En realidad, Internet está en servidores que están en Nueva York, Nairobi o Pekín y nos llega a través de cables de fibra óptica o comunicaciones vía satélite. Así que aquel que controle físicamente estos medios también ejercerá dominio sobre las ideas y las comunicaciones. Y aquellos que estén a la escucha en estos canales, pueden interceptar las comunicaciones de países enteros. Y esto es verdaderamente lo novedoso e interesante para los estados modernos: interceptar las comunicaciones de naciones enteras.
RT: Pero esto suena como algo futurista, y usted ha dicho que el futuro ya está aquí. 
Assange: Sí. Quiero decir que la Agencia de Seguridad Nacional de EE.UU. lo está haciendo desde hace unos 30, 20 años, pero ahora esto se extendió hasta a las naciones medianas. La Libia de Gadafi utilizaba el sistema ‘EAGLE’, producido por la compañía francesa AMESYS, introducido ahí en 2009. Promocionado en sus documentos internos como el sistema nacional de intercepción. Pues lo que ha pasado durante los últimos 10 años es que los costos para intercepción a los individuos han bajado a tal punto que es más barato espiar a todos que elegir individuos para espiar en particular.
RT: ¿Y cuál es la alternativa, la alternativa utópica que usted habría realizado? 
Assange: La alternativa utópica es intentar y ganar la independencia para Internet. Declarar la independencia para el resto del mundo. Y esto es bastante importante. Si piensa en que es la civilización humana, lo que la hace humana y civilizada es nuestro conocimiento compartido sobre cómo funciona el mundo, cómo nos tratamos, cómo tratamos al ambiente, cuáles instituciones son corruptas y cuáles son buenas, y cuál es la manera menos tonta de hacer las cosas. Y este conocimiento intelectual es algo que ponemos en Internet. Así que si podemos intentar y separarlo de la naturaleza bruta de los estados y sus aliados, de ahí creo que podremos tener esperanza para la civilización global. Si por otro lado los dioses de la seguridad, los que controlan las armas, son capaces de tomar control sobre nuestras vidas intelectuales, el control sobre todos los medios con los cuales nos comunicamos, entonces claramente se pueden ver lo terribles que serán las consecuencias. Si ocurre en un país, ocurrirá en todos los países a la vez. De hecho, está ocurriendo en todas las naciones si hablamos del espionaje. Porque cada nación rodea a su pueblo con la infraestructura de Internet.
RT: Y de qué modo, nosotros como una especie de usuarios ingenuos, por decirlo así, obviamente lo excluyo a usted, ¿de qué modo colaboramos con estos colectores de la información privada? Todos tenemos una cuenta de Facebook, todos tenemos un teléfono que puede ser espiado. 
Assange: La gente cree “pues sí, uso Facebook y puede que si el FBI realiza una petición se haga con la información”. Y todos están ahora mucho más informados sobre el tema por Petraeus. Pero este no es el problema. El problema es que siempre casi todo lo que hago, lo que hace todo el mundo, está siendo grabado permanentemente, cada búsqueda en la red. ¿Usted sabe lo que estaba pensando hace un año, hace 3 meses o hace dos días? Usted no lo sabe, pero Google sí lo sabe, lo recuerda. La agencia de Seguridad Nacional interceptará cualquier petición que salga de la frontera estadounidense. Lo sabe. Así que simplemente al comunicarse con sus amigos, al actualizar el perfil de Facebook delatamos a nuestros amigos. Y los amigos no delatan a sus amigos. El Stasi tuvo un 10% de penetración en la sociedad de Alemania del Este, una de cada 10 personas a lo largo de su vida habían sido informantes.  Ahora en los países donde el nivel de penetración en Internet es el más alto, como en Islandia: más del 80% de la población está en Facebook informando sobre sus amigos. Esta información no se queda en Islandia, regresa a EE.UU., donde los servicios de inteligencia tendrán acceso y accederán esta información, y donde se entregará a los amigos de la inteligencia estadounidense. Cientos de cartas de seguridad nacional cada día, que son hechas publicas por el Gobierno de EE.UU.
RT: Entonces, ¿corremos riesgo de entrar en un escenario donde hay solo dos grupos de gente: una minoría segura que está informada sobre el trabajo en Internet y las cosas que usted describe, y los demás que se conectan para entretenerse? 
Assange: Tenemos esa posición donde, como sabemos, la sabiduría es el poder. Y hay una transferencia masiva como resultado de miles de millones de intercepciones diarias que vienen de todo el mundo, de gente común, hacia los servidores de datos de las agencias de inteligencia estatales de los grandes países y sus aliados: las corporaciones que les han ayudado a construir esa infraestructura.
Aquellos grupos ya son poderosos, por eso pueden construir esa infraestructura para interceptar a todo el mundo. Entonces, se hacen más poderosos concentrando el poder en los grupos de personas que cada vez son más pequeños, lo que no es necesariamente malo, pero es extremadamente peligroso si hay corrupción en el poder. Porque el poder absoluto corrompe y cuando se vuelve corrupto puede afectar a mucha gente muy rápido. Bill Binney, el informante de la Agencia de Seguridad Nacional, que ha sido el jefe de la investigación de la División del Espionaje de Señales de la Agencia de la Seguridad Nacional, lo describe como la llave de encendido del totalitarismo, y dice que toda la infraestructura ha sido creada para el totalitarismo absoluto. Es solo cuestión de girar la llave. Y en realidad, la llave ya ha sido girada un poco y ahora está afectando a mucha gente que se convirtió en blanco de los ataques de drones estadounidenses: organizaciones como WikiLeaks, reporteros de seguridad nacional que tienen sus fuentes bajo investigación. Ya está parcialmente girada y la pregunta es si le darán toda la vuelta.
RT: Pero ¿esto ha sido realmente construido por corporaciones, y de una manera inconsciente con la contribución de la gente, en orden de publicitar productos para hacer dinero? O ¿ha sido construido deliberadamente por los gobiernos con el único propósito de la vigilancia? 
Assange: Son ambas cosas. El sistema de vigilancia, el volumen de la infraestructura de vigilancia, tiene cientos de compañías envueltas en este negocio. Y ellos tienen conferencias internacionales secretas, y folletos que dan a las agencias de inteligencia, los cuales hemos obtenido y publicado este año junto a Privacidad Internacional y el Buró de Periodismo de Investigación. Además ‘The Wall Street Journal’ ha realizado algunos trabajos sobre este tema.
Ellos están construyendo dispositivos que publicitan para interceptar naciones enteras, para instalar datos de aquellos que son interceptados permanentemente, interceptaciones estratégicas porque es más barato. Entonces, es una amalgama compuesta de corporaciones y gobierno.
Ese es uno de los problemas, una de las razones por las que esto es inexplicable es porque cruza las fronteras. Las compañías no solo venden a su país de origen, ellos venden a compañías de otras naciones. Hay accionistas que se encuentran en las Islas Vírgenes, y la compañía podría estar registrada como británica, pero actualmente se están realizando varias investigaciones en Suecia, etc.
Y luego, además tienes a Google y Facebook, que se iniciaron, predominantemente, como un servicio al público, pero también han desarrollado proyectos para el servicio de la inteligencia de EE.UU.
Y las personas están constantemente llevando sus pensamientos a Google, así como cada cosa que ellos quieren investigar, todo es enviado vía email o Facebook, a través de sus relaciones sociales. Es una fuente de datos inimaginable de espionaje. Facebook es algo que uno jamás imaginó, incluso por las peores naciones espías, dada la riqueza y sofisticación en la expresión de sus relaciones.
RT: Y la gente contribuye a sabiendas.
Assange: La gente en realidad no lo sabe. Cuando en Facebook dice “comparte esto con tus amigos”, dice exactamente eso, no dice comparte esto con las agencias estatales, no dice comparte esto con amigos y agencias estatales.
RT: ¿Quién tiene el poder de ordenar detener estos asuntos de los que habla? 
Assange: Bueno, cuando hay voluntad política, todo es posible, con lo cual si contamos con la voluntad política entonces estas agencias pueden ser desmanteladas, y pueden ser controladas mediante una legislación más agresiva y una mayor vigilancia. En algunas regiones del mundo, como en Latinoamérica por ejemplo, quizás esa sea una posibilidad. Hay una tendencia democrática, de la que Ecuador forma parte, que podrían hacer eso. Sin embargo, en general considero que el problema es muy serio. Ahora mismo nos encontramos en un momento en el que la situación puede inclinarse hacia un lado o hacia otro. Hasta cierto punto, de lo que podemos estar seguros, si luchamos por conseguir ese objetivo, es que algunos de nosotros estamos protegidos.
Puede que se trate únicamente de una elite con acceso a tecnología de punta, pero más adelante esperemos que incluya a gente que pueda crear instrumentos e información para otros y que puedan emplearla para protegerse a sí mismos. No es necesario que toda la sociedad esté protegida, lo necesario es que se proteja a los componentes responsables críticos de la sociedad que evitan que la información desaparezca completamente, incluyendo a investigadores en asuntos de corrupción, periodistas, activistas y partidos políticos. Estos deben ser protegidos, de lo contrario está todo perdido.
RT: ¿Hay algún modo de que yo pueda protegerme sin ser una experta en ordenadores?
Assange: Sí, un poco, pero lo primero que uno debe saber es cuánta información está usted sacando a la luz. Lo primero que hay que hacer para protegerse es decir: “Bueno, hablaré sobre este asunto en persona y no en el chat de Facebook” o “debatiré acerca de esto empleando un tipo de chat codificado y no en el chat de Facebook”.
Usted puede ir a la página torproject.org y descargar un software codificado anónimo. Es un poco más lento que lo normal, pero  para chatear en Internet está bien porque no se descarga de golpe demasiada información.
Hay formas de hacer esto, pero lo que es necesario, sin embargo, para aquellos que conocen mejor este mundo, es que haya suficiente demanda de mercado. Es lo mismo que el uso del jabón y el lavado de manos. Antes de saber acerca de la teoría microbiana de la enfermedad, antes de entender que ahí afuera había bacterias invisibles tratando de causar daño, así también aún en la existencia de grandes Estados de violencia invisibles que tratan de provocar daños a la sociedad, nadie se molestaba en lavarse las manos.
El primer proceso fue el descubrimiento; el segundo, la educación; en tercer lugar, una demanda de mercado que surge como resultado de la educación, lo que significa que los expertos pueden empezar a fabricar jabón para que la gente lo compre y lo utilice. Precisamente es en ese punto en el que nos encontramos ahora: necesitamos fomentar la educación entre la gente para que pueda haber una demanda de mercado y, de este modo, la gente se anime a utilizar tecnología codificada y fácil de usar, capaz de proteger de los Estados a una cantidad considerable de personas.
Si no conseguimos proteger a las personas, a las instituciones democráticas y civiles básicas -y no me refiero a Occidente, sino a todas las sociedades-, éstas se desmoronarán. Se desmoronarán y lo harán simultáneamente. Este escenario sería tremendamente peligroso. El hecho de que el mundo se rompa en pedazos y lo haga al mismo tiempo no es algo que ocurra a menudo. Normalmente hay países que se salvan.
RT: Se acaba de cumplir el segundo aniversario del denominado  ‘Cablegate’, y desde entonces la guerra contra los denunciantes y la vigilancia del Estado parece haberse endurecido. ¿Cree usted que algo tan grande como el ‘Cablegate’ podría volver a ocurrir y que tendría un impacto semejante?
Assange: Sí, y espero que el próximo año.
RT: ¿Cuándo el próximo año?
Assange: No voy a entrar en detalles, pero espero que más bien temprano que tarde.
RT: ¿Cree usted que cuando WikiLeaks lo haga el impacto será igual que antes? 
Assange: El ‘Cablegate’ fue extraordinario. Fue publicado en un período de 12 meses y fue la filtración más significativa. Nuestra filtración previa, sobre la guerra de Irak, también contó con 400.000 documentos, los que mostraron con precisión cómo más de 100.000 personas fueron asesinadas. Aquello también fue muy significativo. Eso sí, nadie ha hecho nada tan importante desde entonces, pero espero que todo esto continúe. No hay que ver los éxitos de WikiLeaks simplemente como una demostración de virilidad de nuestra organización o la virilidad de la comunidad de activistas en Internet. Son también el resultado de la acumulación de información por parte de las agencias de seguridad nacional. La razón por la que se filtró tanta información, la razón por la que se filtrara al mismo tiempo se debe a lo tanto que habían acumulado. ¿Y por qué habían acumulado tanto? Pues bien, para obtener poder adicional a través del conocimiento. Ellos querían que su propio conocimiento interno fuera fácilmente accesible para su gente, que fuera fácil de buscar y hallar, para poder extraer el mayor poder posible de eso. WikiLeaks pretende corregir el desequilibrio de poder mediante la extracción de lo que guardan estas instituciones tan poderosas y dárselo a la gente en general, para que podamos entender cómo funciona el mundo y detener el creciente control por parte de estas instituciones. Pero es un resultado de la cantidad de conocimiento que estas instituciones poderosas han acumulado.
RT: Obviamente usted ha escrito este libro mientras ha estado aquí, en la embajada (de Ecuador). ¿Estar encerrado constantemente afecta su capacidad de trabajo?
Assange: Está afectando mi capacidad para reunirme con otras personas en diferentes países y hacer proselitismo y cosas de ese tipo. Pero debemos ver los sucesos en perspectiva. Hay otros que han estado en la cárcel, también en los últimos años. Sé que su condición es mucho más grave que la mía y que, afortunadamente, estoy en capacidad de poder conceder  entrevistas, etc.  Así que por lo menos aún tengo voz. Los presos rara vez tienen voz. ¿Por qué es así? Bueno, porque el sistema penitenciario no quiere permitirles que se quejen de sus condiciones.
RT: ¿Y qué es lo que va a hacer, Julian? Usted ha dicho que no va a salir de la embajada ecuatoriana hasta que EE.UU. renuncie a cualquier cargo e investigación en su contra. ¿Va a quedarse aquí para siempre?
Assange: Bueno, espero que haya suficiente presión política y que el Gobierno de EE.UU. considere que está destruyendo toda la buena voluntad que queda hacia él, como consecuencia de la persecución e investigación de WikiLeaks y sus asociados. Creo que realmente tiene que abandonar esta investigación. Como usted sabe, en los últimos seis meses en particular se puede ver una especie de flecha en la Historia, y el Departamento de Justicia de EE.UU. y Eric Holder, van a terminar en el lado equivocado de la Historia. No sé si quieren eso en su bitácora.
RT: Últimamente, han aparecido informes en los medios de comunicación sobre una posible enfermedad pulmonar, pero usted ha publicado un comunicado sosteniendo que eso no es verdad. Pero ¿no le ha mostrado eso lo que potencialmente podría suceder si usted tuviera un problema de salud? ¿Cree que sería capaz de conseguir tratamiento? 
Assange: Sabe usted, mi condición personal no es muy interesante. Obviamente, que esté en la embajada es difícil. Y en un plazo más largo, supongo, podría ser muy difícil. Pero… he tenido problemas peores.
RT: Julian Assange, muchas gracias.